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A inversão do novo Maracanã: despesas dobram, lucro cai pela metade

Fla-Flu Maracanã final Carioca 2017 primeiro jogo

Maracanã no primeiro jogo da final do Carioca entre Flamengo e Fluminense no Maracanã

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O futuro quanto à administração do Maracanã ainda é uma incógnita, mas o clube que manda um jogo no estádio atualmente recebe o borderô com uma certeza: o modelo de gestão está longe do ideal. A fome do gigante é grande no campo das finanças e os protagonistas do jogo acabam com uma parcela muito pequena do montante arrecadado. Um choque ainda maior se comparado ao antigo Maracanã, antes da reforma para a Copa do Mundo. Houve uma inversão. As despesas dobraram. O lucro foi reduzido à metade de outrora.

A constatação é fácil. Basta abrir os borderôs das últimas finais de Campeonato Carioca antes do início da reforma do Maracanã, em meados de 2010, e comparar com o último demonstrativo financeiro disponível do estádio, no caso o do Fla-Flu decisivo do último domingo. A renda bruta chegou a R$ 3,2 milhões, mas as despesas atingiram o patamar de R$ 2,16 milhões, ou seja, 66,6%. Aos finalistas o valor restante chegou a pouco mais de R$ 1 milhão, cerca de 32% do total. Justamente o oposto de sete anos atrás.

Pouco mais de 50 mil pessoas encheram o Maracanã para acompanhar a final da Taça Rio entre Botafogo e Flamengo, em abril de 2010. Campeão da Taça Guanabara, o Alvinegro faturou também o segundo turno e acabou campeão carioca. Uma partida, obviamente, decisiva. Da renda de R$ 1,6 milhão, pouco mais de R$ 1 milhão foi dividido entre os finalistas, Botafogo e Flamengo. Uma parcela de 61,8%. Já as despesas chegaram a R$ 602 mil, 35% do total. O valor dos gastos no estádio corrigido pela inflação chegaria a R$ 954 mil. Bem longe dos poucos mais de R$ 2 milhões do domingo.

A proporção se repetiu nos jogos decisivos das finais do Carioca de 2008 e 2009, que receberam público pagante acima dos 70 mil torcedores. O lucro dos clubes atingia cerca de 60% da renda bruta, enquanto as despesas giravam ao redor de 30%. O percentual imutável mesmo de uma década depois é a Taxa Ferj, de 10% da renda bruta tanto em 2008, 2009 e 2010 quanto em 2017.

Antes da reforma do Maracanã, a Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro, a Suderj, era a responsável por administrar o estádio. Em 2010, por exemplo, o órgão recebeu R$ 61.798 da renda de R$ 1,6 milhão. Apenas 3,6% do total. A despesa operacional foi de dez mil. Bem diferente do último Fla-Flu. Atualmente, o Maracanã está sob administração da Odebrecht. No borderô constam inúmeros valores, como aluguel do estádio (R$ 627 mil), custo operacional (R$ 452 mil), custo de infraestrutura (R$ 95 mil) e “contas de consumo” (R$ 160 mil).

2017

Renda: R$ 3.242.130,00
Pagantes: 58.399
Despesas: R$ 2.160.226,85 (66,6%)
Renda líquida: R$ 1.044.036,54 (32,2%)

2010

Renda: R$ 1.677.565,00
Pagantes: 50.303
Despesas: R$ 602.169,20 (35,8%)
Receita líquida: R$ 1.037.756,95 (61,8%)

2009

Renda: R$ 1.989.415,00
Pagantes: 78.393
Despesas: R$ 643.307,49 (32,3%)
Receita líquida: R$ 1.298.993,75 (65,2%)

2008

Renda: R$ 1.715.135,00
Pagantes: 78.716
Despesas: R$ 566.582,60 (33%)
Receita líquida: R$ 1.108.353,07 (64,6%)

  • Agarwaen

    Eficiência da administração pública da Suderj contra a administração privada da Odebrecht.