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Lições da América: Libertadores mostra lado traiçoeiro, mas Botafogo volta mais cascudo

Sassá gol Barcelona Libertadores 2017

Sassá comemora o seu gol diante do Barcelona-EQU

Camilo Botafogo Barcelona Libertadores 2017

Camilo disputa bola em Guayaquil: meia perdeu pênalti, mas time saiu com um bom resultado do Equador

Não há mais dúvidas sobre a capacidade do Botafogo de encarar de cabeça erguida a Libertadores. Mas há espaço, ainda, para novas experiências ao time de Jair Ventura dentro de uma competição que, vez e outra, lembra a todos por que é tão traiçoeira e difícil. O time carioca deixa Guayaquil com a sensação contraditória de gosto de satisfação pela liderança do grupo e sabor amargo por um empate em 1 a 1 com o Barcelona que poderia, facilmente, ter acabado em goleada. Há lições a levar.

Botafogo no primeiro tempo

Jair Ventura repetiu a estratégia que deu certo diante do Atlético Nacional, em Medellín, na semana anterior. A mesma escalação em um 4-4-2, com Pimpão e Camilo recuando ao meio para formar um bloco de cinco jogadores atrás de Roger quando atacado. A expectativa, claro, era fechar os espaços e sair em contra-ataques fulminantes. Uma ideia na cabeça, outro fato no campo. Com um minutinho, Pimpão disparou pelo lado esquerdo e rolou para Roger, que dominou a pelota, brigou por ela e acabou derrubado por Mena. A bola nem tinha rolado e o Botafogo tinha ali o jogo a seu feitio. Mas…

Quando a Libertadores oferece espaços para aplicar vantagens, convém aproveitar. Camilo, em cobrança ruim, à meia-altura, parou em Banguera. João Paulo, no rebote, fez o mesmo. O placar não foi modificado e a torcida urrou em Guayaquil. O Botafogo, ao contrário dos outros jogos, teve espaço para jogar. E pareceu até surpreso com isso, ao ter de abortar a ideia de se resguardar.

O Barcelona, em um 4-3-3 desorganizado, tinha desvantagem no meio e forçava o jogo com Caicedo pelos lados, principalmente o esquerdo. As saídas alvinegras com Pimpão pela esquerda e Bruno Silva pela direita eram opções certas de ataque. Banguera, de novo, teve de operar milagre em cabeçada de Emerson Silva. Pimpão, no rebote, carimbou a trave. Em seguida, Camilo quase marcou ao sair na cara do goleiro, mas Aimar salvou em cima da linha. Jogo fácil para o Botafogo. Mas placar inalterado. Então a Libertadores ensina.

Em um erro de bote de Emerson Silva e Victor Luis, Alemán tabelou com Álvez e entrou na área, arisco. Com a canhota afiada, deu corte seco em Gatito e tocou para o fundo da rede. 1 a 0. Torneio traiçoeiro. O Botafogo trocava passes, saía em velocidade para o ataque, tinha espaços e era bem superior no jogo. Mas acabou o primeiro tempo derrotado.

No segundo tempo, Jair Ventura entendeu rapidamente que precisava de um estilo mais rompedor no ataque. O jogo não era o pensado no vestiário. Havia espaço para atacar e o time precisaria de mais velocidade do que a presença de área lenta de Roger. Antes, contou com sorte de uma lesão muscular de Caicedo, um desafio que pertubava Emerson Santos na lateral direita. Mas Sassá entrou. Minutos depois, Guilherme também. Pimpão fez o lado direito, Bruno Silva ocupou o centro do substituído Rodrigo Lindoso. Um Botafogo ainda mais agressivo, mandou o recado de que buscaria o empate.

Botafogo no segundo tempo

O Barcelona mostrava um futebol pobre, apostando em correria, sem troca de passes. Parecia saber que era dominado, inferior no jogo. Com a expulsão de Mena por falta em Guilherme, a admissão foi completa. Era, ali, oficial. Em Guayaquil, quem atacava era o Botafogo. Quem se fechava para defender o resultado era o Barcelona. Papeis invertidos, mas que representavam o panorama da partida. O jogo de cada um. O gol de empate não tardaria. Cruzamento de Camilo da esquerda, Arreaga cortou de mão na cara. Novo pênalti para o Botafogo marcado pela corajosa arbitragem do venezuelano Jesús Valenzuela. Sassá cobrou no meio do gol, seguro, e empatou. 1 a 1 no placar. Justiça?

Se assim ocorresse no futebol, o justo seria uma vitória de um Botafogo que teve mais finalizações certas (7 x 4) do que o rival. Criou mais oportunidades diante de um adversário inoperante. Mas não dá para lamentar. O Botafogo atual é, a cada jogo, mais cascudo em Libertadores, superando os obstáculos que tem pela frente. Nesta quinta, ganhou mais uma camada à sua blindagem.

Aprendeu que dominar não significa exatamente vencer. Teve a lógica do jogo de contra-ataque invertida diante de tanto espaço. Adaptou-se. O desempenho foi bom. Mas provou, um pouco, do gosto traiçoeiro da Libertadores. Além de seus domínios, o time de Jair Ventura deixou a aventura em outras terras da América do Sul com a liderança do grupo no bolso. É forte, este Botafogo.

FICHA TÉCNICA:
BARCELONA-EQU 1X1 BOTAFOGO

Local: Monumental de Barcelona, em Guayaquil, no Equador
Data: 20 de abril de 2017
Horário: 21h45
Árbitro: Jesús Valenzuela (Venezuela)
Cartões amarelos: Pineida e Arreaga (BAR) e Emerson Silva, Bruno Silva e João Paulo (BOT)
Cartão vermelho: Mena (BAR), aos 34 minutos do segundo tempo
Gols: Alemán (BAR), aos 31 minutos do primeiro tempo e Sassá (BOT), aos 43 minutos do segundo tempo

BARCELONA: Banguera; Pedro Velasco, Jefferson Mena, Aimar e Pineida; Gabriel Marques, Calderón e Alemán (Ariel, 22’/2T); Esterilla, Álvez (Arreaga, 36’/2T) e Caicedo (Ayoví, 15’/2T)
Técnico: Guillermo Almada

BOTAFOGO: Gatito; Emerson Santos (Fernandes, 37’/2T), Carli, Emerson Silva e Victor Luis; Rodrigo Lindoso (Guilherme, 25’/2T), João Paulo, Bruno Silva e Camilo; Rodrigo Pimpão e Roger (Sassá, 19’/2T)
Técnico: Jair Ventura

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