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Há 18 anos, Fla tirou a invencibilidade do líder Corinthians em SP com show de Romário

O confronto entre Corinthians e Flamengo já enche de expectativa o futebol brasileiro. O líder invicto vai receber um postulante ao título em casa. Clubes de maiores torcidas do país prontos para o duelo em São Paulo. Este panorama vale para o próximo domingo, mas poderia perfeitamente ser a descrição do que cercava o confronto entre as equipes há quase 18 anos, pelo Campeonato Brasileiro de 1999. Na ocasião, deu Flamengo com um show à parte de Romário.

O palco estava preparado para a festa corintiana. Primeiro de setembro de 1999, aniversário de 89 anos do clube. Líder absoluto do Campeonato Brasileiro, o Timão de Luizão, Rincón, Marcelinho Carioca, Edilson, Dida, Vampeta e Ricardinho era arrasador na busca pelo bicampeonato consecutivo. Em sete rodadas, sete vitórias, com 23 gols marcados. Era o favorito, sem sombra de dúvidas. E estava engasgado com o rival. No Torneio Rio-SP, cinco meses antes, no mesmo Pacaembu, o time perdera para o Flamengo por inapeláveis 3 a 0, com o primeiro show de Romário, que marcou duas vezes. Um deles, o famoso gol do elástico sobre Amaral. O time falava sobre a sede de vingança abertamente.

“Até hoje não nos esquecemos daquele jogo. A gente estava voltando das férias, eu fazia o primeiro jogo no ano e no final a torcida invadiu o gramado. Aquilo ficou atravessado. Chegou a hora de darmos o troco”, disse o Capetinha Edilson, que no ano seguinte se transferiria para o Flamengo.

A vitória rubro-negra no Rio-SP gerou a demissão do técnico Oswaldo de Oliveira e a contratação de Evaristo de Macedo. O Flamengo conquistou o Campeonato Carioca sobre o Vasco e vinha de campanha desequilibrada, com quatro vitórias e três derrotas nas sete primeiras rodadas. O time tinha jogadores experientes além de Romário. O meia Beto, o goleiro Clemer, o volante Leandro Ávila e boas novidades como o lateral-esquerdo Athirson e os zagueiros Fabão e Luiz Alberto. O técnico era Carlinhos, o Violino. Em uma época de menor controle sobre as declarações, os rubro-negros não tinham papas na língua.

“Fomos lá dentro do Pacaembu e sapecamos três gols. Com jeitinho, vamos tirar a virgindade deles”, disse o sempre irreverente meia Beto.

O jogo chegou e, com ele, tudo como o esperado. Um gol de Luizão aos cinco minutos indicou que a noite era corintiana. Mas não contavam com o velho carrasco corintiano, Romário. Em noite endiabrada, o Baixinho foi decisivo como sempre. Aos 27 minutos de jogo, ele recebeu passe de Beto dentro da área, matou no peito, girou e chutou seco, no canto direito de Dida. 1 a 1 que durou sete minutos. De novo, Beto. Na ponta esquerda, o camisa 7 ajeitou a bola e cruzou de trivela para a grande área. No meio dos zagueiros, surgiu Romário, testando no canto esquerdo de Dida. 2 a 1.

O resultado foi garantido também em ótima noite de Clemer, que defendeu uma bola cara a cara de Edilson e ainda um pênalti cobrado por Luizão, aos dez minutos do segundo tempo. A invencibilidade corintiana chegara ao fim, impedindo o time de alcançar o recorde do Atlético-MG de 1977, com oito vitórias nos oito primeiros jogos do Campeonato Brasileiro de 1977. Uma noite feliz para os rubro-negros e Romário e triste para os corintianos.

No fim da competição, no entanto, os sentimentos foram inversos. Romário entrou em rota de colisão com a diretoria rubro-negra já durante uma boa arrancada no turno. A briga com o superintendente de futebol, Gilmar Rinaldi, criou rusgas e, no fim do ano, com o time eliminado, o camisa 11 acabou demitido. No âmbito internacional, no entanto, houve alegria com a conquista da Copa Mercosul sobre o Palmeiras. O Corinthians, por sua vez, enfileirou o segundo título nacional, o terceiro de sua História, diante do Atlético-MG.

FICHA TÉCNICA:
CORINTHIANS 1X2 FLAMENGO

Local: Pacaembu
Data: 1 de setembro de 1999
Horário: 21h45
Árbitro: Luciano Augusto Almeida (DF)
Cartões amarelos: César Prates, Nenê e Rincón (COR) e Clemer, Romário, Athirson e Luiz Alberto (FLA)

CORINTHIANS: Dida, César Prates, João Carlos, Nenê e Augusto; Vampeta, Rincón, Luiz Mário (Edu) e Ricardinho; Edilson e Luizão (Fernando Baiano)
Técnico: Evaristo de Macedo

FLAMENGO: Clemer; Pimentel, Fabão, Luiz Alberto e Athirson; Jorginho, Leandro Ávila, Fábio Baiano (Maurinho) e Beto (Léo Inácio); Leandro Machado (Marcelo) e Romário
Técnico: Carlinhos