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Pagar para jogar: em 2017, Flu já acumula mais de meio milhão negativo no Maracanã
06 junho 16:21
O Técnico, o capitão e o controle do vestiário
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Afoito, Fluminense erra passada e apenas empata com o Atlético-PR no Maracanã

Escalar um time recheado de jovens abre um leque com vantagens e desvantagens. Muito por necessidade, o Fluminense optou por este caminho em 2017. Colheu louros, como o caráter extremamente ofensivo com contornos de incrível velocidade, mas também deve lidar com poréns. A ansiedade é uma delas. Se na partida contra o Grêmio, no Maracanã, Nogueira acabou expulso com três minutos de jogo por não poupar um carrinho, nesta terça o time apenas empatou com o Atlético-PR por ser afoito. Agiu muito antes de pensar diante de ter mais campo do o usual. Mesmo com um a mais durante maior parte do segundo tempo, o 1 a 1 acabou amargo para quem poderia deixar o Maracanã na liderança do Brasileiro. Mas há boas novas.

Fluminense no início: cara de 4-2-3-1

A maior delas talvez seja o retorno de Gustavo Scarpa a suas plenas funções. De volta há quatro jogos, o meia só agora começa a apresentar o futebol que o fez ser tão cobiçado. Mas ainda lhe falta um pouco de ritmo. Talvez por isso Abel tenha escolhido adaptar a equipe do tradicional 4-3-3 para um 4-2-3-1. Claro, havia desfalques como Sornoza, lesionado, e Orejuela, convocado. Mas com Scarpa centralizado em vez de atacar e defender no vaivém do lado direito, o desgaste é menor. Foi assim. Um Fluminense ofensivo e passando sempre por Scarpa. O tom tricolor do primeiro tempo.

O problema é que do outro lado estava um adversário oposto: com jogadores experientes e cascudo o suficiente para entender os momentos de avanço e recuo. Em um 4-1-4-1, o time de Eduardo Baptista tentava bloquear as ações laterais de Richarlison e Renato no Fluminense. Mas acabou não achando Scarpa, às costas de Otávio. Ainda assim, chamava o Tricolor para o baile, dava campo. Não daria o contra-ataque. Apenas o ataque. Com sete minutos provou ser venenoso. Lucho González achou Jonathan nas costas de Richarlison, fazendo as vezes de lateral no lugar de Léo, dentro de grande área. O cruzamento rasteiro encontrou o pé de Pablo e, dali, foi para o gol. 1 a 0.

Atlético-PR no 4-1-4-1 de início

O jogo pouco foi modificado com a vantagem paranaense. O Fluminense, então, se lançou ainda mais à frente, tentando buscar os lados. Como não tinha espaços para chegar à linha de fundo e trabalhar com tabelas passou a alçar bolas na área da intermediária, apostando em um dos pontos fracos do Atlético-PR. Faltava calma para girar a bola, tentar achar um espaço, esgarçar o agrupado Furacão. Dificuldade até natural a um time que se acostumou a dar campo ao adversário e sair no contra-ataque. É elogiável ser incisivo, mas convém ter mais calma, ser menos afoito. Experiência diante de jovialidade. Richarlison, de cabeça, quase empatou, mas Santos fez bela defesa. O Tricolor tinha em Luiz Fernando boa figura, com agilidade para dar o bote no meio de campo e ligar o ataque via Wendel.

De tanto cercar a área do Atlético-PR e arriscar finalizações seria até injusto ao time da casa não conseguir o empate. Em uma bola área, ele veio. Após escanteio curto, Scarpa recebeu na esquerda, cortou para a perna direita e cruzou na área. O grandalhão Reginaldo se antecipou e tocou bem no canto de Santos. 1 a 1 ao fim da primeira etapa.

Flu ao fim: bola aérea aos centroavantes

No segundo tempo, Eduardo Baptista modificou o Atlético-PR. Tentou agredir mais o Fluminense. Sacou Eduardo da Silva, inoperante em meio aos zagueiros, e colocou Douglas Coutinho, que foi à ponta esquerda. Pablo foi adiantado. No meio, Rossetto, mais técnico, entrou na vaga de Rossetto. O bloco de quatro foi desfeito atrás do atacante o time se ajustou em um 4-2-3-1. Nikão saiu da direita para a esquerda. Lucho González acabou centralizado. A vida tricolor ficou um pouco mais complicada. Lucas e Léo acabaram mais precavidos, evitando os avanços.

O Fluminense tinha mais posse, avançava, mas ingenuamente cedia o espaços para contra-ataques. Em um deles, Léo levou amarelo por puxar a camisa de Douglas Coutinho. Em outro, o próprio Douglas Coutinho apareceu na frente de Julio Cesar e bateu rasteiro, cruzado, no canto. Luiz Fernando, volante com rapidez para dar o combate, mostrava cansaço por ter disputado poucos jogos na temporada. Era um time afoito que provava do seu próprio veneno. Tentava ter a iniciativa do jogo, mas dava espaços para ser surpreendido com a defesa desajustada. E queria o segundo gol de qualquer maneira. Com um a mais, teria a chance de se acalmar. Mas que nada. O ímpeto jovial falou ainda mais alto.

Em um ataque, Renato tentou uma bicicleta na grande área. Acertou em cheio o rosto de Wanderson, que teve de deixar o campo de ambulância. Eduardo Baptista recuou Deivid para a defesa. Apostava apenas na velocidade de Coutinho e Nikão para vencer o jogo. Tentou fechar o meio e bloquear o Fluminense, que passou a insistir em bolas pelo alto. Abel, inquieto, colocou Matheus Alessandro e Marcos Junior alternados nas pontas do ataque. Pedro também entrou em campo. Era o segundo centroavante, uma aposta clara na bola aérea. Mas faltava inspiração, capricho. Calma.

Atlético-PR fechado com menos um 

Era um domínio ineficaz. O lance mais perigoso aconteceu com um chute de Scarpa, já posicionado mais recuado, como volante, no auxílio a Wendel. A bola, então, passou por cima. Foram 15 finalizações tricolores contra oito dos paranaenses, de acordo com o site Footstats. A cisma de lançar bola na área quase custou o empate ao Fluminense com 51 minutos de jogo.

Paulo André rebateu de cabeça e Pablo achou Coutinho disparando pela direita. Com um toque, ele deixou Nikão na grande área de frente para Wendel, driblado com um corte seco. O chute por cima do gol salvou o Fluminense da derrota, mas não das vaias da arquibancada. Há vantagens e desvantagens em ter tantos jovens. Em uma partida em que teve vantagem numérica e campo para vencer, o Fluminense saiu aliviado por não ter sido derrotado. Por ser afoito. Que gosto amargo.

FICHA TÉCNICA
FLUMINENSE 1X1 ATLÉTICO-PR

Local: Maracanã
Data: 6 de junho de 2017
Horário: 20h
Árbitro: Igor Benevenuto (MG)
Público e renda: 13.029 pagantes / 14.843 presentes / R$ 255.900,00
Cartões Amarelos: Richarlison, Léo e Renato (FLU) e Lucho González, Jonathan e Santos (ATL)
Gols: Pablo (ATL), aos sete minutos e Reginaldo (FLU), aos 32 minutos do primeiro tempo

FLUMINENSE: Julio Cesar; Lucas (Matheus Alessandro, 24’/2T), Reginaldo, Henrique e Léo; Luiz Fernando (Marcos Junior, 38’/2T) e Wendel; Renato, Gustavo Scarpa e Richarlison (Pedro, 42’/2T); Henrique Dourado
Técnico: Abel Braga

ATLÉTICO-PR: Santos; Jonathan, Wanderson, Paulo André e Sidcley; Otávio; Nikão, Lucho González (Deivid, 20’/2T), Eduardo Henrique (Matheus Rossetto, Intervalo) e Pablo; Eduardo da Silva (Douglas Coutinho, Intervalo)
Técnico: Eduardo Baptista

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