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Na primeira vitória, o aproveitar de uma brecha: Botafogo supera Grêmio em casa

Botafogo Gilson Grêmio Brasileiro 2018

(Botafogo / Twitter)

Botafogo Gilson Grêmio Brasileiro 2018

(Botafogo / Twitter)

Em um momento no qual o futebol brasileiro se divide claramente entre castas de clubes endinheirados, com enormes patrocínios por trás, e outros que lutam contra o passado de dívidas e tentam se equilibrar entre fechar as contas e ser competitivos em campos, os menos favorecidos devem aproveitar brechas. Não é demérito. No girar do mundo da bola, o panorama pode mudar dali a um ou dois anos. Mas, hoje, o Grêmio tem um elenco maior e em melhores condições do que o Botafogo. Mas neste sábado Renato uma vez mais decidiu não utilizar todas as forças que tem. A porta foi aberta. E o Botafogo, no apagar das luzes, aproveitou ao vencer por 2 a 1.

Botafogo no início: Renatinho centralizado e Marcinho forçando ao lado

É, na verdade, um mérito. Trabalhar com os altos e baixos do campeonato. Vencer o Grêmio, natural candidato a título, significa somar pontos preciosos mesmo em casa. Valentim, então, mandou o time a campo no 4-2-3-1 já usual, com Renatinho centralizado, Pimpão e Leo Valencia pelas pontas, Brenner à frente. E a melhor dupla de volantes possível: Lindoso ao lado de Matheus Fernandes. Jogam e marcam. Marcam e jogam. Têm entrosamento o suficiente para um segurar o passo enquanto o outro sobe ao ataque. Com um minuto, Matheus Fernandes aproveitou o pivô de Brenner para carimbar a trave de Paulo Victor. Havia espaço. Era um Grêmio tentando manter as características do time titular. Mas desentrosado.

O Grêmio que visitou o Rio desta vez é um time que joga, deseja impôr seu jogo. Mas também deixou jogar. Igualmente em um 4-2-3-1, Renato Gaúcho teve apenas Luan como titular. Mas nem por isso era um time fraco. Maicosuel e Alisson pelos lados, Michel e Jailson entre os volantes. Madson e Marcelo Oliveira nas laterais. O problema reside na zaga. Paulo Miranda e Bressan abaixam consideravelmente o nível em relação a Geromel e Kannemann. Um impacto grande em um time que dá espaços ao rival.

Grêmio no início: pressão na saída de bola, Luan solto e velocidade com Alisson

Com ideias parecidas, de manter a posse e trabalhar o jogo, as equipes concentravam o jogo pelo meio e tentavam acionar as pontas. Aproveitar os avanços dos laterais. O Grêmio optou pelo lado direito, com Alisson nas costas de Gilson. O Botafogo também pela direita, com Marcinho em cima de Marcelo Oliveira e Bressan. Por ali, o lateral-direito do Botafogo viveu bons momentos. Cortava ao meio, enquanto Renatinho invadia a área para dar opções além de Brenner. O Grêmio, tentando manter o estilo do time titular, retomava a posse e buscava sair ao seu estilo, com toques de um lado a outro, com Michel em boa tarde. Mas, no geral, não se encontrava. Sofria marcação forte do Botafogo, logo na saída de bola, e Luan, solto pelo meio, não encaixava a movimentação para alternar com André o vaivém na área. Em cabeçada de Igor Rabello, o time gaúcho só não saiu atrás devido a ótima defesa de Paulo Victor.

Com o jogo aberto, principalmente na faixa central, faltavam gols. O Botafogo ensaiou uma, duas ou três vezes. Até que Marcinho passou pela direita e entrou ao meio. Na esquerda, no bico da área, viu Brenner. O camisa 9 recebeu, tirou de Madson e bateu rasteiro, no cantinho direito de Paulo Victor. Um belo gol. 1 a 0. A brecha fora encontrada. Manteria, então, o Botafogo a postura de tentar controlar o jogo com posse ou chamaria o Grêmio para buscar o contra-ataque? Não houve tempo de observar. Em um escanteio de Alisson, Igor Rabello tentou disputar a bola com Michel pelo alto, mas foi vencido e cabeceou um foguete rumo ao próprio gol. Jefferson, no contrapé e a curta distância, ainda tocou na bola. Mas ela morreu dentro na rede. 1 a 1.

Ao fim, Botafogo com Marcos Vinícius pouco efetivo no meio e força pela esquerda

O empate provavelmente fez Alberto Valentim pensar na mudança de Valencia, mais cadenciado, buscando sempre o meio, para Marco Vinícius, na teoria mais explosivo. Renatinho ocupou o lado esquerdo, com o camisa 19 centralizado. O Botafogo inverteu as ações. Passou a apostar mais do lado esquerda, com Gilson subindo mais do que no primeiro tempo. O fato é que o jogo esfriou. Os dois times optaram por candenciá-lo, trocando passes de forma mais lenta, sem acelerar pelos lados. Renato trocou Maicosuel, mal, por Lima. Deu mais movimentação, tornou o Grêmio mais rápido. Mas não a ponto de ser dominante no jogo.

Valentim optou também por acelerar o jogo. Ezequiel substituiu o esforçado Pimpão e Kieza entrou na vaga de Brenner, que parecia já cansado para ser uma opção de mobilidade. Era necessário vencer o jogo diante de um campeão da América enfraquecido, fosse ou não por opção. De novo, o Botafogo mandou recados. Gilson passava pela esquerda e centrava a bola. Ezequiel perdeu grande chance na cara do gol. Quando Renato sacou Michel e Luan para as entradas de Cícero e Pepê, ficou claro que desejava apenas o empate. Satisfeito estava em sair do Rio com um ponto na bagagem, minimizando críticas sobre o time reserva. Mas aí…

Ao fim, Grêmio teve velocidade dos garotos e Cícero para dar qualidade ao passe

O Botafogo mantém, desde Jair Ventura, a característica de estar sempre com a chama acesa. O jogo para o Glorioso só acaba, mesmo, quando termina. Diante do Grêmio cadenciado, o Botafogo se atirou ao ataque. Finalizou, lançou bolas na área gremista. Conseguiu três escanteios consecutivos. No último deles, Paulo Victor rebateu para a entrada da área, Ezequiel recebeu, girou e tocou para Gilson, no meio, na intermediária. Seria esperado que o lateral arriscasse outra bola levantada. Mas Gilson bateu direto, colocado. Paulo Victor errou a passada, o braço não chegou. A bola estufou a rede. O gol da vitória. O gol da brecha.

Sim, o Botafogo teve um rival enfraquecido por opção. Mas aproveitou o tapete estendido. Jogou melhor, teve, de acordo com o Footstats, 58% da posse e sete finalizações no gol contra três dos gaúchos. Sim, há castas no futebol brasileiro. Há trabalhos desenhados há mais tempo. Mas há, sempre, brechas. Cabe ao Botafogo, ainda no equilíbrio entre o caixa bem cuidado e a competitividade em campo, achá-las no Brasileiro para surpreender. Na terceira rodada, já conseguiu.

FICHA TÉCNICA
BOTAFOGO 2X1 GRÊMIO

Local: Estádio Nilton Santos, o Engenhão
Data: 28 de abril de 2018
Horário: 16h
Árbitro: Vinícius Gonçalves Dias de Araújo (SP)
Público e renda: 8.498 pagantes / 10.748 presentes / R$ 248.845,00
Cartões Amarelos: Carli (BOT) e Marcelo Oliveira (GRE)
Gols: Brenner (BOT), aos 35 minutos e Igor Rabello (BOT – contra), aos 37 minutos do primeiro tempo e Gilson (BOT), aos 46 minutos do segundo tempo

BOTAFOGO: Jefferson; Marcinho, Carli, Igor Rabello e Moisés; Rodrigo Lindoso e Matheus Fernandes; Rodrigo Pimpão (Ezequiel, 20’/2T), Renatinho e Leo Valencia (Marcos Vinícius / Intervalo); Brenner (Kieza, 36’/2T)
Técnico: Alberto Valentim

GRÊMIO: Paulo Victor; Madson, Paulo Miranda, Bressan e Marcelo Oliveira; Michel (Cícero, 35’/2T) e Jailson; Maicosuel (Lima, 14’/2T), Luan (Pepê, 31’/2T) e Alisson; André
Técnico: Renato Gaúcho