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Em dois descuidos, Fluminense faz a estreia no Brasileiro ir por terra

Ayrton Lucas Romero Fluminense estreia Brasileiro 2018

(Flickr / Fluminense)

Ayrton Lucas Romero Fluminense estreia Brasileiro 2018

(Flickr / Fluminense)

Antes do início da partida, Abel Braga foi indagado sobre qual Campeonato Brasileiro o Fluminense disputaria. Respondeu, claro, que não teria como saber. Apenas jogo a jogo. A estreia na competição, diante do atual campeão, Corinthians, trouxe mais dúvidas do que respostas. No geral, o jogo tricolor não foi ruim. Mas bastaram dois vacilos. Duas enormes bobeiras para ver a bola dentro da rede e a partida escorrer pelas mãos. Uma derrota de 2 a 1 que deixou o gosto amargo justamente pelo descuido. Para disputar um Brasileiro na metade de cima da tabela, o Fluminense deve ter concentração alta o tempo todo. Não teve.

Corinthians no início: cerco ao Flu, mas com muitas dificuldades

Encarar o Corinthians atual campeão brasileiro e recém-campeão paulista na casa do rival Palmeiras, com moral alto, é tarefa engasgada. Abel entendeu que o rival seria voraz no ataque para agradar à arquibancada. Manteve os três zagueiros, mas segurou Gilberto e Ayrton Lucas pelos lados. Sornoza e Pablo Dyego, mais forte do que Marcos Junior, recuaram alinhados a Pablo e Richard, com Pedro na frente. 5-4-1. Que venha o Corinthians. O Timão até foi. Mas encontrou dificuldades. Em um 4-2-3-1, com Rodriguinho como falso atacante, girava no entorno da área tricolor, mas não tinha penetração. Não conseguia avançar pelos lados, com Romero e Mateus Vital, que vez e outra trocava com Clayson. Gira, gira, gira. E impacienta a arquibancada. Um jogo mais a favor do Fluminense.

Abel perdeu peça-chave quando Ibañez, o melhor do zagueiros, com boa antecipação e saída de bola, sentiu a coxa esquerda com apenas 26 minutos. Não desfez o que planejara. Pôs Frazan no lugar e o Fluminense manteve o bloco de cinco jogadores para dificultar o Corinthians. Ralf e Renê Júnior pouco avançavam, pareciam tímidos para auxiliar o quarteto da frente. Era um jogo disputado, com ideias travadas de parte a parte. Mas ruim. Sem uma finalização clara de gol. Tudo indicava que terminaria por aí. Até um vacilo. Um descuido da até então bem postada zaga tricolor. Ayrton Lucas avançou. A bola chegou a Romero em suas costas pela primeira vez e Frazan deixou a defesa para dar o bote. O primeiro cruzamento foi mal rebatido por Gum e voltou a Romero. Na dança sobre Frazan, o cruzamento saiu bem batido e Rodriguinho, baixinho, aproveitou o espaço de Gum e se antecipou de cabeça. 1 a 0. Aos 45 minutos.

Flu de início: fechado com cinco homens, lados bloqueados

O golpe do eficiente Corithians convenceu Abel a soltar mais o Fluminense desde o início da segunda etapa. Desfazer o bloco de cinco defensores. Ou seja, liberar Ayrton Lucas e Gilberto. Sornoza e Pablo Dyego adiantaram e o time voltou ao 3-4-3 usual de 2018. Carille jogou Mateus Vital à direita, tentando explorar as subidas de Ayrton Lucas. Romero passou à esquerda, Clayton centralizou. Mas o Fluminense foi quem encorpou. Com o time adiantado, passou a pressionar mais a saída de bola corintiana e Pedro, tímido no primeiro tempo, teve mais companhia. A blitz inicial resultou em um lateral. Gum deu casquinha, Pedro, dentro da área, tocou de cabeça para Richard, na cara de Cássio, tocar para o gol. 1 a 1. Em minutos. Um Fluminense antenado, competitivo. Lembrou o time que massacrou o Botafogo na final da Taça Rio.

Ao fim: Corinthians no 4-1-4-1, em busca do gol salvador

Fazia girar a bola e era objetivo. Arriscava o segundo gol. Ayrton Lucas recebeu bola de Sornoza, se livrou de Fagner e bateu cruzado, muito rente à trave esquerda de Cássio. Em seguida, Sornoza cobrou falta na frente da área e o goleiro corintiano espalmou. Carille sentiu o adversário concentrado, acuando seu time, farejando gol. Faltava presença de área, velocidade. Emerson Sheik era o nome. Em cinco minutos, saíram Mateus Vital e Renê Júnior para as entradas de Sheik e Maycon. O time adaptou ao 4-1-4-1. Segurou os avanços dos volantes tricolores, preocupados com o ataque em bloco, e preocupou os zagueiros com as alternâncias entre Sheik e Rodriguinho na área. Equilibrou as ações.

Cartada final de Abel: Marcos Junior para preencher o ataque

Abel tentou responder sacando Pedro e colocando o estreante João Carlos, grandalhão ex-Cabofriense. Novato num jogo de grande porte, o jogador entrou fora de sintonia, prendendo menos a bola. Carille lançou o talentoso e rápido Pedrinho na vaga de Romero. Queria velocidade, trocar golpes, aproveitas as costas dos alas tricolores. Iniciar por dentro para ir às pontas. O Fluminense fazia a leitura correta. Mas, de novo, descuidou-se por um instante. E contra o Corinthians é fatal. Maycon recebeu por dentro e devolveu em Sheik, disparado pela esquerda atrás de Renato Chaves e com Gilberto longe. O cruzamento no limite era o único recurso possível a tamanha velocidade. A zaga tricolor acompanhou o movimento da bola e Rodriguinho, com dois passos para trás, apareceu como um legítimo centroavante para bater sozinho, de canhota, no contrapé de Julio Cesar. 2 a 1.

Nos cinco minutos restantes, Abel sacou Renato Chaves e montou um 4-4-2 para povoar mais o ataque. Em vão. Em apenas dois descuidos, o primeiro jogou tricolor no Campeonato Brasileiro escorreu pelos dedos. Um time que se comportou bem na maior parte do jogo, teve o dobro de finalizações corretas do que o rival (4 a 2), mas permitiu ao Corinthians apresentar toda sua eficiência, característica marcante de 2017. Com dois descuidos. Há dúvidas sobre qual campeonato o Fluminense irá disputar em 2018. O primeiro jogo alertou: mesmo com atuação até boa, com esse descuidos em momentos-chave a briga será na parte baixa.

FICHA TÉCNICA
CORINTHIANS 2X1 FLUMINENSE

Local: Arena Corinthians
Data: 15 de abril de 2018
Horário: 16h
Árbitro: Anderson Daronco (RS)
Público e renda: 28.777 pagantes / R$ 1.372.018,07
Cartões Amarelos:
Gols: Rodriguinho (COR), aos 45 minutos do primeiro tempo e Richard (FLU), aos três minutos e Rodriguinho (COR), aos 41 minutos do segundo tempo

CORINTHIANS: Cássio; Fagner, Balbuena, Henrique e Sidcley; Ralf e Renê Júnior (Maycon, 25’/2T); Mateus Vital (Emerson, 22’/2T), Clayson e Romero (Pedrinho, 33’/2T); Rodriguinho
Técnico: Fábio Carille

FLUMINENSE: Júlio César; Renato Chaves (Marcos Junior, 43’/2T), Gum e Ibañez (Frazan, 23’/1T); Gilberto, Richard, Jadson e Ayrton Lucas; Sornoza, Pablo Dyego e Pedro (João Carlos, 30’/2T)
Técnico: Abel Braga