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Goleada traiçoeira: com futebol abaixo e rival frágil, um Fla de poucas alternativas

Leandro Damião Flamengo 2017 Palestino Sul-Americana gol

Everton Ribeiro primeiro gol Flamengo Palestino 2017

Não há como observar o confronto do Flamengo na Copa Sul-Americana sem destacar a fragilidade técnica do rival. O Palestino algoz de 2016 já era fraco. Neste ano, consegue ser ainda pior. Sim, os rubro-negros fizeram o dever de casa, golearam por 5 a 2 e está em situação mais do que tranquila para o jogo de volta. Mas sofrer dois gols e ter dificuldades em um primeiro tempo que terminou empatado sem gols vale a reflexão. Em que valha a boa notícia de uma boa apresentação de Everton Ribeiro, o Flamengo deve pensar em apresentar variações eficazes para criar e chegar ao gol. Barreiras diante do poderio técnico do time serão cada vez mais frequentes.

A estratégia do primeiro tempo foi preocupante. O futebol foi pobre. Vá lá, a equipe recheada de reservas praticamente não jogara junta uma vez. Mas era um Flamengo completamente árido de ideias, com a conhecida dificuldade para criar boas oportunidades de gol. Após indicar a preferência pelo 4-2-3-1 no minutos iniciais, o time logo se fixou em um 4-4-2. Mas foi curioso. Berrío não utilizava o lado direito para atacar em velocidade. Estava centralizado, ao lado de Leandro Damião. Everton Ribeiro ocupava a direita, mas puxava muito o jogo para o meio. O time ficou torto, pendendo inteiro do centro para a esquerda. Não funcionou.

Fla no primeiro tempo: Berrío perdido

Fora de ritmo, o Palestino indicou um 4-5-1 para tentar ocupar espaços e frear o Flamengo. E fez de Everton Ribeiro sua vítima em potencial. Driblador, o camisa 7 tentava uma, duas e caía no chão após uma pancada. Era intimidado, parado no choque. Mas levantava. Como Arão tentava a infiltração de sempre e parecia se esconder do jogo entre os zagueiros rivais, o Flamengo não fluía no ataque. Dependia de Everton Ribeiro e explorava os cruzamentos, como costumeiramente faz diante de adversários fechados. Foram 24 no primeiro tempo contra seis do rival, de acordo com o site Footstats. Um exagero. O primeiro tempo sofrível terminou sem gols e com quase nenhuma emoção.

Na segunda etapa, Zé Ricardo reajustou o Flamengo ao seu conforto. Mas a variação para o time ter alternativas de criação é mesmo pequena. O Flamengo é um time que, ao atacar, acaba previsível, embora de fato se encontre melhor no 4-2-3-1. Everton Ribeiro posicionou-se mais ao meio, dublando Diego, Berrío pela direita, Everton pela esquerda e Cuellar, primeiro homem à frente da zaga, iniciava o jogo. A abertura do placar com Rever, sem querer, após cobrança de escanteio com um minuto da etapa final, parecia vislumbrar não só a vantagem, como a possibilidade de um jogo de melhor qualidade. Que nada. Em competições sul-americanas, convém duvidar do Flamengo.

Fla ao fim: no conforto do 4-2-3-1

Em dois lances, o Palestino virou a partida. Um chute de fora da área, de Romo, encontrou o gol. Sete minutos depois, o zagueiro Vidal completou, sozinho, cruzamento na entrada da pequena área. Atônito, o Flamengo sofrera a virada. Um escândalo diante de um rival tão fraco. Coube ao time apenas correr. Acelerar o jogo. Bolas enfiadas, tapa na frente. E luta, muita luta. Um jogo nada bonito. Em jogada de autêntica pelada, do bate-rebate, Berrío aumentou. Mais um minuto, Everton dispara pela esquerda e cruza para Damião completar de letra. Revirada.

O 3 a 2 no placar deixou o Palestino entregue. Ainda sem ritmo, em retorno de férias, o time chileno fez o que pôde diante de sua limitação. Zé Ricardo passou a colocar outros nomes em campo. Romulo substituiu Arão, Mancuello entrou na vaga de Berrío. Mais um gol saiu em bola alçada, após escanteio, com Rafael Vaz. Ficou confortável. Rodinei, ao fim, disparou e entregou bola para Everton Ribeiro, que acabou derrubado na área. O próprio camisa 7 cobrou para fechar o placar. 5 a 2 folgado, com 35 cruzamentos ao fim. Diante do fraco Palestino, o bloqueio foi furado com facilidade. Mas houve risco desnecessário. Mesmo reserva, pela qualidade do elenco, o padrão de jogo rubro-negro deve ser melhor. Colecionar mais alternativas.

FICHA TÉCNICA:
PALESTINO 2X5 FLAMENGO

Local: San Carlos de Apoquindo, em Santiago (CHI)
Data: 05 de julho de 2017
Horário: 21h45
Árbitro: Fernando Rapallini (ARG)
Cartão amarelo: Diego Torres (PAL)
Gols: Rever (FLA), a um minuto, Romo (PAL), aos quatro minutos, Vidal (PAL), aos 11 minutos, Berrío (FLA), aos 14 minutos, Leandro Damião (FLA), aos 15 minutos, Rafael Vaz (FLA), aos 36 minutos e e Everton Ribeiro (FLA), aos 43 minutos do segundo tempo

PALESTINO: Darío Melo, Romo (Rosende, 23’/2T), Toro, Vidal e Diego Torres: Cereceda; Diego Gutiérrez, Fernández e Alan Arario (Tapia, 36’/2T); Pinto (Carmona / Intervalo) e Gutiérrez
Técnico: Germán Cavallieri

FLAMENGO: Thiago; Rodinei, Rever, Rafael Vaz e Renê; Cuellar, Willian Arão (Romulo, 25’/2T), Everton e Everton Ribeiro; Berrío (Mancuello, 36’/2T) e Leandro Damião (Felipe Vizeu, 39’/2T)
Técnico: Zé Ricardo