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Apesar de Paquetá: Flamengo arranca vitória sobre Sport após expulsão do meia

Lucas Paquetá Flamengo Sport 2018

(Flamengo / Divulgação)

gol Willian Arão flamengo Sport 2018

(Flamengo / Divulgação)

Houve vários momentos no primeiro semestre em que o Flamengo apresentou o melhor futebol do Campeonato Brasileiro graças a Vinicius Júnior e…Lucas Paquetá. Um pouco mais recuado, com boa visão de campo, passes certeiros, condução precisa do ritmo da equipe. Vislumbrava-se ali, mesmo com erros naturais de um jovem de 20 anos, um craque em potencial. Seria impossível crer que seis meses depois o Flamengo comemoraria uma importante vitória, com superação, no mesmo Campeonato Brasileiro apesar de Lucas Paquetá. O craque em potencial voltou diferente no pós-Copa, já contra o São Paulo no Maracanã, viveu mais baixos do que altos e foi um obstáculo a ser superado na Ilha do Retiro, no triunfo de 1 a 0 sobre o Sport. A distância para o líder Palmeiras encurtou timidamente a cinco pontos, o suficiente para embriagar os torcedores mais empolgados com sonhos de uma conquista ainda muito improvável. A vice-liderança é de novo rubro-negra. Apesar de Lucas Paquetá.

A gangorra vivida pelo garoto pode explicar em pormenores a montanha-russa do instável futebol rubro-negro. De um meia que parecia condenado ao ostracismo de um empréstimo a clubes menores, como grande parte das revelações da base rubro-negra em passado recente, Paquetá explodiu no fim de 2017, impulsionado por Reinaldo Rueda. Polivalente. Ponta, meia e centroavante. Forte, habilidoso, bom passe, inteligente, mas acima de tudo com um brio raro. Sedento por disputa, pela vitória. A conexão com a arquibancada foi inevitável. Paquetá surfou na esteira de um time lotado de medalhões e acusado de ter a apatia como tom único de suas atuações. A imagem do garoto correndo incansavelmente atrás de cada são-paulino na derrota de 2017 no Pacaembu viralizou. Pois um ano depois Paquetá deixou de ser antídoto. Parece ter se contaminado pelo ambiente apático. Seduzido pelo sucesso.

Sport no início: espaçado, carregando a bola e muito pouco efetivo

Dorival Júnior foi responsável por fazer o garoto ter o fôlego renovado. Novamente adiantado, mais próximo do gol, Paquetá teve ótimos momentos com a boa presença de área. Parecia revigorado, embora menos brilhante. Assim, o Flamengo engatou sua retomada no Campeonato Brasileiro. Mas sempre houve algo errado com este Paquetá do segundo semestre. Negociado com o Milan precocemente, o foco parece estar já em 2019 e no início de sua aventura europeia. O Flamengo longe de suas prioridades. Caberia ao departamento de futebol rubro-negro segurar as rédeas de sua revelação. Orientá-lo, dar um puxão de orelhas mais forte se necessário. Evitar que Paquetá ficasse disperso. Monitorar o ambiente e antecipar o problema iminente. O puxão em Ernando minutos depois de receber o cartão amarelo mostrou um Paquetá alheio. Irresponsável. Longe do garoto com vontade até em excesso, atrás dos são-paulinos no Morumbi em 2017. Mas o Flamengo venceu. Apesar de Paquetá. Apesar, também, da escalação inicial.

Desfalcado de Rodinei, Pará e Diego, suspensos, Dorival Júnior também poupou Everton Ribeiro, desgastado. E optou por Léo Duarte na lateral direita, deixando Klebinho, a terceira opção, no banco. Na ponta direita do 4-2-3-1, Geuvânio. Parece um caso de memória afetiva do técnico rubro-negro. No comando do Santos, Dorival teve no agora camisa 23 rubro-negro uma das melhores armas do ataque da Vila. Mas o Geuvânio do Flamengo não entrega nem a mínima expectativa. Pouco levou vantagem no confronto com Ernando e tampouco teve ajuda pelo setor. Arão buscava a infiltração na área. Léo Duarte, a perigo com o rápido e habilidoso Mateus Gonçalves, mantinha a posição na defesa. Naturalmente, o Flamengo pendeu seu volume de jogo para o lado esquerdo. Paquetá, Renê e Vitinho. Quando buscava acelerar o jogo por aquele setor, o Flamengo criava suas alternativas de jogo. Apesar de Paquetá.

Fla no início: lento, quase desinteressado e com a direita nula

Com o 4-2-3-1 do Sport de Milton Mendes, o meia tinha até espaço diante de um Marcão distante. Mas estava muito disperso. Errava passes, tocando no vazio. Errava dribles, sendo presa fácil na marcação. Mostrava lentidão. O Flamengo, no geral, era apático. Mesmo que seu jogo ainda se baseie em posse, em trocas de passes e o gramado da Ilha do Retiro tivesse condições constrangedoras, a ausência de mínima vibração não era condizente com uma equipe ainda com chances matemáticas de título e sem garantias de que fechará o campeonato no G-4. Vitinho era o condutor ao ataque. Tentava a jogada individual, a finalização. O drible curto. Lembra Vinicius Júnior em uma característica: mesmo com erros seguidos na conclusão da jogada, arrisca o tempo todo. Foram deles as melhores chances no primeiro tempo. Um chute mascado defendido por Maílson após tabela com Renê. E um cruzamento que quase surpreendeu o goleiro ao bater em Ronaldo Alves.

Era, na verdade, um jogo fraco. O Sport, talvez surpreso com a maior posse de bola no primeiro tempo, em torno de 60%, pouco sabia o que fazer com a bola. Michel Bastos e Gabriel tentavam alternar entre centro e lado direito do ataque. A melhor opção, no entanto, era acionar Mateus Gonçalves para a aposta individual contra o improvisado Léo Duarte. Após o desastrado pênalti em Gabriel no confronto com o Santos, o zagueiro rubro-negro mostrou segurança. Protegeu bem o setor.

O segundo tempo trouxe um Flamengo inexplicavelmente sem alterações. Palmeiras e Internacional eram derrotados no momento. O time rubro-negro voltou da mesma forma. Lento, apático. Por sorte, o Sport mantinha um nível competitivo baixo. Mas o mínimo adiantar da marcação tornou a saída de jogo do Flamengo mais complicada. Sem mobilidade, as opções de passes se tornavam escassas. Lucas Paquetá exerceu com categoria a função no primeiro semestre. Mais recuado, enxergava bem o campo, carregando a bola por dentro e acionando rapidamente os lados do campo, principalmente pela esquerda. Com o meia mais adiantado, o time volta a depender apenas de Cuellar para uma saída de bola mais qualificada. E Paquetá, alheio, perdeu a passada. Ao tentar ajudar no combate, primeiro fez falta boba em Jair no meio. Minutos depois, ao ser driblado, puxou Ernando em um contra-ataque sem hesitar. Acabou justamente expulso.

Ao fim, Sport bem avançado, sedento pelo empate e com muitos espaços ao Fla

Dorival já indicava tentar acelerar o jogo com as entradas de Berrío e Everton Ribeiro. Talvez a ideia fosse adiantar Paquetá ao ataque. Com menos um, sacou Henrique Dourado, nulo, e Geuvânio. Montou o básico no 4-4-1, com Everton Ribeiro solto à frente e apostou nos contra-ataques fulminantes de Berrío. Funcionou. O ponta colombiano e sua perseguição louca à bola lembraram o Paquetá de 2017. O jogador responsável por injetar ânimo na equipe com a postura. Parece simplório – e é. Em clara desvantagem, o Flamengo foi intenso como não ocorrera em todo o jogo. Marcação forte, saída rápida. Com o Sport adiantado, o campo oferecido à velocidade foi enorme. Às costas do improvisado Ernando, Berrío acelerava e trocava passes agudos com Everton Ribeiro. Com mais fôlego diante de adversários cansados, o camisa 7 conseguiu render, ao contrário de jogos recentes. As pernas obedeciam a cabeça. Cruzou na medida para Berrío no centro da área. A cabeçada beijou o pé da trave esquerda e voltou para Maílson. O Flamengo, apenas com dez, era melhor. Apesar da lambança de Paquetá.

Ao fim, Fla com menos e mais rápido e inteligente, com Berrío e Everton Ribeiro

Milton Mentes abriu o Sport ainda mais com Gabriel e Mateus Gonçalves nas pontas, Marlone centralizado e Matheus Peixoto no ataque. Fellipe Bastos era aposta no meio para chutes de longa distância. Um deles, venenoso, contou com boa defesa de César. Como dito, havia campo para contra-ataque. Como dito, Vitinho lembra Vinicius Júnior nas seguidas tentativas até o acerto. Em uma das investidas, colecionou um escanteio pela esquerda. A cobrança, no capricho, encontrou Arão na pequena área e a cabeçada foi certeira, no fundo da rede. 1 a 0. O óbvio apontava um time bem fechado, já com Piris na vaga de um cansado Vitinho. Diante de um Sport limitadíssimo, o Flamengo não precisaria de muito para vencer na Ilha do Retiro. Apesar de Paquetá.

A vitória aproximou o time de garantir uma vaga na fase direta da fase de grupo da Libertadores em 2019. Pouco para quem esperava tanto já nesta temporada. Em um jogo atípico para seu perfil neste Brasileiro, o Flamengo teve, de acordo com o Footstats, menos posse de bola (42% x 58%), trocou menos passes (253 x 364) e saiu com os três pontos. Em nada lembrou a equipe que deu gosto em apresentações com um Paquetá atento, cabeça em pé, passes certeiros e ímpeto necessário para levar o time às vitórias e construir, com Vinicius Júnior, uma ponte com a arquibancada. A confiança do camisa 11 no primeiro semestre deu lugar a um jogador muito disperso, soberbo, inconsequente em seus atos e que parece acreditar que já é sem nunca ter sido. Há uma longa trilha para o meia percorrer já a partir de Milão rumo a uma carreira de sucesso, como indicou no início de 2018. Talento não lhe falta. Lapidar a parte técnica, evitando dribles em zona perigosa e priorizando o jogo mais objetivo, apurar a finalização, ainda falha, é uma das tarefas. Mas ter a parte mental ajustada para evitar erros como o cartão vermelho deste domingo será fundamental para que o jogador seja um dos grandes. O Flamengo ainda sonha neste fim de temporada e vai seguir em 2019. Apesar de Lucas Paquetá.

FICHA TÉCNICA
SPORT 0X1 FLAMENGO

Local: Ilha do Retiro
Data: 18 de novembro de 2018
Horário: 17h
Árbitro: Raphael Claus (SP)
Público e renda: 26.005 pagantes / R$ 283.760,00
Cartões amarelos: Cláudio Winck (SPO)
Cartão vermelho: Lucas Paquetá (FLA), aos 15 minutos do segundo tempo
Gol: Willian Arão (FLA), aos 36 minutos do segundo tempo

SPORT: Maílson; Claudio Winck, Ronaldo Alves, Adryelson e Ernando; Marcão (Fellipe Bastos, 20’/2T) e Jair; Gabriel, Michel Bastos (Matheus Peixoto, 35’/2T) e Mateus Gonçalves; Hernane (Marlone, 28’/2T)
Técnico: Milton Mendes

FLAMENGO: César; Léo Duarte, Rhodolfo, Rever e Renê; Cuellar e Willian Arão; Geuvânio (Everton Ribeiro, 17’/2T), Lucas Paquetá e Vitinho (Piris da Motta, 40’/2T); Henrique Dourado (Berrío, 17’/2T)
Técnico: Dorival Júnior