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A leveza de Milton Mendes

Vasco Milton Mendes 2017

Vasco Milton Mendes 2017

As imagens correram o Brasil e quase dividiram espaço com o capitão Réver, do Flamengo, levantando a taça de campeão carioca. Milton Mendes, técnico do Vasco, posava sorridente para fotos e vídeos em meio a torcedores rubro-negros no Maracanã. Estava ali para acompanhar o Fluminense, rival da terceira rodada do Campeonato Brasileiro, em partida vencida pelos vascaínos neste último sábado. Não foi hostilizado, não reagiu com raiva a ironias. Ignorou qualquer amargura. Abriu um sorriso com a cena inusitada e indicou o básico: é possível conviver com diferenças sem hostilidade. Foi criticado pelos seus. Mal sabem eles quão importante é a postura de Milton Mendes para o Vasco.

O técnico chegou ao clube com a missão de reformular um elenco desgastado após fracassos recentes. Torná-lo competitivo. Evitar um novo rebaixamento. Afastar o tom cinzento que já tomava conta de São Januário. Aos poucos, transforma o ambiente cruzmaltino. Dá leveza na luta que promete ser dura ao longo do ano. Muitos se desarmaram. Ânimos foram apaziguados. E Milton segue sorrindo, mas trabalhando. Certamente tem o aval de Eurico Miranda e sua trupe para tocar em pontos nervosos, como liberar Rodrigo e barrar Nenê. Mas ao escolher flores em vez de armas, ele surpreende e torna o caminho mais fácil. Não trava uma briga silenciosa com grandes estrelas.

Despeja palavras dóceis. Mantém a fala mansa e pausada. Chama Nenê de craque e garante sua permanência diante da clara insatisfação do camisa 10. Ignora o eco das provocações de Rodrigo, já longe na Ponte Preta. Constroi um time de jovens para aproveitar e amansar o quase indomável Luis Fabiano. Uma estratégia além do 4-2-3-1, de extremos com jogo apoiado e compensações. Não é à toa que São Januário esteve lotado como em grandes momentos nos dois jogos em casa no Brasileiro. Sim, há trabalho técnico. O time está rejuvenescido, aguerrido e bem mais organizado. Mas Milton Mendes trabalha dentro e fora de campo.

Neste domingo, esteve em Pernambuco para acompanhar Sport e Grêmio, futuros adversários. Mais uma vez, abriu um sorriso ao ser flagrado. Mesmo de terno, com pinta de estudioso, Milton usa seu passado na Colina para decifrar o enigma do clube nestes tempos modernos. Tenta falar a linguagem do campo e da arquibancada. Deu nova cara ao clube de São Januário. Menos sisuda. Menos cinza. De mansinho, Milton Mendes entregou ao Vasco o que talvez o clube já precisasse há tempos: uma pitada de leveza.

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