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Diferente, Botafogo aproveita a fragilidade de um Vasco com receio do futuro

Kieza gol Vasco Botafogo São Januário Brasileiro 2018

(Twitter / Botafogo)

Kieza gol Vasco Botafogo São Januário Brasileiro 2018

(Twitter / Botafogo)

Ainda que tivesse vencido na última rodada, o Vasco é um clube em permanente estado de alerta. Tenso, ressabiado, hesitante com o que pode acontecer na esquina seguinte da temporada. Uma gigante marca no futebol brasileiro fragilizada. Aproveitar esse momento vascaíno seria fundamental ao Botafogo. Pois o time de Alberto Valentim soube atacar justamente isso: a fragilidade do rival e, ao mesmo tempo, mostrar nova faceta. Adaptar-se ao jogo, cedendo a bola ao rival para atacar em suas fraquezas. Funcionou. Com um gol relâmpago e um bom primeiro tempo, o Alvinegro arrancou mais uma vitória sobre o rival, desta vez em São Januário, em um 2 a 1.

Nas últimas partidas, o Botafogo de Valentim tentou controlar o jogo com a bola no pé. Buscou a posse, trocar passes para vencer rivais. Não deu certo contra América-MG e São Paulo. A estratégia foi modificada. Lembrou, em certo ponto, a aposta contra o Flamengo na semifinal da Taça Guanabara deste ano: dar a bola ao rival e tentar trabalhar em cima de suas falhas. Deu certo com poucos minutos de jogo. Ao pressionar a saída de bola vascaína, o time alvinegro, em um 4-2-3-1, com Marcos Vinícius por dentro, Leo Valencia e Aguirre pelas pontas, causou dificuldades. Neste avanço, o gol surgiu em uma boa presença de Jean, substituto do suspenso Matheus Fernandes, pela direita, nas costas de Fabrício.

Vasco no início: espaços, principalmente no lado esquerdo que deixam time frágil

Também em um 4-2-3-1, o time vascaíno foi a campo com Luiz Gustavo, que iniciou a temporada como zagueiro, na lateral direita. Fabrício, alvo desde a polêmica da foto no Instagram, pela esquerda. Nem bem começaram as vaias e o lateral já levara uma bola nas costas, pelo seu setor. Jean passou como quis, teve espaço para cruzar para Kieza, com facilidade para completar para o gol, abrir o placar. 1 a 0. Era o cenário dos sonhos botafoguense: vantagem precoce, pressão da arquibancada sobre os mandantes, bola cedida e controle do jogo mesmo com menos posse. Funcionou. E, muito, porque o Vasco não funcionava.

O gol sofrido fora o 51º da equipe de Zé Ricardo na temporada. Recheado de desfalques, sem confiança, o time em nada lembra a equipe organizada que chegou a iniciar a Liberadores e, ainda que com outras peças, encerrou 2017. Tinha consistência defensiva para segurar rivais e, então, pôr os planos ofensivos em prática. Mas o Vasco passa por um problema: parece não ter plano algum. Indica ser um time mais movido por intuição do que por algum tipo de estrutura. Pikachu e Wagner, pelos lados, ainda alternavam, com Giovanni Augusto pelo meio. Ríos tentava se movimentar para encontrar espaços. Mas a falta de entendimento forçou o jogo pelos lados. Giovanni Augusto, instintivamente, via o setor protegido e caía à esquerda. Em vão.

Bota já sem Marcos Vinícius: Valencia ao meio, Pimpão à esquerda e pressão

O Botafogo era mais organizado. Mesmo quando perdeu Marcos Vinícius, lesionado, não modificou a ideia de jogo. Centralizou Léo Valencia e pôs Pimpão pela esquerda. Velocidade para explorar um possível vacilo e lentidão de Luiz Gustavo. Lindoso iniciava bem a saída de bola e acionava os lados, obrigando o retorno dos pontas vascaínos para o combate. O Vasco, nervoso com a pressão da arquibancada, tentava responder com corridas em vão. E abria espaço para contra-ataque. Quando Leo Valencia cobrou falta na cabeça de Igor Rabello, dentro da área, o panorama ficou mais evidente: a fragilidade da defesa vascaína impede qualquer tentativa de ser competitivo. 52 gols sofridos na temporada.

Ao fim, Vasco muito à frente, com zaga improvisada em busca do gol de empate

O segundo tempo trouxe um Vasco determinado a criar mais do que na metade inicial. Fabrício, massacrado pelas vaias, deu lugar a Ramon, que ainda apura a forma depois da lesão no joelho que o tirou de ação por quase um ano. Ainda assim, o veterano lateral soube fechar mais o canto esquerdo e amenizar a fúria da torcida. Pikachu fixou ponto pela esquerda e tentou bater de frente com Marcinho, arma importante do Botafogo no primeiro tempo. Com a vantagem no placar, o time de Alberto Valentim não teve o menor pudor ao se fechar em um 4-4-2, tentando reduzir a ação vascaína à intermediária. Mandante, o time tentou embalar no grito da torcida, arriscando finalizações de longe. Pikachu assustou Jefferson em um belo chute e, logo em seguida, fez boa jogada pela esquerda, rolando ao meio. Andrey, uma das figuras de maior destaque no meio cruzmaltino, ajeitou e mandou de longe, no ângulo de Jefferson. Adiantado, o goleiro alvinegro colaborou, mas não diminuiu a estética do gol. 2 a 1.

Ao fim, Botafogo retraído valorizando a vantagem e dificultando o Vasco

A lógica indicava um Vasco que tentaria impôr o mando de campo ao rival, empurrando a seu campo. De fato, o Botafogo manteve postura bem defensiva até o fim, apenas trocando peças para manter a consistência. Aguirre, de participação discreta, deu lugar a Luiz Fernando. Jean, machucado, saiu para a entrada do esforçado Marcelo. A maior vantagem, porém, era ver um Vasco fragilizado, apavorado com o iminente fracasso diante de sua gente. A solução vascaína foi empilhar homens na frente e tentar alçar a bola na área. De acordo com o Footstats foram 23 cruzamentos – apenas um correto. Wagner, Pikachu, Riascos, o garoto Lucas Santos. Tentativa de fazer uma blitz para, em uma bola aleatória, tentar minimizar a falta de ideias do limitado elenco vascaíno.

O gol não veio. Uma boa noite do Botafogo, com apenas 35% de posse de bola e uma estratégia eficaz para se aproveitar do rival agoniado com a própria situação. Uma crise que extrapola o campo, não dá descanso, ganha o gabiente presidencial e resulta em situações como o pedido de demissão do técnico Zé Ricardo. Além da perda de jogadores nesta temporada, o técnico teve de lidar com o borbulhar do caldeirão vascaíno. Em um dia aborda a troca de jogadores com o Atlético-MG, confirmando seu aval. À noite vê o presidente desfazer o negócio. O controle foge de suas mãos. O Botafogo avança e respira no Brasileiro, adaptando-se ao rival. Um Vasco que, com receio da próxima esquina, está cada vez mais fragilizado.

FICHA TÉCNICA
VASCO 1X2 BOTAFOGO

Local: São Januário
Data: 2 de junho de 2018
Horário: 19h
Árbitro: Raphael Claus (SP)
Público e renda: 8.592 pagantes / 9.454 presentes/ R$ 236.400,00
Cartões Amarelos: Luiz Gustavo e Wagner (VAS) e Rodrigo Pimpão, Jean e Rodrigo Lindosoe Marcinho (BOT)
Gols: Kieza (BOT), aos quatro minutos e Igor Rabello (BOT), aos 34 minutos do primeiro tempo, Andrey (VAS), aos sete minutos do segundo tempo

VASCO: Fernando Miguel; Luiz Gustavo, Erazo (Lucas Santos, 35’/2T), Ricardo Graça e Fabrício (Ramon / Intervalo); Desábato e Andrey; Yago Pikachu, Giovanni Augusto (Riascos, 22’/2T) e Wagner; Andrés Ríos
Técnico: Zé Ricardo

BOTAFOGO: Jefferson; Marcinho, Carli, Igor Rabello e Moisés; Jean (Marcelo, 16’/2T) e Rodrigo Lindoso; Aguirre (Luiz Fernando, 24’/2T), Marcos Vinícius (Rodrigo Pimpão, 12’/1T) e Leo Valencia; Kieza
Técnico: Alberto Valentim