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A fina linha entre Ronaldinho e Neymar

Neymar PSG rindo gargalha

Neymar PSG rindo gargalha

O mundo não era nem de perto como é hoje, totalmente conectado, com informações chegando a cada segundo e com cada pessoa equipada com seu potente smartphone. E, acredite, faz apenas pouco mais de uma década. Ali por 2005 nasceu o Youtube e aquele gol que lembrávamos no bate papo podia se tornar realidade com um simples clique no computador. Era fantástico. Os tempos indicavam que o rei da bola, dominante, era Ronaldinho Gaúcho. As diabruras que ele fazia podiam ser acompanhadas no jogo no telão da redação e depois de algumas horas, talvez no dia seguinte, chegava ao Youtube.

Lembro com clareza que muita gente se juntava em torno de um computador para assistir a um vídeo editado das jogadas geniais do camisa 10 do Barcelona. O sorriso, o domínio da bola, as assistências geniais, golaços. Ronaldinho voava. Todos admiravam. Ninguém o odiava. Não havia sinal de irritação dos adversários. Ele foi aplaudido em pleno Santiago Bernabéu depois de destruir o Real Madrid. Sorriso escancarado, dentes à mostra. Sinônimo de magia. Com leveza. Quem não lembra de passes de costas? Do clássico olhar para um lado e tocar para o outro? Houve também os três chapeus seguidos em um jogo contra o Bilbao. Ninguém irritado. Todos aplaudiam. Não havia menosprezo. Ronaldinho utilizava a magia como recurso natural. Era evidente. Divertia-se só com a bola entre outros 21 jogadores.

É inevitável lembrar de Ronaldinho quando vemos o que acontece com Neymar ao longo de sua carreira, mas principalmente em seu atual principado no PSG. O craque brasileiro irrita rivais. Passa sinais de menosprezo. Em vez de ser admirado é, muitas vezes, odiado. Não consegue medir o tom. Entre Ronaldinho e Neymar há uma linha fina, bem tênue. É fácil ultrapassá-la. O camisa 10 da Seleção parece não se importar. Coleciona desafetos como dribles e atitudes sem um básica noção do seu entorno. Torna-se antipático. Mas, afinal, é culpa de Neymar? Em grande parte, sim.

Desde o desafio a Dorival Júnior no Santos no início da carreira, passando pela carretilha em um jogador do Bilbao até chegar à brincadeira de retirar a mão após estendê-la ao atleta do Rennes, Neymar permanece firme do outro lado da linha de Ronaldinho. É o jogador que após ser culpado pela Receita Federal pela compra irregular de um Porsche posta foto sentado em cima de uma Ferrari. Parece sempre desafiar, buscar o embate. O tom rancoroso em nada lembra a leveza de Ronaldinho. O reflexo é direto no campo.

Messi também leva pancadas, mas quase nunca devolve com menosprezo nos dribles. É natural, objetivo, genial. Ibrahimovic também já cansou de posar de marrento, mas é envolvido de uma aura folclórica. Zlatan brinca consigo mesmo. Até Cristiano Ronaldo aprendeu a dosar o tom. De odiado por muitos nos tempos de Manchester United, passou a ser admiradíssimo no Real Madrid. Neymar, às vésperas de 26 anos, ainda busca o seu equilíbrio. Tenta evitar despertar ódio e paixão com tanta fúria. Busca uma leveza que os grandes gênios apresentaram para ganhar admiração. Ainda há tempo para entender que entre a postura dele e os dribles de Ronaldinho a linha é muito tênue.

  • Rodrigo OLiveira

    Na Espanha CR7 é vaiado pela própria torcida no Bernabeu. Só não sabe disso quem não assiste todos os jogos do Real Madrid e acompanha a mídia de lá. Quem o defende, isso é verdade, são os jornais Marca e AS de Madrid, que praticamente vivem e se alimentam basicamente de Real Madrid. São parceiros. Mas nas redes sociais e na própria torcida o CR7 é vaiado e muito zoado por sua postura arrogante. Alguém lembra quando ele disse pro Koke, jogador do Atlético de Madrid, que ao contrário dele, Koke, ele era bonito e milionário?
    Isso dentro de campo, com a jogo rolando. As carinhas de nojo que ele fez ha duas semanas quando Zidane o substituiu. Fazendo sinal de silêncio pra TV por filmá-lo sentado no banco. Tudo isso repercute pouco ou quase nada no Brasil, ao contrário de Neymar, que se der um espirro vira capa de jornal aqui no Brasil. E o que dizer de Messi: sim, o argentino teve e tem as suas tretas em campo, demite e contrata técnico pra seleção argentina, convoca e desconvoca jogador. Na argentina se diz que só oga na seleção “os amigos de Messi”. Aqui no Brasil isso não repercute, mas na imprensa argentina sim. E o que dizer do episódio com o bandeirinha brasileiro e os elogios a mãe do mesmo? Nunca vi um gênio do futebol, um crack mundial ser bom moço. Se Neymar rezasse pela cartilha de kaká não seria metade do que é e ganha hoje. Novos tempos. E comparar jogadores de eras, países e culturas diferentes além de ser deplorável é inútil. No mundo acelerado de hoje, 10 anos vira 50. Uma eternidade.

    • Marcos André

      Excepcional resposta. Disse tudo.