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Disciplinado e eficiente, Vasco entra com pé na porta na Libertadores

Pikachu Vasco Universidad Concepción

Pikachu Vasco Universidad Concepción

(Carlos Gregório / Vasco)

Há pouco mais de três dias, o time do Vasco deixou o Maracanã com um empate sem gols diante do Flamengo um tanto quanto preocupado. Seria necessário manter uma consistência defensiva e caprichar muito mais na criação do ataque para ser competitivo na estreia na Libertadores, diante do Universidad Concepción. O Vasco não só conseguiu como foi além. Com incrível disciplina, a equipe de Zé Ricardo teve ótima atuação e praticamente encaminhou a vaga no Chile com um acachapante 4 a 0.

No início, Concepción muito dependente de Morales

Claro que algum torcedor rival poderá tentar desdenhar, indicando que Concepción é uma equipe fraca e o goleirão Cristian Munõz facilitou por duas vezes a tarefa. Mas é tolice crer que a boa atuação vascaína se deveu apenas a isso. Zé Ricardo parece polir melhor o time vascaíno, encontrando alternativas para as perdas de Nenê e Mateus Vital. A chave que o técnico parece ter descoberto é o avanço de Evander. Com bom passe, chute e vigor físico, o jogador ganhou sua vaga no 4-2-3-1 de 2017. Neste ano, ele joga por dentro, num 4-1-4-1, como o atleta mais próximo de Andrés Ríos. Contra o Flamengo houve certa dificuldade.

Mas é uma tentativa de fazer a sua presença dentro da área ser cada vez mais rotineira. Dar tempo à adaptação do jovem de 19 anos. Com dois minutos, Zé Ricardo mostrou que a aposta tem futuro. Como num balé sincronizado, a bola saiu da direita com Ríos para Wellington e seguiu direto para Paulinho. A ajeitada de calcanhar viu Evander explodindo dentro da área para bater no fundo da rede com dois minutos. 1 a 0.

Vasco no início: Evander, de novo, encostando na área

Claro, todo o panorama muda diante de vantagem tão precoce. Mas o Vasco não moveu uma vírgula do planejado. Não se entregou à empolgação, desorganizando a equipe. Paulinho e Wagner recuavam pelos lados, com Evander e Wellington, em grande noite pelo trabalho de vaivém, Desábato à frente da zaga. Era o necessário para chamar o Concepción, em um 4-4-2 pouquíssimo criativo e muito dependente de Morales. O time chileno até ia. Mas não voltava para marcar. Então cabia ao Vasco morder na frente, principalmente com Paulinho e Evander, os dois jovens, com físico mais do que em dia mesmo em início de temporada.

Em uma desses apertos, André Ríos pressionou o goleiro Munõz. A bola rebateu em seus braços, a arbitragem não viu e mandou seguir. Evander pegou o rebote e de longe, com apenas 15 minutos, fez 2 a 0. Nem o mais otimista vascaíno sonharia com esse ceu de brigadeiro logo na estreia da Libertadores. Perdido e pressionado, o Concepción tentou lançar a bola ao leu. Seriam 35 cruzamentos e 32 lançamentos, de acordo com o Footstats, até o fim do jogo. O Vasco se aproveitou.

Organizado, sincronizado para avançar e recuar, o time de Zé Ricardo tratou de trabalhar a posse, lembrando o auge do técnico em sua passagem pelo rival Flamengo. Girar o jogo. Cansar o rival. Estava fácil. Quase ampliou no fim da primeira etapa, de novo com Evander, que completou para fora o rebote dado pelo goleiro em chute de Paulinho.

Concepción ao fim: time recheado de espaços

O segundo tempo trouxe um Universidad Concepción mais disposto a ir ao ataque, ciente de que a vaga escorria entre as mãos com a atuação ruim. Portillo entrou no lugar de Manríquez, mas os espaços ainda eram dados ao Vasco, que, por sua vez, se fechava bem para dar o bote e buscar o contra-ataque fatal. Aos poucos, o time chileno teve mais posse, com cansaço vascaíno. Zé fez a leitura exatamente no momento que o time caiu o ritmo. Wagner, já veterano e exigido pelo lado, foi substituído por Rildo, que rumou à esquerda, com Paulinho ocupando a direita. Era claro o recado: velocidade pelos lados, com apoio dos laterais Pikachu e Henrique aos pontas, para matar não só o jogo, mas o confronto.

Ao fim, a saída fulminante pelos lados matou a partida

Francisco Bonzán colaborou com a ideia vascaína ao trocar Huentelaf, um dos mais perigosos com os chutes de longe, por Pineda. Saiu do 4-4-2 e indicou um 4-2-3-1. Espaço ainda mais a equipe, sem pernas para encaixar a marcação. Foi um festival de contra-ataques vascaínos. A entrada de Thiago Galhardo e Riascos nas vagas de Evander e Andrés Ríos – em boa noite ao segurar a bola no ataque – apenas aumentou o pulmão da equipe. Na velocidade, o Vasco liquidou o Concepción.

Rildo disparou pela esquerda e viu Pikachu, sozinho pela direita. O cruzamento foi ruim, mas o goleiro Muñoz de novo ajudou, soltando a bola no pé do lateral, que completou. 3 a 0. O quarto gol chegou em um contra-ataque de manual: roubada de bola, Thiago Galhardo de primeiro para Rildo, em altíssima velocidade, fechar o placar em 4 a 0. Vaga praticamente definida. Um alívio para o elenco e Zé Ricardo.

Em meio a um início de ano muito turbulento devido ao ambiente político, o time sofreu perdas e teve de iniciar a principal competição do ano de forma precoce. Zé Ricardo, de novo, mostra qualidades como técnico. Encaixa o time com as peças que tem. Teve em Evander um substituto talvez até melhor do que Nenê, dado o potencial do garoto de 19 anos. Disciplinado, o Vasco se mostrou competitivo no maior teste até agora da temporada. O primeiro passo na América deu orgulho e esperança a um clube tão maltratado e carente de bons momentos.

FICHA TÉCNICA
UNIVERSIDAD CONCEPCIÓN 0X4 VASCO

Local: Estádio Municipal
Data: 31 de janeiro de 2017
Horário: 21h45
Árbitro: Leodan González (URU)
Público e renda: 11.455 presentes
Cartões Amarelos: Droguett, Pedro Morales e Portillo (UNI) e Desábato e Ricardo (VAS)
Gols: Evander (VAS), aos dois minutos e aos 15 minutos do primeiro tempo e Yago Pikachu (VAS), aos 33 minutos, e Rildo (VAS), aos 36 minutos do segundo tempo

VASCO: Martín Silva; Yago Pikachu, Erazo, Ricardo e Henrique; Desábato; Wagner (Rildo, 11’/2T), Wellington, Evander (Thiago Galhardo, 17’/2T) e Paulinho; Andrés Ríos (Riascos, 27’/2T)
Técnico: Zé Ricardo

UNIVERSIDAD CONCEPCIÓN: Cristian Muñoz; Berríos, Martínez, Mencia e De la Fuente; Camargo (Meneses, 28’/2T), Manríquez (Portillo / Intervalo), Droguett e Pedro Morales; Huentelaf (Pineda, 15’/2T) e Santiago Silva
Técnico: Francisco Bozán