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Flamengo supera covardia do Cruzeiro, mas esbarra em calo conhecido e amarga Maracanã

O gosto amargo do empate sofrido no fim não pode se tornar um dissabor a ponto de embaçar os olhos rubro-negros. No 1 a 1 do Maracanã, o Flamengo sem seu principal jogador, Guerrero, foi amplamente melhor no primeiro confronto da decisão da Copa do Brasil. Superou a covardia de um Cruzeiro excessivamente retraído mesmo em plena final e só não deixou o campo com a vitória por esbarrar em calos já conhecidos ao longo da trajetória de 2017. De novo, um goleiro falhou. Desta vez, Thiago. Há margem de crescimento para o jogo de volta, no Mineirão. Há esperança palpável em busca do tetracampeonato.

A poucas horas do jogo a notícia de que Márcio Araújo voltaria ao time titular pegou todos de surpresa. Confirmada a informação antecipada pelo repórter Raphael Zarko, do Globoesporte.com, Rueda também elucidou dois mistérios: Lucas Paquetá jogaria no ataque, Thiago no gol. No 4-2-3-1, o Flamengo esperava um Cruzeiro retraído no Maracanã com 66 mil vozes. Pois como quem quisesse responder o pulsar do estádio, o time de Mano Menezes se lançou logo ao ataque, com uma rápida escapada de Alisson pela esquerda. Conseguiu dois escanteios. E deu passos para trás.

Fla no primeiro tempo: Paquetá e Arão destaques

Cedeu campo ao Flamengo em busca do contra-ataque, como esperado. O time rubro-negro tinha o apoio da torcida e maior volume. Tentava trabalhar a bola de um lado para o outro, pois a mudança era drástica no meio: Márcio Araújo não se apresentava para receber a pelota e sair ao jogo. O início da jogada se dava com os zagueiros, que invariavelmente acionavam os laterais. O Flamengo buscava o desafogo nas pontas, principalmente pelo lado direito, com Berrío em cima de Diogo Barbosa. Entre pedaladas e dribles tortos, o colombiano tentava levar algum perigo. O jogo tinha contornos de equilíbrio.

Nos 20 primeiros minutos, o Cruzeiro se manteve claramente no 4-2-3-1, com Thiago Neves tentando trabalhar o jogo por dentro e dar velocidade com a bola dominada. Mas Sobis, o homem de frente, era nulo, com pouca movimentação. Recebia o bloqueio imediato de zagueiros ou volantes e proporcionava contra-ataques. Diego, ao cair pela esquerda, lançou Berrío dentro da área e quase assustou Fábio. Era um movimento ensaiado. Paquetá saía da frente, voltava ao meio e um dos pontas tentava preencher seu espaço para confundir a marcação. Buscava fazer o pivô, como Guerrero. Fez um bom jogo, mas claro que o peruano fazia muita falta. Por 20 minutos, o Cruzeiro conseguiu entender como o jogo funcionava. A partir daí, se perdeu. E recuou. Até demais.

Cruzeiro: preocupado em se defender

Fechou-se em um 4-4-2 em busca de um contra-ataque que não existia. Pois o Flamengo tinha posse e abafava, trocava bolas de um lado para o outro. Mas, claro, encontrava problemas. Sem Cuellar para começar o jogo, Diego novamente passou a retornar antes do meio de campo. Em um passe errado, o contra-ataque só não foi perigoso porque Alisson foi displicente. Mas o camisa 35 buscava alternativas. A melhor delas era cair para esquerda e abrir o meio para a entrada de Arão, em grande noite.

Em uma dessas, ele lançou o volante na área, que cabeceou e só não abriu o placar graças a Fábio. O Flamengo era melhor. Bem melhor. Os laterais estavam mais soltos do que em outros jogos sob o comando de Rueda. Muito em conta de um Cruzeiro covarde. Um panorama de quase 60% de posse de bola rubro-negra que Mano Menezes preferiu manter para o segundo tempo.

Já com a leitura de jogo da primeira etapa, o time rubro-negro se adiantou ainda mais. Passou a forçar o jogo quase exclusivamente em cima de Diogo Barbosa pelo lado direito. Sonhava, talvez, com um novo drible tirado da cartola por Berrío. Mas ao subir com Rodinei e o colombiano tantas vezes, deixou um espaço na defesa não encontrado pelo Cruzeiro no primeiro tempo.

Fla ao fim: jogo nas pontas

Por ali, Diogo Barbosa lançou Alisson, que concluiu e só não marcou porque Thiago, rápido, fez uma bela defesa à queima-roupa. Seria uma das duas chances reais de gol do Cruzeiro na partida. Rueda percebeu que se quisesse apostar na direita deveria se preocupar também em resguardar a defesa. Fez a troca. E o Flamengo girou o posicionamento de três jogadores. Vinicius Junior entrou na esquerda, Pará saiu da lateral esquerda para ocupar a vaga de Rodinei na direita. Evertou virou lateral esquerdo. Uma tentativa de manter a solidez na defesa e atacar pelos dois lados. Mano respondeu com Raniel no lugar do inoperante Sobis.

O Flamengo continuou superior. Usando as pontas, no entanto, abusou dos cruzamentos, embora vários fossem rasteiros e assustassem a defesa cruzeirense. A clareada no jogo, mesmo, ocorreu com uma substituição que poderia ter ocorrido desde o início: Cuellar na vaga de Márcio Araújo. A mudança é clara. O colombiano se apresenta para o jogo e auxilia os companheiros. Cai pelos dois lados do campo e, quando necessário, utiliza o drible para avançar o jogo. Claro, o time subiu um degrau em uma atução já controlada. E Fábio começou a dar as credenciais do grande goleiro que é. Em qualquer arremate do time rubro-negro, o goleiro se avolumava.

Cruzeiro ao fim: contra-ataques

Só não impediu o gol porque Paquetá estava em posição de impedimento após o chute de Réver resvalar em Arão e encontrar as mãos de Fábio. No rebote, o garoto, já esgotado com o esforço físico, tocou para o gol e fez o Maracanã explodir. E o Flamengo, então, não soube lidar com a vantagem em uma decisão e raciocinar como mantê-la. Pareceu entorpecido pelo pulsar do Maracanã. Buscou o segundo gol antes de pensar em manter a vantagem. Correu desorganizadamente e deu alguns espaços. Em um deles, Hudson sozinho para ajeitar a bola e finalizar em frente à área.

O chute era despretensioso. Thiago tentou encaixar a bola e deixou que ela tocasse o joelho direito, dando rebote em falha clamorosa. Um chute de fácil defesa que se tornou a chance mais clara de gol para o Cruzeiro. No embalo da corrida, Arrascaeta, a arma de Mano no lugar de Thiago Neves, apareceu diante do gol vazio para tocar para a rede e emudecer o Maracanã a menos de dez minutos para o fim. 1 a 1.

A falha de Thiago enterrou não apenas o próprio goleiro como o time rubro-negro. Gabriel já entrara na vaga de Paquetá, mas era nulo. Espaçado e desorganizado, o Flamengo dependia apenas de Arão para puxar a bola ao ataque. Ofereceu espaços que poderiam ter dado a vitória ao Cruzeiro, em um chute cruzado de Rafinha no fim. O gosto do resultado final amargou a boca de uma noite que o Maracanã, ao menos do lado de dentro, viveu uma grande festa.

Não há motivos para duvidar de uma vitória do Flamengo no Mineirão. Guerrero estará de volta e Cuellar, sem convocações com a Colômbia, deverá ser titular. Há margem para crescimento no padrão de atuação, que foi bom e dominante, com 59% de posse de bola e 14 finalizações, de acordo com o site Footstats. Em casa, caberá ao Cruzeiro utilizar a força da torcida e torcer para Mano mandar a campo um time bem menos covarde do que o que foi dominado no Maracanã.

FICHA TÉCNICA:
FLAMENGO 1X1 CRUZEIRO

Local: Maracanã
Data: 07 de setembro de 2017
Horário: 21h45
Árbitro: Marcelo Aparecido de Souza (SP)
Cartões amarelos: Rafael Sobis, Arrascaeta e Raniel (CRU) e Everton (FLA)
Público e renda: 56.165 pagantes / 66.135 presentes / R$ 7.039.230,00
Gols: Lucas Paquetá, aos 30 minutos e Arrascaeta (CRU), aos 38 minutos do segundo tempo

FLAMENGO: Thiago; Rodinei (Vinicius Junior, 14’/2T), Rever, Juan e Pará; Márcio Araújo (Cuellar, 21’/2T)e Willian Arão; Berrío, Diego e Everton; Lucas Paquetá (Gabriel, 36’/2T)
Técnico: Reinaldo Rueda

CRUZEIRO: Fábio; Ezequiel, Léo, Murilo e Diogo Barbosa; Henrique e Hudson; Robinho, Thiago Neves (Arrascaeta, 34’/2T) e Alisson (Rafinha, 28’/2T); Rafael Sobis (Raniel, 13’/2T)
Técnico: Mano Menezes