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Em tempos distintos, Fla se reencontra, goleia San Lorenzo e mostra força na Libertadores

Diego Flamengo San Lorenzo Libertadores 2017

Diego comemora o gol do Flamengo sobre o San Lorenzo

Diego Flamengo San Lorenzo Libertadores 2017

Diego comemora o gol de falta que abriu caminho para a goleada sobre o San Lorenzo no Maracanã

Há duas maneiras de observar a goleada de 4 a 0 do Flamengo sobre o San Lorenzo, no Maracanã, na estreia da Libertadores. Uma vai indicar um time imponente, que fez um jogo soberbo e soube acuar o adversário em seu campo com facilidade, desde o início, ao lado da vibração da torcida. Seria ilusão. A outra levará ao entendimento que foi necessário um conjunto de fatores específicos da partida e que o time, ainda em busca de equilíbrio para jogos importantes, soube viver bem os momentos distintos e aproveitar. Condiz mais com a realidade. Na arquibancada, o mosaico “Isso aqui é Flamengo”, com 1981 e 2017 ao lado, mostrava o pedido da torcida num Maracanã abarrotado.

Escalação Flamengo 2017

Início de jogo no tradicional 4-2-3-1

Já nos primeiros jogos oficiais da temporada, contra Boavista e Macaé, o Flamengo de 2017 apresentava ideias anunciadas por Zé Ricardo. Farta troca de passes, triangulações, infiltrações, jogo vertical. Por isso era tão esperada a chegada de Romulo, com mais qualidade no toque da bola, para a vaga de Márcio Araújo. Parecia dar certo. Os gols saíam com naturalidade, Mancuello achava melhor seu lugar no time à direita. Até o Fla-Flu na decisão Taça Guanabara. Diante de um adversário de marcação mais pesada, organizado e com contra-ataque fulminante, o Flamengo travou e abandonou o seu jogo no chão, limitando-se a explorar bolas alçadas, tanto na saída de jogo quanto nas tentativas de chegar à área.

No início do jogo com o San Lorenzo, o filme começou de maneira quase igual. Vá lá que o gramado do Maracanã, ainda a desejar em processo de recuperação, atrapalhava. Mas Diego Aguirre armou o Ciclón em um 4-1-4-1 enjoado, que dava poucos espaços ao Flamengo e tentava atacar pelas pontas, prendendo Trauco e Pará. Assim, a bola rolava menos entre os rubro-negros, a impaciência em campo na arquibancada aumentava. O buraco entre os zagueiros e os volantes continuava lá, com Ortigoza aproveitando o espaço. E o time, mais espaçado, se perdia. Rever tocava para Vaz, que mandava a pelota para frente, pelo alto. Na quebrada, a bola sobrava nos pés do San Lorenzo, que tocava de pé em pé. Ainda assim, em uma roubada de bola de Arão, que rolou para Everton, o Flamengo quase abriu o placar. Mas a bola beijou a trave. Aí, um susto.

Mancuello dividiu bola de cabeça e caiu em campo, desmaiado. Acordado, teimou em voltar ao jogo e conseguiu. Mas durou apenas minutos. Zé Ricardo, então, chamou Berrío. E tudo começou a clarear. Ainda no 4-2-3-1, o Flamengo tinha ao menos o desafogo da velocidade do colombiano pela direita, que fazia o vaivém com muito mais facilidade do que Mancuello. O San Lorenzo, então, tinha com quem se preocupar. Afinal, até então estava fácil. Diego pouco pegava na bola. Guerrero também encontrava pouco espaço, os volantes eram tímidos. O Flamengo desceu para o vestiário, então, preocupado.

No segundo tempo, a ideia de Zé Ricardo e a prática do campo, enfim, se reencontraram na temporada. O time já não estava mais tão espaçado. O jogo era pelo chão. Bastaram dois minutos. Esse foi o tempo suficiente para uma troca de passes resultar na derrubada de Everton na entrada da área. Diego, pela primeira vez com a camisa 10 rubro-negra, lembrou Zico com a ajuda do goleiro Torrico, atrasado. Bola no canto, braços abertos. 1 a 0. O Flamengo, definitivamente, tinha se lembrado do início de temporada. Diego apareceu para o jogo e dominou o meio. Sob sua batuta, o time entendeu que seu jogo é por baixo, não por cima. Assim trabalhou. Arão e Romulo se entendiam melhor. Berrío tinha a explosão sempre explorada pela direita. Bolas verticais, pelo chão. Passa, toca. Triangulações. A mudança de ideia foi emblemática no gol de Trauco.

Vaz lançou bola por cima, na esquerda. Everton disputou no alto e tocou para Diego. A frente da área do San Lorenzo estava despovoada. O camisa 10 rolou para Berrío na direita e recebeu de volta. A bola rodava. Trauco recebeu no meio, girou, aproveitou o clarão na sua frente e soltou o pé no ângulo direito. 2 a 0. O San Lorenzo arriou. Era o primeiro jogo da temporada do time argentino. O fôlego faltava para formar um 4-1-4-1 competitivo. Belluschi e Ortigoza já não trabalhavam tanto. Havia cada vez mais espaço, enfim. Assim, o Flamengo soube aproveitar. E tornar a bola área como alternativa, não estrada principal. Por cima, num escanteio de Diego desviado por Berrío, Romulo aumentou para 3 a 0 na segunda trave, de cabeça, e sacramentou a festa no Maracanã. O restante do jogo seria protocolar.

Zé Ricardo acionou Márcio Araújo e Gabriel nas vagas de Romulo e Everton. Melhorou. Com muita facilidade, o meia-atacante foi derrubado na área depois de entortar Díaz. Guerrero cobrou mal e o goleiro defendeu a penalidade. Mas nada estragaria a festa. Gabriel, no fim do jogo, ainda fez um golaço em um desolado Torrico. 4 a 0. Em tempos distintos, o Flamengo apresentou seu pior e seu melhor lado da temporada. Mas largou bem demais na Libertadores.

FICHA TÉCNICA:
FLAMENGO 4X0 SAN LORENZO

Local: Maracanã
Data: 08 de março de 2017
Horário: 21h45
Árbitro: Andres Cunha
Cartões amarelos: Mancuello e Trauco (FLA) e Angeleri, Montoya e Mussis (SAN)
Público e renda: 54.052 pagantes / 60.989 presentes / R$ 3.688.482,50
Gols: Diego (FLA), aos três minutos, Trauco (FLA), aos 16 minutos, Romulo (FLA), aos 24 minutos e Gabriel (FLA), aos 42 minutos do segundo tempo.

FLAMENGO: Alex Muralha; Pará, Rever, Rafael Vaz e Trauco; Romulo (Márcio Araújo, 35’/2T) e Willian Arão; Mancuello (Berrío, 31’/1T), Diego e Everton (Gabriel, 34’/2T); Guerrero
Técnico: Zé Ricardo

SAN LORENZO: Torrico; Paulo Díaz, Angeleri, Coloccini e Montoya (COrujo, 31’/2T); Mussis; Origoza, Cerutti (Merlini, 31’/2T), Belluschi e Botta; Blandi (Bergessi, 37’/2T)
Técnico: Diego Aguirre

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