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Em quase um mês, nada mudou: na volta à elite, Vasco ganha um choque de realidade

Vasco Douglas estreia Brasileiro 2017

Douglas de novo foi o destaque em meio ao caos total do Vasco

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Douglas de novo foi o destaque em meio ao caos total do Vasco

Foram cerca de vinte dias para o Vasco se acalmar, preparar tática e fisicamente o elenco, reorganizar a rota da temporada e encorpar para o Campeonato Brasileiro desde a queda no Carioca. No baile de 3 a 0 para o Fluminense ficara claro que a distância para times da elite do futebol nacional era enorme. Praticamente nada mudou. Massacrado com um 4 a 0 pelo Palmeiras em seu retorno à Primeira Divisão, o Vasco levou um choque de realidade.

Na semana que antecedeu o confronto foi possível ouvir vozes otimistas de São Januário, cogitando até uma vitória diante do atual campeão depois da preparação. Um contraste que seria grande demais em menos de um mês. Não há mágica. Milton Mendes cogitou o 3-6-1 e desistiu. Entrou em capo mesmo com o 4-2-3-1 utilizado no Campeonato Carioca, que deixou o time mais organizado do a equipe desagrupada de Cristóvão Borges, embora ainda frágil. Em vez de Andrezinho na ponta esquerda, o jovem Matheus Vital. Nenê pelo meio e Luis Fabiano à frente. A ilusão durou quatro minutos.

Vasco no primeiro tempo: 4-2-3-1

Foi o tempo suficiente para Jomar derrubar Dudu dentro da grande área. Mais um minuto, Jean cobrou bem e abriu 1 a 0 no marcador. Foi um começo desesperador para os vascaínos. No berro da torcida do Allianz, o time voltou ao jogo à Cuca. Correria extrema, abafa na saída de bola do adversário, Dudu e Willian infernais pelas pontas, Borja trombando com Rafael Marques e Jomar. E picotando qualquer tentativa rival com faltas seguidas. Mas, surpreendentemente, o Vasco baixou o nervosismo e passou a tocar a bola, mantê-la mais em seus pés. Traiçoeiro e cascudo, o Palmeiras deu campo. Parecia uma brincadeira. Havia o limite da grande área palmeirense, quando Felipe Melo e Tchê Tchê tentavam o bote para esticar compridas na velocidade de Dudu e Willian.

Muito em função da boa atuação de Douglas, o Vasco conseguiu igualar forças. Cabia o jovem volante buscar a bola atrás e avançar pelo meio, buscando tabelas com Nenê e Pikachu, tentando explorar as costas de Zé Roberto. O volante criou quatro chances, uma em cobrança de falta, outra em chute de longe, a terceira em passe para Nenê, que chutou por cima, na grande área.A quarta em passe para Pikachu, que invadiu a área pela direita e bateu em cima de Prass. Naturalmente, o Vasco se empolgou, adiantou a marcação e plantou mais no campo palmeirense. Erro fatal quando se tem dois zagueiros tão abaixo tecnicamente.

Vasco ao fim da partida: retraído

Cuca já fizera uma mudança. Percebeu a avenida nas costas de Matheus Vital e Henrique. Alternou, então, Tchê Tchê com Jean, do meio para a lateral para aproveitar. O primeiro lançou o segundo nas costas de lateral-esquerdo, Jean também não acompanhou e o chute veio cruzado. Martín Silva espalmou e, com tanto espaço, Guerra escolheu onde chutar. A bola ainda bateu em Gilberto antes de entrar. Em seugida, Douglas mandou uma bola na trave, ao perder chance diante de Prass. Mas não adiantava mais. A ilusão vascaína fora reduzida a pó. O time igualara forças, tivera chances, mas saiu derrotado por 2 a 0 diante de um Palmeiras muito eficiente, como em 2016.

A preocupação no segundo tempo deveria, primordialmente, ser evitar um desastre que abalaria qualquer confiança para a sequência da competição. Não deu nem tempo. Com segundos, lá estava Tchê Tchê de novo pela direita. Num corte seco, ele trouxe a bola para a perna esquerda e cruzou na área, onde Borja, sozinho no meio de Rafael Marques e Jomar, tocou de cabeça para o fundo da rede. 3 a 0. O pesadelo já era real. Milton Mendes coçou a cabeça, tentou enxergar possibilidades. Sacou Jean, volante, para a entrada de Paulo Vitor, meia-atacante. Pikachu passou ao meio. Era já um 4-4-2, com Nenê aproximando de Luis Fabiano à frente.

Mas o Palmeiras já era dono inteiro do jogo, em caráter irreversível. Cuca sacou Willian, pôs Fabiano e devolveu Tchê Tchê ao meio com Felipe Melo e Jean. Dudu passou a alternar lados. Pela direita, pedalou diante de um atormentado Jomar, que não resistiu e o derrubou na área. Pênalti bem cobrado por Borja, ampliando a agonia vascaína e o explodir da festa da torcida palmeirense, de novo em êxtase como em 2016. A partir daí, o Vasco se retraiu em um 4-5-1, já desanimado. O choque era assimilado aos poucos, como em uma boa anestesia. Quase um mês se passou e o Vasco, mais uma vez, levou o baile. Começou o Brasileiro na lona. Precisa, urgentemente, de zagueiros titulares após as saídas de Luan e Rodrigo. A tarefa, agora, é minimizar danos diante de equipes poderosas, como o Palmeiras. A briga será, mesmo, na parte de baixo da tabela. Que choque de realidade.

FICHA TÉCNICA:
PALMEIRAS 4X0 VASCO

Local: Allianz Parque, em São Paulo (SP)
Data: 14 de maio de 2017
Horário: 19h30
Árbitro: Rodolpho Toski Marques (PR – Fifa)
Público e renda: 33.425 pagantes / R$ 2.109.685,00
Cartões amarelos: Douglas e Jomar (VAS)
Gols: Jean (PAL), aos cinco minutos e Guerra (PAL), aos 40 minutos do primeiro tempo; Borja (PAL), aos 30 segundos e aos 34 minutos do segundo tempo

VASCO: Martín Silva; Gilberto (Bruno Gallo, 25’/2T), Rafael Marques, Jomar e Henrique; Jean (Paulo Vitor, 11’/2T) e Douglas; Yago Pikachu, Nenê e Matheus Vital; Luis Fabiano (Kelvin, 16’/2T)
Técnico: Milton Mendes

PALMEIRAS: Fernando Prass; Jean, Mina, Edu Dracena e Zé Roberto; Felipe Melo e Tchê Tchê; Willian (Fabiano, 19’/2T), Guerra (Roger Guedes, 26’/2T) e Dudu (Keno, 36’/2T); Borja
Técnico: Cuca

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