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Não há como explicar um Fla-Flu: a festa tricolor em um clássico que celebrou o futebol

Fluminense Taça Guanabara 2017
Wellington Fluminense Taça Guanabara 2017

Wellington comemora o primeiro gol da partida, com apenas quatro minutos de clássico no Engenhão

Há várias maneiras de se explicar um jogo de futebol. Por um viés simplesmente tático, por exemplo. Há várias maneiras de se explicar uma conquista. Por um viés da alma, por exemplo. Não há uma maneira exata de explicar um Fla-Flu. É um clássico que transcende regras, lógicas, elege herois improváveis, constroi capítulos da história a cada rolar da bola. Faz favorito ficar por baixo. Desacreditado ficar por cima. Clube relembrar a história, com os tricolores fizeram com a camisa alusiva a 95. Neste domingo, o Engenhão presenciou mais um pulsar deste clássico na conquista da Taça Guanabara pelo Fluminense, nos pênaltis. Com direito a pacote completo.

Flu do início da partida no Engenhão

Houve gol relâmpago e gol no apagar das luzes. Virada e revirada. Empate no fim. Pênaltis. Estádio com bom público. Duas torcidas no duelo da garganta. Apreensão. Explosão. Uma tarde de futebol em estado puro. Que começou a mil. Tão logo a bola rolou, Fluminense e Flamengo demonstraram que desejavam atacar. Ainda que desorganizados. Sem Scarpa, lesionado, Abel colocou Richarlison em campo, organizou o time num 4-3-3, com velocidade, troca de posições. Sornoza estava livre, leve e solto no meio, aproveitando o buraco entre os volantes e os zagueiros rubro-negros. Com um jogo aberto, o Fla-Fu foi elétrico. Em apenas quatro minutos. Foi o bastante para Trauco errar um chute e, no rebote, Wellington lembrar Usain Bolt em 2016, no mesmo Engenhão. Contra-ataque mortal. Um pique de mais de 70 metros que só parou dentro do gol de Muralha. 1 a 0. Que Fla-Flu.

Escalação Flamengo 2017

Início de jogo no tradicional 4-2-3-1

Geralmente um time mais consciente, frio, com toques fartos de passes, esperando o melhor momento, o Flamengo se deixou contaminar pelo frisson do clássico. Mostrou despreparo para um grande momento. Ainda que estivesse no 4-2-3-1 de sempre, lançou-se violentamente ao ataque, escancarando a defesa. Na intermediária, alçava bolas à área. Em um primeiro momento, deu certo. Pelo alto. Mancuello cobrou falta na área, Julio Cesar saiu mal, Vaz tocou para o meio e Arão fez o gol. 1 a 1. Mas o clássico ainda era mais Flu do que Fla. Bem posicionado na frente, o Tricolor de Abel causava problemas pela direita com Welligton. Richarlison, um leão no vaivém pela esquerda, também agitava a instável defesa do rival. Mas Fla-Flu não tem lógica. Lá apareceu Pará em um cruzamento pela direita. Guerrero acertou a cabeçada, Julio Cesar defendeu e, no rebote, Everton tocou de cabeça para o gol. 2 a 1. Que Fla-Flu.

O relógio contava apenas 23 minutos. Em meio à emoção pura da arquibancada, o Fluminense continuava melhor, aproveitando os espaços deixados por um Flamengo que não se encontrava mesmo à frente do placar. Orejuela e, principalmente, Sornoza passeavam pela intermediária para acionar o trio veloz e furioso na frente. Pierre, atrás, vigiava Diego. Em um escanteio cobrado, Guerrero colocou a mão na bola dentro da área. Pênalti muito bem cobrado por Henrique Dourado. 2 a 2. Fla-Flu em dia de Fla-Flu. Não parecia ser necessário apenas jogar bem. Era preciso tentar entender o clássico. Imprevisível. Havia espaço, literalmente, para ainda mais. Aos 40 minutos, Wellington aproveitou o avanço de Rever e Rafael Vaz ao campo de ataque e viu o buraco na defesa. De primeira, tocou para Lucas, que invadiu a área e bateu bonito, sem chance para Muralha. 3 a 2. Um intervalo era necessário para respirar.

Velocidade e jovens: Flu na etapa final

Na volta, o clima em campo abaixou. Corações deram lugar a cérebros. O Fluminense esperou o Flamengo em busca de um contra-ataque. Chamava os rubro-negros, se preparava para bolas alçadas e mantinha a marcação forte para anular Diego. Funcionava bem. Zé Ricardo percebeu que o time só cercava, sem ser incisivo, com chances claras. Decidiu, então, sacar Arão e recuar Diego. Gabriel entrara na ponta no lugar de Mancuello e foi para o meio. Berrío entrou no lugar de Arão e foi para a direita. Trauco, que levara um baile de Wellington, saiu para Vizeu avançar. Everton foi recuado para a lateral. Parecia, por vezes, um 4-4-2, em outras um 4-3-3. Mas era um time desorganizado. Já tentava no abafa encontrar forças que não conseguia na tática ou na técnica. Diego, mais recuado, voltou ao jogo. E Abel optou por tentar o golpe final com mais velocidade.

Fla no abafa: desorganizado

Marcos Junior substituiu Henrique Dourado e Richarlison caiu para o comando de ataque. Marquinhos Calazans substituiu Wellington. Fôlego novo. O Fluminense ainda funcionava no 4-3-3, com o trio de meio de campo bem postado, limitando as ações do Flamengo à intermediária. Mas em Fla-Flu nada está decidido. A história conta. Quando Abel trocou Sornoza por Marquinho, os rubro-negros avançaram ainda mais, sem ter o ímpeto quebrado. E aos 39 minutos da segunda etapa, Pará foi derrubado na frente da área. Guerrero cobrou bem para trazer de novo o imponderável ao clássico. 3 a 3. Explosão nem um lado da arquibancada, incredulidade do outro. Um Fla-Flu não permite dúvidas. Não há como explicar.

Para completar a tarde festiva, disputa de pênaltis. Rafael Vaz e Rever, os zagueiros que se lançaram ao ataque em grande parte do jogo, tiveram as chances, mas perderam suas cobranças. Marcos Junior cobrou bem e fez o gol final. 4 a 2. Arrancou o grito da arquibancada, garantindo a primeira taça de 2017. Explicou a alma. Justificou a tática de um time mais organizado. E garantiu, mais uma vez, que não há como explicar o clássico que completa o futebol. Jamais duvidem de um Fla-Flu.

FICHA TÉCNICA:
FLUMINENSE (4) 3X3 (2) FLAMENGO

Local: Estádio Nilton Santos, o Engenhão
Data: 05 de março de 2017
Horário: 16h
Árbitro: Wagner do Nascimento Magalhães (RJ)
Público e renda: 25.451 pagantes / 27.549 presentes / R$ 1.258.830,00
Cartões amarelos: Everton e Trauco (FLA) e Richarlison (FLU)
Gols: Wellington (FLU), aos 4 minutos, Willian Arão (FLA), aos 8 minutos, Everton (FLA), aos 23 minutos, Henrique Dourado (FLU), aos 32 minutos e Lucas (FLU), aos 40 minutos do primeiro tempo e Guerrero (FLA), aos 39 minutos do segundo tempo.

FLAMENGO: Alex Muralha; Pará, Rever, Rafael Vaz e Trauco (Vizeu, 27’/2T); Rômulo e Willian Arão (Berrío 20’/2T); Mancuello (Gabriel / 11’/2T), Diego e Everton; Guerrero
Técnico: Zé Ricardo

FLUMINENSE: Julio Cesar; Lucas, Rento Chaves, Henrique e Léo; Pierre, Orejuela e Sornoza (Marquinho, 38’/2T); Richarlison, Henrique Dourado (Marcos Júnior / 28’/2T)e Wellington (Marquinhos Calazans, 35’/2T)
Técnico: Abel Braga

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