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A mescla na dose certa: Vasco utiliza bem veteranos e, enfim, encara Flu à altura

Vasco gol Fluminense São Januário Brasileiro 2017

Vasco gol Fluminense São Januário Brasileiro 2017

Há um mês, o Vasco de Milton Mendes deixava o Maracanã após a semifinal do Carioca com mais um baile sofrido na temporada diante do Fluminense. Um time com média de idade de 28 anos recheado de veteranos como Rodrigo, Nenê e Luis Fabiano desde o início. Não havia fôlego para duelar diante do rival. Era indício claro de que precisava oxigenar. Utilizar os medalhões com inteligência, talvez apenas em parte dos jogos. A virada de 3 a 2 sobre o mesmo Fluminense, em São Januário, na tarde deste sábado, indicou que a ideia traz frutos. Mescla na dose certa.

O time vascaíno que entrou em campo teve média de três anos a menos do que na semifinal do Carioca: 25 anos. Rodrigo deixou o clube, Nenê estava no banco. No 4-2-3-1, Luis Fabiano era a ilha veterana cercada por jovens como Yago Pikachu, Kelvin, Mateus Pet e Douglas. Um desafio bem superior ao Fluminense de Abel. Ainda que desfalcado de Sornoza, lesionado, o 4-3-3 parece imutável no tricolor. Receita para imprimir velocidade pelos lados, sufocando o rival. Mas o Vasco não era mais o que passou…

Vasco de início: Luis Fabiano, a ilha

A receita de Milton Mendes foi adiantar a marcação e incomodar o Fluminense logo em sua saída de jogo com os laterais Lucas e Léo. Tinha fôlego nos garotos para isso por mais de 20 minutos. O jogo era tentado pelo meio, onde os jogadores cruzmaltinos, no pulsar da arquibancada de São Januário, também não davam refresco. A bola era mais tricolor, a marcação era muito mais vascaína. Um jogo truncado, com cada palmo disputado. Dois times jovens, com fôlego de sobra.

A partida congestionada pelo meio fez o Vasco tentar alcançar Luis Fabiano com bolas longas para a área. Em uma delas, Cavalieri deu rebote e Jean bateu de longe, sem tanto perigo. Milton Mendes utilizou de um expediente de outros jogos: inverteu seus pontas. Kelvin passou pela direita para aproveitar as subidas de Léo, Pikachu foi à esquerda. Deu certo. Após bola cruzada de Gilberto, Luis Fabiano resvalou de cabeça para a outra ponta. Pikachu pegou a sobra, olhou, cruzou para Luis Fabiano, sozinho no meio de Nogueira e Henrique, tocar com estilo de cabeça. 1 a 0.

Flu no início da partida na Colina

A posse era tricolor, o Vasco estava mais ligado na partida. Quebrava as tentativas de contra-ataque do Fluminense com o avanço dos volantes. Wendel, Douglas e Orejuela se sentiam pressionados. Scarpa, pela direita, tentava voltar instintivamente para buscar a bola. Nogueira ainda testou uma bola na trave após cobrança de escanteio, mas o Fluminense pouco fizera no primeiro tempo. Tinha poucos espaços para dar velocidade ao seu jogo e chegar livre na área.

Ao voltar para o segundo tempo, Abel tentou deixar o Tricolor menos engessado. Scarpa recuou, procurando mais o centro do campo, tentando organizar as jogadas desde o início, função muitas vezes cumprida por Sornoza. Wendel, por sua vez, avançou, tentando passar às costas dos volantes vascaínos, pelos dois lados. O Vasco não percebeu e, de repente, o time tricolor o cercava. Mas os gols vieram em dois lances bobos. Primeiro Jean tentou cortar cruzamento de Henrique Dourado com a mão dentro da área. O próprio Ceifador cobrou o pênalti. 1 a 1.

Vasco ao fim já com Nenê na equipe

Milton Mendes, então, utilizou a sua mescla. Com um time jovem e combativo, já valia ter Nenê em parte do tempo. Um toque de qualidade, como já tivera com Luis Fabiano na primeira etapa. O segundo pênalti tricolor, de Gilberto em Richarlison e cobrado de novo com categoria por Ceifador, incendiou o jogo. Com 2 a 1 contra, o Vasco partiria para cima com o embalo de seu caldeirão. Milton esticou Manga Escobar na vaga de Kelvin na esquerda, deixou Matheus Pet pelo meio e esticou Nenê pela direita. Douglas avançou algumas casas e o Vasco foi bem mais ofensivo.

Flu ao fim do clássico em São Januário

Pela primeira vez no ano parecia claro que o time cruzmaltino de fato duelava com o Fluminense. Deixara de ser um clássico de um time só. Foram 25 minutos bem mais intensos até o fim, algo que dificilmente o Vasco teria condições de cumprir com a escalação de veteranos desde início. Manga, após corte seco em Lucas, empatou em 2 a 2. Milton colocou em campo outro veterano, Muriqui, nos minutos finais. Era o suficiente. O Fluminense encolheu, aceitou o avançar de casas do adversário, explorando pouco sua principal característica, o contra-ataque, ainda que tivesse os velozes Maranhão e Marcos Junior em campo.

Em mais uma jogada de Manga, Nenê apareceu sozinho pela esquerda, nas costas dos defensores. Livre, pegou a redonda e bateu cruzado, sem perdão. Outro gol veterano. Aos 47 do segundo tempo, o Vasco mostrou que ainda tinha fôlego. Graças à mescla na dose certa de Milton Mendes. Com um time envelopado de jovialidade, os veteranos deram o ajuste final e tiraram o até então invicto Fluminense da garganta em 2017.

FICHA TÉCNICA
VASCO 3X2 FLUMINENSE

Local: São Januário
Data: 27 de maio de 2017
Horário: 16h
Árbitro: Raphael Claus (SP)
Público e renda: 19.082 pagantes / 20.442 presentes / R$ 700.560
Cartões Amarelos: Jean e Luis Fabiano (VAS) e Douglas e Marquinho (FLU)
Gols: Luis Fabiano (VAS), aos 25 minutos do primeiro tempo e Henrique Dourado (FLU), aos 13 minutos e aos 20 minutos, Manga Escobar (VAS), aos 29 minutos e Nenê (VAS), aos 47 minutos do segundo tempo

VASCO: Martín Silva; Gilberto, Breno, Paulão e Henrique; Jean e Douglas; Yago Pikachu (Nenê, 14’/2T), Mateus Pet (Muriqui, 35’/2T) e Kelvin (Manga Escobar, 35’/2T); Luis Fabiano
Técnico: Milton Mendes

FLUMINENSE: Diego Cavalieri; Lucas, Henrique, Nogueira e Léo; Orejuela, Douglas (Marcos Junior, 35’/2T) e Wendel; Gustavo Scarpa (Marquinho, 38’/2T), Henrique Dourado e Richarlison (Maranhão, 44’/2T)
Técnico: Abel Braga

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