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Imponente, Fla dá as cartas, vence Vasco e mostra estar em patamar superior

Diego Flamengo Vasco 2017

Diego comemora o seu gol contra o Vasco, de pênalti

Berrío Wagner Flamengo Vasco 2017

Berrío passa por Wagner durante a semifinal da Taça Guanabara: Flamengo atropelou o rival e perdeu grandes chances

“Segura a bola, segura a bola!”. Os gritos, fáceis de ouvir, eram de Cristóvão Borges com dois minutos do segundo tempo na semifinal da Taça Guanabara. Indicavam a ânsia do técnico diante de um rival com uma ideia de jogo definida, priorizando a posse, organizado e que foi sempre superior. Foi um Flamengo maduro que bateu o Vasco por 1 a 0, em Volta Redonda, encerrou o jejum de nove jogos sem derrotar o rival e avançou à final da Taça Guanabara. Um clássico esvaziado na arquibancada e que demonstrou, em campo, rivais em diferentes níveis.

Escalação Flamengo 2017

Início de jogo do Fla no 4-2-3-1

Não apenas tecnicamente. Taticamente, o Flamengo forçou Cristóvão a implorar ao time para manter a posse na etapa final. Isso porque, no primeiro tempo, os rubro-negros comandaram o jogo. Ainda que os dois times estivessem em um 4-2-3-1, o Vasco decidiu deixar a bola com o adversário, como se reconhecesse a sua superioridade, tentando esquentar a temperatura do jogo e dar um bote em busca de um contra-ataque feroz. AS pontas, no entanto, eram pouco acionadas e o time concentrava pelo meio, facilitando a marcação do Flamengo. E o tom subiu. O Vasco bateu e o Flamengo devolveu, o que tornou o jogo, em grande parte no início, pegado até demais. Faltas duras, carrinhos, empurrões, troca de dedos nos rostos. Era um clássico com pilha e rivalidade. Pouco jogado.

Vasco escalação semifinal Taça Guanabra 2017

Vasco no início do clássico no Raulino

Com amarelos distribuídos pelo árbitro – foram seis só no primeiro tempo – a turma teve de se acalmar e tentou jogar bola. O Flamengo tinha seus volantes, Romulo e Willian Arão, em grande tarde, trocava passes, girava o jogo com Diego e acionava Everton com velocidade pela esquerda. O Vasco rifava a bola e esperava, esperava e, assim que surgia uma oportunidade, disparava pelo lado direito com Gilberto e, principalmente, Kelvin, que deu bom chute para defesa de Muralha. Trauco teve dificuldades para segurar algumas investidas. E o Vasco também tentava utilizar os cruzamentos. Mas Rever e Rafael Vaz eram difíceis de bater. Mancuello, sumido pelo lado direito, saiu lesionado para a entrada de Gabriel no fim do primeiro tempo. Um minuto depois, Luan derrubou Everton na área e Diego transformou a superioridade em campo em pênalti bem cobrado. 1 a 0.

Flamengo Vasco semifinal Taça Guanabara

Flamengo no segundo tempo da partida

No segundo tempo, os times voltaram com a mesmas escalações. Cristóvão, claramente, pedira ao Vasco para adiantar a marcação, pressionar o adversário e, assim, que roubasse a bola, manter a posse. Mas o trabalho já bem estabelecido de Zé Ricardo do outro lado impedia a estratégia de dar certo. Guerrero dava o combate na frente, Diego se aproximava, os volantes também buscavam com auxílio dos pontas que a bola assim que ela era perdida. O Vasco, claramente, estava se esfacelando. Daí os gritos de Cristóvão de “Segura a bola!”. Diante disso, ele tentou a primeira cartada. Sacou um volante, Douglas, recuou Wagner, inoperante pelo lado esquerdo, jogou Kelvin para a esquerda e colocou Guilherme Costa pela direita, buscando mais vitalidade. Não deu certo. Gritos de burro surgiram na arquibancada. O Flamengo estava à vontade no campo e teve mais espaço pelo meio, por onde chegou com infiltrações, triangulações. A bola era rubro-negra. Guerrero recebeu de Diego, fez o pivô e de primeira tocou para Arão, dentro da área, que bateu para fora, perdendo gol feito. Flamengo superior, mais bem postado na frente e atrás. Era muito para quem já tinha a vantagem do empate no bolso.

Vasco Flamengo segundo tempo

Vasco no segundo tempo do clássico

Zé Ricardo viu a brecha para aumentar o placar. Colocou Berrío em campo, no lugar do esgotado Everton. Gabriel saiu para o lado esquerdo e o Flamengo trocava passes apenas para achar um espaço e acionar Berrío. Ficou fácil. Em um desses lances, o colombiano disparou pela esquerda em contra-ataque e derrubou o marcador, Wagner, de maneira tragicômica. Romulo quase marcou por cobertura. Diego encostava com facilidade na área, chegou a colocar uma bola na trave. Cristóvão respondeu com Escudero no meio e Muriqui no lado esquerdo nas vagas de Kelvin e Wagner. Pouco adiantou.

Exausto, o Vasco mostrou ser um time sem capacidade de organização para inverter um quadro desfavorável. Meio aberto, pontas que não conseguiam marcar nem atacar. Um trabalho ainda no início, com longo caminho a percorrer. E o time na roda de um Flamengo imponente, com alternativas, plenamente consciente do necessário para envolver o rival e que controlou o jogo como quis. Reduziu e acelerou a velocidade. Pareceu encerrar a partida ainda com fôlego no bolso. Sem desespero, superou a guerra psicológica, mostrou estar em um patamar acima, encerrou um incômodo jejum e virou finalista com seis vitórias em seis jogos. Maduro, este Flamengo.

FICHA TÉCNICA:
FLAMENGO 1X0 VASCO

Local: Estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda (RJ)
Data: 25 de fevereiro de 2017
Horário: 17h
Árbitro: Leonardo Garcia Cavaleiro
Público e renda: 5.484 pagantes / 6.979 presentes / R$ 309.130,00
Cartões amarelos: Luan, Kelvin, Rodrigo e Jean (VAS) Trauco, Mancuello e Pará (FLA)
Gol: Diego (FLA), aos 40 minutos do primeiro tempo.

FLAMENGO: Alex Muralha; Pará, Rever, Rafael Vaz e Trauco; Rômulo e Willian Arão; Mancuello (Gabriel 38’/1T), Diego e Everton (Berrío 12’/2T); Guerrero (Vizeu 42’/2T)
Técnico: Zé Ricardo

VASCO: Martín Silva; Gilberto, Rodrigo, Luan e Henrique; Douglas (Guilherme Costa 11’/2T) e Jean; Kelvin (Muriqui 25’/2T), Nenê e Wagner (Escudero 25’/2T); Thalles
Técnico: Cristóvão Borges

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