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Desafiado, Flamengo responde e derruba invicto Cruzeiro no Maracanã

Bruno Henrique Flamengo Cruzeiro 2019

(Alexandre Vidal / Flamengo)

Arrascaeta reencontro Cruzeiro Flamengo Maracanã 2019

(Alexandre Vidal / Flamengo)

Natural que a conquista do título carioca pelo Flamengo, há uma semana, tenha sido recheada de poréns. O nível técnico do campeonato é mesmo abaixo da crítica e até os tradicionais rivais do futebol do Rio têm dificuldade, atualmente, para duelar tecnicamente com os rubro-negros. A final com o Vasco, por exemplo, foi apenas protocolar. Muito em conta desse pacote havia enorme ansiedade para o confronto com o Cruzeiro. Com elenco farto e técnico competente, a Raposa até então invencível em 2019 seria um adversário capaz de desafiar o Flamengo. São elencos do mesmo patamar. Ciente da necessidade de reagir rápido após a pancada na Libertadores, o Flamengo foi desafiado e respondeu. Uma vitória de 3 a 1, de virada, com um segundo tempo em bom nível. Há óbvia possibilidade de conseguir resultados e atuar bem com um elenco deste nível. Ainda assim, Flamengo e Cruzeiro podem mais. Bem mais.

No rolar dos dados do Brasileiro é fácil apontar que um duelo em casa contra o Cruzeiro não pode ser menosprezado. Daí a decisão correta do Flamengo em escalar todos os titulares possíveis. Três pontos que contribuem não só no fator emocional na arrancada da competição, mas que também são fundamentais no panorama das 38 rodadas. Sem Diego Alves, Abel Braga escalou o Flamengo com César e o restante dos seus titulares. Seria um 4-2-3-1 uma vez mais com as peças da frente em funções trocadas. Bruno Henrique como centroavante, Gabigol na ponta direita, Everton Ribeiro por dentro. E Arrascaeta, sim, em seu habitat. À esquerda. A rigor mesmo, o Flamengo atuou num 4-1-4-1. Explica-se: Willian Arão desgarrou-se mais do que em jogos recentes do posicionamento ao lado de Cuellar. Atuou mais como meia do que como volante. Há benefícios. Mas há, também, problemas.

Fla no início: Arão avançado, Gabigol procurando melhor posicionamento

Com boa presença na área e sempre uma opção para infiltrar na área pelo lado direito, Arão faz falta quando não compõe o setor defensivo com constância. Um quadro que se agrava quando Gabigol, sem cacoete de marcação, está pela direita. O camisa 9 está acostumado a ter o lado de campo como alternativa, não habitat. Por isso, talvez incomodado, busca o campo todo para desenvolver melhor o futebol. Caiu por dentro, trocou com Bruno Henrique e ocupou mais a área. O lado direito, então, ficou prejudicado. E era por ali o setor preferido do Cruzeiro para incomodar o Flamengo no primeiro tempo. Mano Menezes apresentava seu cardápio no Maracanã. Um time invicto, campeão mineiro, já classificado na Libertadores. Mas se a análise que contempla a falta de parâmetro vale para o Campeonato Carioca, ela se acentua no Campeonato Mineiro. Ao se postar em um 4-4-2, com Fred e Rodriguinho à frente, acionando sempre a velocidade de Pedro Rocha pela esquerda, o Cruzeiro mostrou pouco. Uma vez mais, Mano Menezes apresentava um time muito retraído, abdicando do ataque. Deu bola ao Flamengo.

Cruzeiro no início: retraído, com dois à frente e tentando contra-ataque

Em pleno Maracanã, seria, mesmo, de esperar que o Flamengo tomasse a iniciativa do jogo. Tinha campo e espaço para trabalhar. Mas parecia um tanto quanto confuso com a movimentação de frente. Peças embaralhadas, Everton Ribeiro correndo o campo todo, Arão e Arrascaeta buscando meio. Gabigol avançando. E a bola, invariavelmente, sobrava à direita. A Pará. O camisa 21 é um tanto irregular. Alterna jogos corretos com atuações comprometedoras. Por vezes recebeu bola do lado direito, com espaço. Errou passes e cruzamentos. E deixava espaço, com dificuldade de recuperação se fosse impactado pela velocidade de Pedro Rocha. O gol cruzeirense saiu assim, na única jogada possível indicada pelo clube mineiro. Fred recuando ao centro como pivô, chamando Léo Duarte, lançando na velocidade no campo livre atrás de Pará. Pedro Rocha recebeu a bola livre, entrou na área e bateu bem. 1 a 0. Um jogo à la Mano Menezes. Time retraído, esperando o rival e gol em contra-ataque. Teria tudo para dar certo, embora o futebol fosse pobre. Mas o futebol…

O Flamengo, como dito, necessitava reagir rápido. Assim o fez. Em uma insistência característica do time de Abel: a bola esticada. O Flamengo lança. O Flamengo cruza. Se foge a um futebol mais exato, de pé em pé, favorece a impulsão de Bruno Henrique na área. Forte, veloz e sedento por gols, o camisa 27 incomoda. No lançamento de Everton Ribeiro, contou com o cochilo de Murilo e Dodô, surgindo três os dois, e a falha na saída atabalhoada de Fábio. Um minuto depois, 1 a 1. E a descida para o vestiário foi mais em paz para os rubro-negros. Mano Menezes não teria seu jogo preferido na sequência da partida. Cabia ao Flamengo, então, melhorar com a bola que era cedida insistentemente pelo time mineiro.

O Flamengo voltou ao segundo tempo sem alterações. Mas diferente no estilo. Abandonou a ideia de ver lançamentos e bolas esticadas par Gabigol e Bruno Henrique como via única para chegar ao ataque. Pôs a bola no chão. Passou a alternar passes, com mais calma, no campo rival. Travava a bola para escolher a melhor jogada. Claramente o futebol da equipe cresce. São jogadores mais técnicos, com preferência pela aproximação, tabelas, jogo pelo chão. Desafiado, o Flamengo pôs em campo uma ideia melhor. Arrascaeta, desaparecido no primeiro tempo, surgiu ao jogo. Fez a partida andar ao cair por dentro para se entender com Everton Ribeiro, buscando sempre acelerar o jogo com o passe à frente, sem toques ao lado.

Assim, com passes sempre na intermediária ofensiva, o Flamengo se impôs na partida, dando pouco desafogo ao Cruzeiro. E uma mudança simples até: Bruno Henrique e Gabigol quase juntos, próximos à área, partindo dos lados para dentro da área. Assim, os lados rubro-negros melhoraram, principalmente a direita. Arão se aproximava de Pará e Gabigol para tentar a tabela. Pelo chão. A virada chegou por ali. O camisa 5 achou o 9. Tocou e recebeu na linha de fundo. O cruzamento, preciso, achou Bruno Henrique no meio da área, como centroavante. Uma batida seca que desviou levemente em Dedé e morreu no fundo da rede. 2 a 1. O Cruzeiro já não mostrava resistência.

Ao fim, Rodrigo Caio ao meio, Gabigol e Bruno Henrique dos lados para a área

Justamente pela postura adotada por Mano. Trocou Rodriguinho, inoperante, por Thiago Neves. Nenhuma modificação de fato. O Cruzeiro continuava em um 4-4-2 com o meia ao lado de Fred, em busca de velocidade no contragolpe. Rafinha e Lucas Silva nas vaga de Pedro Rocha e Lucas Romero não trouxeram inovação. Mais do mesmo. Com o jogo do Flamengo á bem encaixado, não houve grandes sustos. O time rubro-negro apresentou boas características, lembrando no segundo tempo até os bons momentos de 2018. Cuellar, incansável, cobria bem a intermediária defensiva diante de um adversário recuado. Tentou 50 passes, não errou nenhum. Fez três desarmes.

Cruzeiro ao fim: menos um, mesma postura frustrante

Com o time dono do jogo, imponente no campo ofensivo, Abel sacou Arrascaeta e pôs Diego. Diminuiu a rotação e garantiu maior posse de bola, troca de passes de lado a lado, administrando a vantagem. Mas Bruno Henrique, infernal, ainda não tinha terminado a noite. Mais posicionado do lado esquerdo para dentro, causou enormes problemas ao Cruzeiro. Com Edilson e Dodô avançados, havia espaços pelos lados. Pela esquerda, Bruno Henrique primeiro desconcertou Murilo completamente ao chamá-lo para fora da área e ser derrubado. Segundo amarelo que resultou na expulsão do zagueiro e minou qualquer reação cruzeirense. O último gol foi uma amostra de como o Flamengo pode render com seus dois atacantes posicionados em lados opostos, atacando sempre a área. Everton Ribeiro, da defesa, achou Gabigol à direita. Fulminante, ele encontrou Bruno Henrique à esquerda e lançou. Ao partir para a área, o camisa 27 chamou Dedé. O erro no desarme deixou Bruno Henrique livre, dentro da área. A batida foi ruim. Mas Gabigol, fora da ponta e dentro da área, o acompanhava. No rebote, confirmou a vitória e abriu espaço para a despedida digna de Juan. 3 a 1.

Já com o zagueiro em campo, o Flamengo se armou num 4-3-3, com Rodrigo Caio no meio. Opção para o desenrolar da temporada, ainda que o zagueiro tenha sido vítima de uma pancada com Dedé na área e esteja fora do próximo jogo, contra o Internacional. Com 59% de posse de bola, 14 finalizações contra apenas duas e 467 passes trocados*, o Flamengo apresentou um futebol de melhor nível no segundo tempo. Foi imponente e derrubou a invencibilidade do Cruzeiro no Maracanã. Mostrou que com tantos jogadores técnicos, o jogo pede que seja de pé em pé, por baixo. É possível, mantendo a aceleração desejada por Abel e característica de Bruno Henrique. A estreia no Brasileiro apresentou o caminho para o jogo rubro-negro florescer. Desafiado, o elenco respondeu e indicou que, sim, o Flamengo é candidato ao título brasileiro. Basta ter a bola no chão.

*Números App Footstats Premium

FICHA TÉCNICA
FLAMENGO 3X1 CRUZEIRO

Local: Maracanã
Data: 27 de abril de 2019
Árbitro: Anderson Daronco (RS – Fifa)
VAR: Leandro Vuaden (RS)
Cartões amarelos: Pará, Léo Duarte, Gabigol e Diego (FLA) e Lucas Romero, Edilson, Fred, Thiago Neves (CRU)
Cartão vermelho: Murilo (CRU), aos 39 minutos do segundo tempo
Público e renda: 29.459 pagantes / 35.016 presentes / R$ 1.311.592,00
Gols: Pedro Rocha (CRU), aos 39 minutos e Bruno Henrique (FLA), aos 40 minutos do primeiro tempo; Bruno Henrique (FLA), aos 21 minutos e Gabigol (FLA), aos 44 minutos do segundo tempo

FLAMENGO: César, Pará, Léo Duarte, Rodrigo Caio e Renê; Cuellar e Willian Arão; Everton Ribeiro (Juan, 45’/2T), Arrascaeta (Diego, 30’/2T) e Bruno Henrique; Gabigol
Técnico: Abel Braga

CRUZEIRO: Fábio, Edilson, Dedé, Murilo e Dodô; Henrique e Lucas Romero (Lucas Silva, 23’/2T); Marquinhos Gabriel, Rodriguinho (Thiago Neves, 17’/2T) e Pedro Rocha (Rafinha, 23’/2T); Fred
Técnico: Mano Menezes