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Botafogo vai à final em mais um golaço de Jair, o melhor trabalho do futebol carioca

Jair Ventura Botafogo 2017 Taça Rio

Camilo Botafogo Fluminense 2017 Taça RioA boa vitória do Botafogo por 3 a 1 sobre o Fluminense na semifinal da Taça Rio pode até não ter mais o impacto de outrora diante de uma fórmula que esvazia o próprio campeonato. Mas o jogo disputado no Nilton Santos, o Engenhão, permitiu mais um golaço de Jair Ventura, um técnico com menos de um ano entre os profissionais, mas que chama a atenção com a condução de um trabalho de maneira inteligente e eficaz. É, atualmente, quem mais chama a atenção pelo desempenho no futebol carioca.

Botafogo do início da partida

Não que o adversário do outro lado fosse fácil. Abel Braga também faz trabalho primoroso neste início de temporada no Fluminense. Mas a fartura no elenco tricolor é consideravelmente maior. Assim como Jair, Abelão lançou em campo reservas, a maioria composta por garotos da base. Não deu nem tempo de testá-los. Com um minuto, Gilson cobrou falta na área tricolor e Igor Rabelo tocou de cabeça para o gol. Era tudo que o Botafogo de Jair precisava. Sair na frente, manter a postura segura e trabalhar com a vantagem do empate para ir à final da Taça Rio no próximo domingo. Mas seria bobagem dizer que o Botafogo foi um time retrancado. Foi, sim, extremamente organizado. Mesmo com reservas.

Bastava observar o time em campo. Sabia o que fazer com precisão. O desenho era claro. Quando atacado, Camilo voltava para o meio e formava um bloco de cinco homens na frente da defesa, com Sassá na frente. 4-5-1. Ao atacar, Camilo voltava à função de meia num 4-4-1-1. A transformação entre um sistema e outro era impecável. Isso em um time de reservas. Mérito grande de Jair. Consequência de treinos, repetição e bom diálogo com os atletas. Um trabalho também fora de campo.

Fluminense do primeiro tempo

Na sexta-feira, o princípio de uma crise explodiu ao Camilo saber que seria barrado na Libertadores. Pois não houve afastamento do camisa 10. Bem remunerado que é, o meia foi a campo, deu entrevistas e jogou bem. Sassá foi afastado pela diretoria por indisciplina, teve conversa com o técnico e retornou. É útil ao extremo. No clássico deste domingo, foi o grande destaque. Veloz, rompedor, puxou os contra-ataques que deixou arrepios na dupla de zaga tricolor formada pelos jovens Frazan e Reginaldo.

Abel mandou o time a campo no 4-3-3, tentando aproveitar os lados para explodir em velocidade com Lucas Fernandes e Marcos Junior. Mas quais lados? Diante do bloco de nove jogadores do Botafogo, o Fluminense simplesmente circulava a bola, sem espaço para infiltrá-la. Acho apenas uma vez, com Marquinho, em lançamento para Marcos Junior na área, que perdeu chance clara diante de Gatito.

Botafogo do segundo tempo da partida

Faltava ao Fluminense o ímpeto normalmente demonstrado pelo time titular neste ano. Agredir mais, buscar mais o drible para furar o sistema botafoguense. Não conseguiu e ainda acabou prejudicado pela arbitragem em erro crasso. Dudu Cearense, muito impedido ao lado de quatro companheiros, ampliou ainda no primeiro tempo, de cabeça, para 2 a 0. O Botafogo, com três volantes – Rodrigo Lindoso, Dudu Cearense e João Paulo – e com mais um, Fernandes, improvisado de lateral direito, era melhor em campo. Jair conhece demais o grupo que tem em mãos.

No segundo tempo, Abel tentou trocar Osvaldo pelo inoperante Marcos Junior. Jair trocou Guilherme da esquerda para a direita para intimidar e também aproveitar os avanços de Marquinhos Calazans. Com dois minutos, a prova de como havia enxergado bem. O próprio Guilherme avançou e lançou Sassá, que girou em cima de Frazan na entrada da área e bateu cruzado. 3 a 0. Fatura praticamente liquidada. A cara de transtornado de Abelão ficou ainda mais impactante. Rapidamente, ele sacou Lucas Fernandes e Douglas para as entradas dos titulares Richarlison e Sornoza. Jair perdeu Sassá com uma pancada no ombro e colocou Vinicius Tanque. Mas o Botafogo não saía um milímetro do plano de jogo. Movimentação sincronizada.

Fluminense do segundo tempo

Com Sornoza, a qualidade do passe do Fluminense aumentou e, com Richarlison, passou a ser mais agudo no ataque, com a opção de drible. O jogo melhorou mesmo com a classificação já sacramentada. Vinícius Tanque mandou bola na trave após rebote de Julio Cesar em chute de João Paulo. No apagar das luzes, Richarlison foi para cima de Fernandes e acabou derrubado na área. Pênalti que ele próprio cobrou. Mas a retomada de alma do Tricolor era tardia demais.

O Botafogo reserva, seguro e organizado, avançou à final sem grandes sustos. Na quinta-feira, o time titular terá o desafio da Libertadores de volta, diante do Atlético Nacional, fora de casa. Será jogo duro. Jair tira de leite de pedra e leva o Botafogo à dedicação máxima. Quando todos achavam que o Carioca fora abandonado, o técnico apresenta a melhor campanha e é finalista da Taça Rio. Vai bem e já superou desafios na Libertadores. Parece controlar o extracampo quando testado. Promissor. É, atualmente, o trabalho mais impactante do futebol carioca.

FICHA TÉCNICA:
BOTAFOGO 3X1 FLUMINENSE

Local: Estádio Nilton Santos, o Engenhão, no Rio de Janeiro (RJ)
Data: 09 de abril de 2017
Horário: 16h
Árbitro: Alexandre Vargas Tavares de Jesus
Público e renda: 7.309 pagantes / 8.579 presentes / R$ 130.320,00
Cartões amarelos: Gatito, Igor Rabelo, Renan Fonseca, Camilo e Sassá (BOT) e Luiz Fernando, Marquinhos Calazans e Sornoza (FLU)
Cartão vermelho: Reginaldo (FLU), aos 36 minutos do segundo tempo
Gols: Igor Rabelo (BOT), a um minuto e Dudu Cearense (BOT), aos 26 minutos do primeiro tempo; Sassá (BOT), aos dois minutos e Richarlison (FLU), aos 43 minutos do segundo tempo

BOTAFOGO: Gatito; Fernandes, Renan Fonseca, Igor Rabelo e Gilson; Rodrigo Lindoso (Matheus Fernandes, 36’/2T), Dudu Cearense, João Paulo e Guilherme (Pachu, 31’/2T); Camilo; Sassá (Vinicius Tanque, 23’/2T)
Técnico: Jair Ventura

FLUMINENSE: Julio Cesar; Luiz Fernando, Reginaldo, Frazan e Marquinhos Calazans; Orejuela, Douglas (Sornoza, 26’/2T) e Marquinho; Lucas Fernandes (Richarlison, 16’/2T), Pedro e Marcos Junior (Osvaldo / Intervalo)
Técnico: Abel Braga

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