Rodrigo Caio Flamengo 2019
Vaga com mais laboratório: Abel põe novas ideias em campo na vitória do Flamengo
30 janeiro 02:09
Fluminense Maracanã Carioca 2019
A sangria segue: no Carioca, grandes têm prejuízo de 2 mi; Ferj lucra com taxas
01 fevereiro 18:51

Melancolia em janeiro: Botafogo falha de novo e acaba eliminado da Taça Guanabara

(Reprodução / Twitter Botafogo FR)

(Reprodução / Twitter Botafogo FR)

38 minutos do primeiro tempo. Alex Santana cai quase na ponta esquerda do campo, toca ao centro em Alan Santos e dispara para a área, esperando a devolução. O volante prefere virar o jogo para o lado direito, lateralmente, buscando Marcinho. Alex Santana, novato, esbraveja, gesticula, inconformado. E sai trotando. No vazio do Nilton Santos, a torcida pouco se manifesta. Parece engolida pelo clima de melancolia que acometeu o Botafogo neste início de temporada. Melancólico e cruel. A derrota de 1 a 0 para o Resende acendeu de vez o sinal de alerta para a temporada: o primeiro mês do ano nem mesmo chegou ao fim e o clube já tem uma eliminação para contar.

Fragilidade inédita com qualquer outro grande clube no futebol nacional. Em um início de temporada quase como extensão do período de treinos, o Botafogo de Zé Ricardo não conseguiu alcançar uma vitória sequer. Dois empates, duas derrotas. Quatro apresentações fracas. Chama atenção que a melhor delas foi contra o Flamengo, quando coube ao time o papel de coadjuvante. Ciente de suas limitações, pôs-se a defender, aguardando o rival. Fez um primeiro tempo bom dentro da ideia do jogo, mas depois foi facilmente batido no segundo tempo. Diante do Resende, não. Com a necessidade de ser o protagonista, o time se encolheu. Brigou, mas perdido. Como quem sai pela rua e anda sem destino, olhar no horizonte.

Botafogo no início: sem criatividade, time muito lateral e Jean sem saída

Zé Ricardo montou a equipe num 4-1-4-1, com Jean à frente da defesa, Erik e Luiz Fernando em busca de velocidade pelos lados e Alex Santana e Alan Santos por dentro. À frente, Kieza. Um time recheado de problemas. O problema já existente no clássico contra o Flamengo reapareceu: Jean pode ser aguerrido e ter disposição para fazer a marcação à frente da defesa. Mas é só. Recair sobre ele a necessidade de iniciar o jogo é quase uma injustiça. Há extrema dificuldade, falta qualidade no passe. Mais adiante, a criatividade seca. Coube apenas a Alex Santana tentar avançar, fugir dos passes laterais diante de um Resende consciente: agrupar-se, reduzir espaços e deixar claro que não gostaria de ser protagonista. Mas o dono da casa tinha um futebol muito pobre. Lento. Até burocrático.

Zé Ricardo tentou modificar a maneira como o time encarou o jogo. Diante do rival bem protegido, abriu os zagueiros, recuar ao centro deles e disparou os laterais pelo lado, tentando diálogo com os pontas em busca de triangulações, algum sopro de jogada que permitisse ao Botafogo pulsar na Taça Guanabara. Em vão. Mesmo que o time estivesse adiantado, as deficiências apareciam. Com a má qualidade na saída de bola, Gabriel arriscou uma bola esticada pelo centro a Jean. Calculou mal e o volante não teve capacidade para se atencipar ao problema. Joseph roubou a bola, disparou em contra-ataque e serviu Arthur Faria, que carimbou o travessão de Gatito. Os primeiros grunhidos já eram ouvidos na arquibancada. Natural.

Pois o Botafogo, em dificuldades pelo centro, passou a tentar demais iniciar os jogos pelos laterais. Não à toa as duplas Gabriel e Gilson e Marcelo e Marcinho foram as maiores responsáveis pelos passes da equipe na partida. Assustar o rival, mesmo, apenas com um erro cometido pelo Resende. Joseph deu o presente, ao recuar bola para trás, mas Luiz Fernando, afoito, bateu torto, para fora. O intervalo chegou junto com vaias bem claras da arquibancada vazia do estádio.

Zé Ricardo tentou trabalhar com o que tinha em mãos no segundo tempo. Ainda sem Carli e Leo Valencia, lançou Ferrareis na vaga do burocrático Alan Santos. Menos viradas de jogo, busca por avanços verticais. Tentativa de criatividade. Luiz Fernando se deslocou mais ao centro. A novidade animou por alguns minutos, ao menos com a postura de buscar um jogo mais ofensivo, direto. Em uma boa finalização pela esquerda, obrigou Ranule a trabalhar. Gilson, em bom cruzamento, fez Kieza cabecear na caa de Ranule, em nova boa defesa. Marcinho chutou de longe. O Botafogo, ao menos, arriscava mais, sem o jogo burocrático do primeiro tempo, alternando apenas os lados, sem avançar à área adversária. Mas então…

Ao fim, um Botafogo recheado de atacantes e desorganizado

O time mostrou uma característica ruim de Zé Ricardo nas retas finais de seus últimos trabalhos, em Flamengo e Vasco. Geralmente caracterizados com uma boa organização defensiva, as equipes se tornam frágeis justamente nesse quesito. Talvez reflexo direto de uma tentativa desesperada de atacar. O resultado é sofrer gols em contra-ataque. Era a chance que já esperava. Rápido e com boa finalização neste Carioca, Maxwell avançou pelo meio contra dois botafoguenses. Tinha opções de mais três companheiros, de lado a lado. A liberdade era tamanha que preferiu avançar com a bola e bater forte, sem incômodo, no canto esquerdo de Gatito. 1 a 0. A realidade, claro, bateu forte no Nilton Santos.

A aposta foi Leandro Carvalho na vaga de Alex Santana. Lançar o time ao ataque, acumulando atacantes numa tentativa desesperada de evitar a eliminação precoce. Kieza voltou a repetir erros do primeiro tempo, retornando até a intermediária para buscar a bola, esvaziando a área e deixando a defesa rival mais tranquila. Embaralhados, Erik, Luiz Fernando e Leandro Carvalho não conseguiam dar a força ofensiva pretendida. Tornavam-se alvos fáceis da marcação. Marcinho, acionado e vaiado. A arquibancada, impaciente, pareceu não acreditar que o vexame inicial na temporada, como em 2018, voltara.

Um time que teve 65% de posse, mas não soube o que fazer com ela: em 15 finalizações, apenas cinco foram no alvo. Trocou 529 passes, mas sofreu 12 desarmes*. Pouco. Parece claro que o elenco, enfraquecido, precisa de reforços para encarar a maratona da temporada o menos de maneira digna. Em 2018, no início de fevereiro, a Copa do Brasil já tinha dado adeus. Daqui a menos de uma semana, o time entra em campo pela Copa Sul-Americana, contra o Defensa y Justicia, da Argentina. Com tantas deficiências, o tempo joga contra o Botafogo, eliminado da Taça Guanabara ainda em janeiro. Melancólico.

*Números do app Footstats Premium

FICHA TÉCNICA
BOTAFOGO 1X2 RESENDE

Local: Estádio Nilton Santos, o Engenhão
Data: 31 de janeiro de 2019
Árbitro: João Batista Arruda (RJ)
Público e renda: 2.358 pagantes / 2.738 presentes / R$ 43.407.00
Cartão amarelo: Valdeci (RES)
Gol: Maxwell (RES), aos 25 minutos do segundo tempo

BOTAFOGO: Gatito; Marcinho, Marcelo Benevenuto, Gabriel e Jonathan; Jean (Wenderson, 15’/2T); Erik, Alex Santana (Leandro Carvalho, 27’/2T), Alan Santos (Ferrareis / Intervalo) e Luiz Fernando; Kieza
Técnico: Zé Ricardo

RESENDE: Ranule, Filipi, Rhayne, Lucão e Jeanderson; Joseph; Léo Silva, Arthur Faria (Zambi, 30’/2T), Davi Ceará (Valdeci, 17’/2T) e Vitinho; Maxwell (Dieguinho, 36’/2T)
Técnico: Edson Souza

Os comentários estão encerrados.