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No baile tricolor, o choque entre passado e futuro

Wellington pelo Fluminense

Wellington marcou o primeiro gol do Fluminense

Henrique Dourado comemora o segundo gol tricolor no clássico contra o Vasco, na estreia do Campeonato Carioca

O primeiro clássico carioca de 2017 colocou frente a frente ideias distintas de futebol e apresentou claramente um confronto entre passado e futuro. Choque de pensamentos até em modelos de gestão e que refletiu em um baile do Fluminense nos 3 a 0 sobre o Vasco, no Estádio Nilton Santos, o Engenhão, neste domingo.

De cara, o Vasco contava em sua escalação inicial com seis titulares acima dos 30 anos. É, desde o final melancólico na Série B de 2016, um time agarrado ao passado que carece de renovação, tanto em ideias quanto em fôlego. Pela frente, encontrou um Fluminense que também terminou 2016 de forma melancólica, mas se propôs a olhar para o futuro. De seus 11 titulares, apenas dois, o goleiro Cavalieri e o zagueiro Henrique, tinham mais de 30 anos.

Abel Braga no clássico contra o Vasco

Abel Braga teve pouco mais de 20 dias desde a reapresentação do elenco até o início do Campeonato Carioca. E parece ter aproveitado ao máximo o tempo e os reforços. O trio ofensivo formado atrás de Henrique Dourado proporcionou momentos de calafrios à estrutura defensiva vascaína e mostrou entrosamento. Wellington pela esquerda, Sornoza pelo meio e Gustavo Scarpa pela direita era apenas uma ideia inicial, no papel. Na prática, os três jovens alternaram posições, trocaram passes, ocupavam espaços e aproveitaram os lados de um estático Vasco para avançar. Deu problema.

Tudo porque Cristóvão Borges parece ainda agarrado às ideias que o fizeram colecionar insucessos em Flamengo e Corinthians, por exemplo. Marcação adiantada, buscando troca de passes para infiltrar ou acionar Escudero e Eder Luis pelos lados. Não funcionava. Bastava uma bola perdida para o Fluminense arrancar em contra-ataque e visitar Cavalieri com um tapete estendido de espaços. Por duas vezes, a bola cruzou a área vascaína, mas não encontrou alguém para colocá-la na rede.

O Vasco continuava quase parado e lento demais para encaixar a defesa. Presa fácil. Assustar, mesmo, apenas em bola parada. Luan carimbou a trave de Cavalieri em escanteio cobrado por Nenê. Era pouco. Porque do outro lado o Fluminense combatia com os volantes Douglas e Orejuela, adiantava os laterais Léo e Lucas e tinha Sornoza. Contratação deste ano, o equatoriano mostrou a credencial para a torcida tricolor. Um lançamento que superou facilmente Rodrigo pelo alto. A bola mergulhou na área e Henrique Dourado, inteligente, tocou de calcanhar para o meio. Douglas dividiu com Martín Silva e Wellington, livre, chapou o rebote para o gol, deixando desolados e tontos Rodrigo e Luan. 1 a 0.

Os vascaínos, então, se perderam completamente. Cada ataque tricolor, veloz, de pé em pé, com bolas esticadas para aceleração do onipresente Scarpa, em tarde soberba, ou Wellington causava desespero a um Vasco que batia cabeça e cedia cada vez mais espaços. Tanto que Sornoza, fácil, dominou bola na entrada da área, driblou Andrezinho, passou por Henrique e rolou para Henrique Dourado, sozinho no meio, apenas escorar. 2 a 0. Um time do presente, organizado, veloz e com muita mobilidade, dominava sobre outro do passado, lento, que cedia campo e sem inspiração e pernas para acompanhar o ritmo do rival.

No segundo tempo, Cristóvão tentou corrigir e tirou Escudero e Eder Luis, superados facilmente pelas pontas e sem força efetiva no ataque. Colocou Guilherme Costa para povoar um meio de campo que era só tricolor e Ederson para acompanhar um inoperante Thalles no ataque. Deu falsa impressão de melhora quando o camisa 9 vascaíno perdeu chance clara na risca da pequena área, batendo por cima de Cavalieri e depois com Madson, que entrou na área e finalizou em cima do goleiro. Na prática, o Vasco marcava um pouco melhor, combatia Sornoza mais de perto, mas continuava adiantado, exposto aos contra-ataques velozes. Num deles, Scarpa entrou na área livre, cortou para o meio e só não ampliou porque finalizou mal, no corpo de Martín Silva.

Com o ritmo intenso, Abel entendeu que lhe faltavam pernas para que o time continuasse a cumprir a intensa troca de posições com velocidade para confundir os vascaínos. Tirou Sornoza e pôs Luiz Fernando, volante, para equilibrar o meio de campo. Mais à frente, sacou Wellington e colocou Marcos Júnior. Com cinco minutos, matou o jogo. Claro, num contra-ataque de manual. Luan, zagueiro vascaíno, foi desarmado no ataque rival. Douglas recebeu a bola e lançou Marcos Junior pela esquerda. Diante de um solitário Andrezinho, ele rolou para Scarpa, que atropelava pela direita. Era muito espaço. Com calma, inverteram posições. O camisa 10 levou a bola para esquerda e rolou para Marcos Junior, já na área, pela direita. Com um toque suave, por cima de Martín Silva, ele deu números finais ao clássico. 3 a 0.

Um novo choque de realidade para o Vasco. Cristóvão deve repensar o time tão adiantado e formado, em sua maioria, por jogadores já veteranos. Mesmo à espera de Wagner e sonhando com Luís Fabiano, o time deve rejuvenescer para acompanhar o ritmo atual do futebol. E talvez ter a humildade de fechar a casinha diante das limitações. Abel já entendeu. Escalou jovens velozes e inteligentes, prezando pela troca de posições e uma defesa encaixada. Todos sabem para onde correr no Fluminense. Neste domingo foram para o abraço. Que baile.

FICHA TÉCNICA:
VASCO 0X3 FLUMINENSE

Local: Estádio Nilton Santos, o Engenhão, no Rio de Janeiro (RJ)
Data: 29 de janeiro de 2017
Horário: 19h30
Árbitro: Rodrigo Nunes de Sá (RJ)
Assistentes: Luiz Claudio Regazone e Thiago Henrique Corrêa
Público e renda: 11.043 pagantes / 11.711 presentes / R$ 353.060,00
Cartões amarelos: Thalles e Nenê (VAS) e Renato Chaves, Orejuela, Léo e Gustavo Scarpa (FLU)
Gols: Wellington (FLU), aos 26 minutos e Henrique Dourado (FLU), aos 32 minutos do primeiro tempo e Marcos Junior (FLU), aos 35 minutos do segundo tempo.

Vasco: Martín Silva; Madson, Luan, Rodrigo e Henrique; Julio dos Santos, Andrezinho, Escudero (Guilherme Costa / Intervalo) e Nenê; Eder Luis e Thalles (Ederson / Intervalo)
Técnico: Cristóvão Borges

Fluminense: Diego Cavalieri; Lucas (Renato 23’/2T), Renato Chaves, Henrique e Léo; Douglas e Orejuela; Gustavo Scarpa, Sornoza (Luiz Fernando 19’/2T) e Wellington (Marcos Junior 30’/2T); Henrique Dourado
Técnico: Abel Braga

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