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120 mil ingressos à venda, segurança e dúvida de astros: o Fla-Flu que parou o país

Capa do Jornal O Globo no dia do Fla-Flu histórico de 1995

Capa do Jornal O Globo no dia do Fla-Flu histórico de 1995: duelo entre Romário e Renato Gaúcho ganhava as páginas

Na última vez em que um Fla-Flu decidiu um Campeonato Carioca, o mundo da bola parou. O Estadual do Rio era valorizadíssimo e o choque entre o badalado Flamengo de Romário, campeão mundial com o Brasil um ano antes, e o Fluminense de Renato Gaúcho, sacudia a país. Não foi uma final, mas a última rodada entre os dois primeiros do octogonal decisivo. Os ingressos foram postos à venda quatro dias antes do clássico, marcado para as 17h do dia 25 de junho de 1995. A carga? Nada menos do que 119.950 disponibilizados para o público.

A distribuição, à época, ficou em 70 mil de arquibancada (a R$ 15 cada), 25 mil de geral (R$ 5), 22.450 de cadeira comum (R$ 15) e 2.500 de cadeira especial (R$ 75). As vendas realizadas nas Laranjeiras, na Gávea e no Maracanã. A preocupação com cambistas era grande. Natural. Dias antes, um esquema de fraude na arrecadação do Maracanã fora descoberto. Cinco funcionários do quadro móvel da Suderj foram presos com a comprovação de 2.069 ingressos fraudados no clássico entre Flamengo e Botafogo. A expectativa era de uma polpuda renda de 1.699.250,00.

Ainda assim, a farra dos cambistas não foi impedida. Nas mãos do mercado negro, o ingresso de arquibancada saltou de R$ 15 para R$ 25. A cadeira especial, de R$ 75 para R$ 100. Oficialmente, 109.204 torcedores pagaram para assistir ao clássico no Maracanã. O púlico presente foi estimado em cerca de 120 mil pessoas. Nem todo mundo conseguiu entrar no estádio. Todos queriam uma vaga na final mais badalada do país. Presidente da CBF, Ricardo Teixeira pediu dez convites para a Tribuna de Honra. A ele foram oferecidos apenas dois. Irritado, ele se recusou a comparecer ao jogo, que gerou uma arrecadação de R$ 1.621.850,00.

Diante de tanto interesse, o esquema de segurança foi grande. 1.200 policiais civis e militares trabalharam na segurança do jogo. 350 dentro do estádio. Pontos de invasão do Maracanã foram mapeados para impedir uma confusão ainda maior. Os portões abriram às 12h30 e fecharam com 20 minutos do primeiro tempo. A festa, claro, estava marcada para dentro de campo.

Renato e Romário incertos e sem transmissão de tv para o Rio

O octognal decisivo do Carioca de 95 era formado por Fluminense, Flamengo, Botafogo, Vasco, América, Bangu, Volta Redonda e Entrerriense. Ao fim da penúltima rodada, o Flamengo venceu o Volta Redonda por 5 a 0, na Gávea, e o Tricolor bateu o Entrerriense por 3 a 0, em Três Rios. Líder com 32 pontos, bastava ao Rubro-Negro um empate com o vice-líder Fluminense, então com 30 pontos, para levantar a taça no ano do seu centenário. As estrelas do clássico, no entanto, eram dúvidas.

Romário sentia dores no joelho esquerdo, submetido a uma artroscopia um mês antes devido a um desgaste na cartilagem. O Baixinho vivia com a sina de nunca ter marcado gols no rival em jogos oficiais. A única vez fora em um amistoso quando vestia a camisa do PSV. Era a estrela do time comandado por Vanderlei Luxemburgo, com quem vivia às turras. Renato Gaúcho, no entanto, preocupava mais os tricolores e o técnico Joel Santana. Ficou fora das duas últimas rodadas antes do Fla-Flu por um problema muscular. Gaiato, o atacante pediu aos tricolores que rezassem e pedissem a Deus para que ele entrasse em campo.

“Se eu estivesse com o tornozelo quebrado, entraria em campo. Mas músculo é fogo, posso sentir no primeiro pique e prejudicar o time”, disse Renato.

Mas ele entrou em campo e marcou dois gols, um deles o de histórico com a barriga, que rendeu a taça e o fez virar lenda tricolor. A partida, no entanto, não pôde ser acompanhada pela tv por quem morava no Rio e não conseguiu garantir um dos ingressos. Detentora dos direitos de transmissão, a tv Bandeirantes não podia passar os jogos ao vivo para a mesma praça, apenas com uma hora de atraso. O único canal liberado para realizar a transmissão ao vivo para o Rio foi a GNT, do grupo Globosat. Por ser um canal por assinatura, o sinal foi liberado, com a narração de Luiz Carlos Jr e comentários de Fernando Calazans.

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