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A Estrela em um caminho cada vez mais solitário

Carlos Eduardo Pereira Botafogo 2017

Carlos Eduardo Pereira, presidente do Botafogo, em evento no início de 2017

Carlos Eduardo Pereira Botafogo 2017

Carlos Eduardo Pereira, presidente do Botafogo: caminho das rusgas que deixam o futebol carioca ainda mais combalido

Ainda que soe sem sentido dentro de um mundo de razoável bom senso, tem todo direito o Botafogo de desejar que o rival Flamengo não jogue em um estádio sob sua administração. Desde 2007, o Estádio Nilton Santos, o popular Engenhão, está sob a batuta da diretoria de General Severiano. Cabe a ela gerir o local, arcar com suas despesas e utilizá-lo, dentro das regras da concessão, como bem entender. Mas o caminho de rusgas escolhido por Carlos Eduardo Pereira, presidente do Glorioso, atinge em cheio a possibilidade de união dos quatro grandes clubes cariocas. O mandatário indica o caminho da solidão.

Perto de seus 60 anos, Carlos Eduardo Pereira assumiu o Botafogo no fim de 2014. Faz trabalho digno, deu mínimas condições a um clube arrasado pela herança maldita de seu antecessor, Maurício Assumpção. O Botafogo de hoje disputa a Libertadores e contrata jogadores como Montillo. Avança. Um mérito inegável que deixaria qualquer torcedor orgulhoso. Mas, apaixonado, Carlos Eduardo decidiu se refugiar em um personagem rancoroso, que escolheu como alvo o rival Flamengo. Além dos campos. Teve estopim na briga judicial com a transferência do volante Willian Arão pelo rival. Do alto de sua competência, o presidente alvinegro deveria deixar a batalha para advogados e tribunais, promovendo o bom fluxo entre os clubes cariocas. Coerência com sua imagem de dirigente aberto ao diálogo e adaptado aos tempos modernos, sem velhas práticas. Mas decidiu levar a questão ao convívio do dia a dia. Campo, negócios, parcerias. Ruim para todos.

Brigas judiciais em transferências de atletas já ocorreram aos montes na história. Leandro Amaral do Vasco para o Fluminense. Claiton, do próprio Botafogo para o Flamengo são exemplos recentes. Polêmicas que praticamente não deixaram rancor. Os clubes são muito maiores do que isso. Ao ser favorável à liminar que mantém a torcida única na decisão da Taça Guanabara faz valer o seu direito, mas fere a tradição carioca de conviver com torcidas mistas em clássicos. Abre a porta para uma decisão que torna o futebol mais pobre, a arquibancada mais triste e indica a falta de diálogo como modelo ideal para um manifestação da sociedade, como o futebol.

Em sua base de argumentos, o Botafogo se apoia na morte de um torcedor alvinegro em meio a brigas no último clássico com o rival, no próprio Engenhão. Um caso grave, de segurança pública, e que deve ser resolvido. Mas perde seu argumento ao admitir que, com torcida única composta por tricolores, o estádio seria liberado para a decisão. Ganha contornos de birra, comportamento inadequado com o cargo que ocupa. Um legítimo porta-voz de um dos grandes clubes brasileiros. Mais do que isso, não cumpre o assinado. Está lá, no artigo 62 do regulamento do Campeonato Carioca: “O estádio Mário Filho (Maracanã) será considerado como campo neutro, assim como o Estádio Nilton Santos (Engenhão), caso não haja possibilidade de utilização do Maracanã”. O Botafogo assinou e, agora, recua.

Ainda que custe aos seus bolsos. Uma decisão da Taça Guanabara no Engenhão encheria os cofres combalidos do Botafogo, dono da maior dívida do futebol brasileiro. A relação comercial saudável daria mais fôlego ao orçamento. Flamengo, Fluminense, Vasco e até a Ferj. Todos de um lado. Ao se portar como um Dom Quixote em busca do moinho rubro-negro, Carlos Eduardo Pereira ganha simpatia de seguidores desconectados da realidade e, por tabela, enfraquece o futebol carioca e o seu Botafogo. Uma Estrela caminha para ser ainda mais solitária.

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