Na estreia de Zé, um Vasco ainda mais consistente na defesa e derruba o Grêmio
09 setembro 21:54
Diego Reinaldo Chapecoense Flamengo 2017 Arena Condá
Desconcentrado contra a Chape, Fla mostra sua pior face sob o comando de Rueda
14 setembro 02:00

Botafogo impõe ao Flamengo uma aula de competitividade e leva o clássico

Roger Botafogo Flamengo Engenhão 2017

Roger Botafogo Flamengo Engenhão 2017

Uma das principais características deste Botafogo que cumpre trajetória marcante em 2017 é o espírito de competitividade. Seja um time titular, misto ou reserva, encara todas as competições de cabeça em pé e mantém o nível de concentração alto. Trabalha no seu limite. No Nilton Santos, o Engenhão, a equipe de Jair Ventura impôs uma verdadeira aula desse espírito competitivo ao Flamengo. Uma vitória contundente de 2 a 0 que o manteve perto do alto da tabela do Brasileiro.

Recém-chegado, Reinaldo Rueda teve bom início, mas deixou-se levar por uma característica predominante há algum tempo que contamina o Flamengo. De maneira quase arrogante, o clube parece escolher quando deseja ser competitivo. Opta por esta ou aquela competição. Este ou aquele jogo. Mesmo com elenco parrudo e caro como o atual. Ao trocar dez jogadores de uma vez só em relação ao embate com o Cruzeiro, Rueda parece ter indicado que o clássico e, por tabela, o Brasileiro eram disputas de menor importância. Diante de um campeonato e adversário nos quais o grau de competitividade é alto, erro fatal.

Botafogo no início: força pela esquerda

O relaxamento rubro-negro em relação ao jogo se manifestou até mesmo na postura do time. Nos confrontos da Copa do Brasil, o Flamengo foi um time extremamente preocupado em não ceder espaços ao contra-ataque do Botafogo. Prendeu laterais, saía apenas com segurança. Escolhera ali se concentrar. Ser competitivo. No clássico deste domingo foi o oposto. Ainda no 4-2-3-1, mas claramente mais relaxado, Rodinei e Trauco avançavam ao mesmo tempo. Romulo, lento, parecia disperso e sem pernas para fazer qualquer cobertura. Geuvânio e Matheus Sávio, nas pontas, eram nulos. Apenas Cuellar, com a saída de bola, Everton Ribeiro, individualista pelo meio, e Guerrero, no pivô, tentavam combater o adversário. O Botafogo aproveitou.

Por mais que mantivesse uma estrutura parecia com o 4-4-2 já tradicional de Jair Ventura, a simples presença de jogadores com maior vocação ofensiva e qualidade no passe como Leo Valencia e Leandrinho no meio indicavam um Alvinegro mais avançado. Sempre forte pela direita, com Bruno Silva, o Botafogo inverteu seu caminho para chegar ao ataque. Leo Valencia, por exemplo, não permanecia centralizado, fechando o meio e se aproximando de Roger como João Paulo. Caía muito pelo lado esquerdo, trocando com Pimpão e confundindo a marcação rubro-negra para liberar também os avanços de Victor Luís. Com Rodinei e Geuvânio no setor, a marcação rubro-negra era quase nula. Por ali nasceram as maiores chances do Botafogo.

Fla no início: lados quase nulos

Leo Valencia carregava a bola para o setor e cruzava para a área. No rebote da defesa, Pimpão chutou forte na primeira. Na segunda, Valencia cruzou de novo, Rafael Vaz marcou a bola e Roger só não marcou porque Diego Alves fez bela defesa na cabeçada para o chão. Em uma terceira, Valencia caiu pela direita, nas costas de Trauco, e Roger dominou sozinho no centro, bateu cruzado para fora na segunda. O Flamengo passava apuros. E parecia não se incomodar. Chance, mesmo, só em uma cobrança de falta de Guerrero na qual Gatito fez belíssima defesa no alto, à direita. Nem a ferrenha rivalidade atual entre os clubes parecia mexer com os brios rubro-negros. Uma falta de leitura da arquibancada. A competitividade era apenas do Botafogo.

Talvez ainda mordido pela eliminação na Copa do Brasil, o time brigava pela bola mais adiantado e tinha qualidade na saída com Leandrinho e Matheus Fernandes. Ligava rápido até o ataque. Era claramente melhor. E terminou o primeiro tempo com mais posse de bola – 51% – e duas finalizações na meta de Diego Alves, de acordo com o site Footstats. Não havia motivo para mudar o time. Apenas com uma lesão. Foi o caso, com a torção de joelho de Leandrinho. Dudu Cearense entrou no segundo tempo. Era o oposto do Flamengo, que agonizava por alguma modificação com uma atuação tão pálida. Não aconteceu.

O Rubro-Negro voltou ao jogo como no primeiro tempo. Tentou tocar bola no campo do Botafogo nos minutos iniciais, conseguiu um chute de longe de Everton Ribeiro após troca de passes com Matheus Sávio. E foi só. O meio ainda perdia o combate para o Botafogo, agora com Matheus Fernandes mais liberado com a presença de Dudu Cearense. Os lados rubro-negros continuavam a não funcionar. Geuvânio impressionava pela falta de efetividade. Sem drible, sem passe. Nada. Rueda tentou manter Rodinei mais atento às investidas de Valencia e Pimpão no seu setor. Mas Jair, inteligente, fez o Botafogo trocar de lado de campo para avançar. Era pela direita agora o melhor caminho, nas costas de Trauco. Por ali chegariam os gols.

Primeiro em escanteio cobrado daquele lado, com uma cabeçada de um livre Igor Rabello na trave direita de Diego Alves e o rebote do ainda mais livre Roger para o fundo do gol. 1 a 0. Rueda, tardiamente, tentou acordar para um jogo que não era mais seu. O Botafogo já o moldara ao seu gosto. Com a vantagem no placar, estava claro que chamaria o Flamengo para tentar matar a partida. Cederia um pouco de espaço até a intermediária. Jogaria mais fechado. Berrío, com sua velocidade, não teria tanto campo para aproveitar. Foi ele quem entrou na vaga de Geuvânio. Em seguida, Arão foi a aposta para aumentar a ofensividade rubro-negra, na vaga do nulo Romulo.

Botafogo ao fim: saídas pela direita

O resultado foi um Flamengo bem mais exposto aos contra-ataques do Botafogo. A ofensividade rubro-negra era desorganizada, em nada lembrando o time bem postado e com calma de Rueda da Copa do Brasil. Lembrou mais o Atlético Nacional derrotado por Jair Ventura em Medellín na primeira fase da Libertadores deste ano. Espaçado, sem consistência. Um convite ao Botafogo. De pé em pé, o segundo gol nasceu. Matheus Fernandes avançou livre pelo centro, achou Leo Valencia mais à direita.  O chileno esperou a ultrapassagem de Bruno Silva na ponta, que superou Trauco na corrida. O passe rasteiro encontrou o pé de Roger antecipado a Rhodolfo. No fundo do gol. 2 a 0. De forma categórica.

No desespero, o Flamengo tentou entrar no ritmo competitivo do rival, mas o jogo estava decidido. Voltou a abusar dos cruzamentos como nos tempos de Zé Ricardo. Foram 40. Everton substituiu Matheus Sávio, mas o Flamengo era uma enorme bagunça e, torto, pendia para a direita, onde Everton Ribeiro e Berrío pareciam disputar espaço entre si. Um time confuso, impactado pela falta de competitividade inicial. Consistente, o Botafogo trocou Pimpão por Guilherme, Leo Valencia por Fernandes. Fechou-se e adiantou Bruno Silva. Era questão de esperar o fim do jogo diante de um rival entregue a individualidades, como a de Trauco, fintando rivais na frente e sem nenhuma preocupação defensiva.

Fla ao fim: torto pela direita e confuso

Um Flamengo que recebeu uma aula de competitividade. Não se escolhe quando exercê-la. Deve ser uma atividade constante, seja com time titular, misto ou reserva. Disputar com alto nível de concentração todos os jogos. Sim, o Flamengo tem um elenco vasto, mas Rueda é um técnico recém-chegado e poderia aproveitar o jogo para azeitar ainda mais o time considerado titular. Os retornos de Guerrero e Diego Alves, por exemplo, eram mesmo troca essenciais. Mas com dez modificações o caráter de time reserva foi incorporado, em falta de sintonia com a arquibancada. E até com a rivalidade. Pelo caminho, o Flamengo deixou pelo caminho a invencibilidade diante do Botafogo desde 2015 e de mais de ano em clássicos cariocas. E arriscou seu lugar consolidado no G-6, deixando a turma abaixo se aproximar.

Ao competitivo Botafogo só houve lucro. Maior ritmo a jogadores parados há quase 15 dias, vitória contundente sobre o rival a dias do confronto com o Grêmio na Libertadores e consolidação no pelotão de cima do Campeonato Brasileiro. Mostrou a si próprio que pode ser mais ofensivo, com Leo Valencia e Leandrinho. Finalizou 14 vezes, seis na meta. Um elenco enxuto, na conta do chá, mas que trabalha sempre com a competitividade. Está nas quartas da Libertadores, com pontuação de G-6 no Brasileiro e chegou às semifinais da Copa do Brasil. Joga no seu limite mesmo quando é derrotado, como ocorreu diante do mesmo Flamengo.

FICHA TÉCNICA:
BOTAFOGO 2X0 FLAMENGO

Local: Estádio Nilton Santos, o Engenhão
Data: 10 de setembro de 2017
Horário: 19h
Árbitro: Ricardo Marques Ribeiro (MG – Fifa)
Cartões amarelos:
Público e renda: 5.155 pagantes / 6.311 presentes / R$ 288.010,00
Gols: Roger (BOT), ao dez minutos e aos 23 minutos do segundo tempo

BOTAFOGO: Gatito; Arnaldo, Marcelo, Igor Rabello e Victor Luis; Bruno Silva, Matheus Fernandes, Leandrinho (Dudu Cearense / Intervalo) e Rodrigo Pimpão (Guilherme, 26’/2T); Leo Valencia (Fernandes, 35’/2T) e Roger
Técnico: Jair Ventura

FLAMENGO: Diego Alves, Rodinei, Rhodolfo, Rafael Vaz e Trauco; Romulo (Willian Arão, 20’/2T) e Cuellar;
Geuvânio (Berrío, 13’/2T), Everton Ribeiro e Matheus
Sávio (Everton, 24’/2T); Guerrero
Técnico: Reinaldo Rueda