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A incrível – e longa – saga em busca de uma camisa do Oxford United

A camisa do Oxford, enfim, em mãos depois de um ano: funcionários do clube deram total apoio na empreitada

Em um texto anterior já abordei como teve início a minha relação com o Oxford United, com histórias como a de mítico Bekamenga. Acabei virando fã do time da Terceira Divisão inglesa, deixando de ser só uma atração no PlayStation 4. Foi bem além. Passei a acompanhar a tabela, torcer pelo acesso e curtir os lances no Youtube. Torcedor bom que se preza, no entanto, vai atrás da camisa do clube, certo? Foi o que pensei. Mas com a cabeça na realidade brasileira, qual seria a possibilidade de conseguir uma camisa de um time que estava, à época, na Quarta Divisão? Yes, we can. Só não imaginei que seria uma verdadeira saga, de mais de um ano, após inúmeras trocas de e-mails, mensagens com os funcionários do clube e resgate em pleno solo britânico.

A tentativa óbvia foi acessar o site do clube em busca da loja virtual. Estava lá. A primeira camisa da temporada 14/15, amarela, com a faixa horizontal azul. Era janeiro de 2015. De madrugada, iPad ligado, cartão em uma mão, tomei coragem. O preço? 74,95 libras pela camisa, algo que beirava os R$ 320 na época. Achei caro, mas fantástico. O Oxford United, assim como vários outros clubes de divisões inferiores da Inglaterra, é bem organizado. Tem estádio próprio, o Kassam Stadium, produtos licenciados, vende carnês de ingressos para a temporada com frequência. Mesmo na Quarta Divisão. Um choque para quem se acostuma a ser maltratado em terras brasilis por clubes da elite. Restava, então, torcer para que a camisa, despachada pelo correio inglês, chegasse em cerca de 30 dias ao Rio de Janeiro.

A espera foi longa. Mas mal sabia que estava apenas começando. 30 dias, nada. 45, nada. Resolvi ser paciente e esticar a corda até dois meses de espera. Absolutamente nada. Catei o e-mail de contato da loja e enviei. No dia seguinte, a resposta da gerente da loja, Lucy Townsend. A camisa fora enviada. Número 27, com o nome de Barnett gravado às costas. Expliquei, então, que poderia ter extraviado. Tentei contato com os correios, ninguém conseguiu ajudar. Não havia um código localizador no despacho. Recebi dicas de que poderia estar no “buraco negro” da Receita Federal em Curitiba. Desanimei. A camisa se perdera no mundo. Lucy tentou ajudar.

Hylton, camisa 10 nas costas do manto

Prestativa, disse que despacharia outra camisa, sem custo. Incrível a boa fé. Estava eu, a milhares de quilômetros de distância de Oxford, garantindo que não recebera o produto. Não houve um questionamento, um pedido de prova. Nada. Bastou a minha palavra em um e-mail e lá estava a outra camisa pronta para atravessar o Atlântico. Mas, de novo, deu tudo errado. A outra camisa também desapareceu. 30, 60, 90 dias. Nada. Desanimei de vez. Já era, tentei me acostumar. Um ano depois (isso mesmo, um ano!) lembrei da camisa comprada e não recebida. Tentei contato pela página do clube no Facebook. Em duas horas, a resposta. Sim, eles iriam me ajudar. Eu deveria apenas mandar o número do pedido e a Oxford United Club Shop veria o que fazer por mim. Reanimei.

Sarah, a simpática atendente via Facebook, pediu mil desculpas pela “falha na entrega” e garantiu que desta vez resolveria. Recebi um endereço de e-mail para enviar todos os detalhes com a história. Em um dia, o novo gerente da loja, Lee Barton, respondeu. De novo, inúmeros pedidos de desculpas pelo problema. E a promessa: a camisa chegaria a mim de um jeito ou de outro. Havia apenas um problema: o modelo do meu pedido, da temporada anterior, não estava mais disponível, assim como o nome de Barnett, que havia deixado o clube. Escolhi a indumentária da nova temporada, 15/16, com o nome Hylton e o número 10 às costas. Mas como iria receber o item precioso? Tiago Leme, amigo de trabalho e criador do Bora Viajar Agora, iria passar uns dias em Londres, onde já morara. Bingo.

Lee se prontificou a tomar conta pessoalmente do meu caso. Pediu o endereço no qual Tiago estaria hospedado durante a estada em Londres e confirmou a data. No dia 29 de abril de 2016, um ano e três meses depois do meu pedido, uma foto pula no meu Whatsapp. Era a camisa do Oxford United, nas mãos do Tiago. Sim, ela enfim chegaria ao Brasil. Dias depois, cá estava eu com a amarela. O virtual saira para o mundo real. Morei alguns meses em Oxford e sabia que havia um time local, lá pelos idos de 2006. Mas, na época, não me empolgara. Anos depois voltei à cidade em lua de mel, visitando os locais de estudo, os pubs, a boa Corn Market, a Carfax Tower, a Church Street e os arredores de Kidlington, onde ficava a casa da família Middleton, que me acolheu. Mas não comprei a camisa. A paixão pelo clube começou depois. Sim, torcedor que se preza tem uma camisa para chamar de sua. Tive de viver uma saga. Mas valeu a pena.

  • Bora Viajar Agora

    Boa! Camisa foi entregue no aprazível bairro de Bethnal Green… O fim da saga!