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No martelo do apito: prejudicado pela arbitragem, Vasco cai diante do Corinthians

Vasco Andrés Ríos Fagner

(Flickr / Vasco)

Vasco Andrés Ríos Fagner

(Flickr / Vasco)

Impossível traçar qualquer linha de análise sobre o confronto entre Corinthians e Vasco sem abordagem inicial sobre atuação desastrosa da arbitragem de Wilton Pereira Sampaio. Já há algum tempo o goiano é visto por muitos como dono de decisões extremamente polêmicas, potencial explosivo para irritar torcidas e desequilibrar ações em um campo de futebol. Um manancial de erros crassos. Permitir a sua escalação em confronto tão decisivo para clubes do porte de Corinthians e Vasco é daquelas decisões só possíveis em um futebol tão conturbado quanto o brasileiro. Pois Wilton Pereira Sampaio foi a campo e encharcou o gramado da Arena Corinthians de erros medonhos. Interferiu diretamente na partida e foi extremamente prejudicial ao Vasco, derrotado por 1 a 0 e com no mínimo dois pênaltis não assinalados a seu favor. Houve, no entanto, uma disputa em campo, apesar de Pereira Sampaio.

Corinthians no início: velocidade pelos lados e Jadson e Danilo soltos

Difícil apontar torcida que saiba fazer maior pressão em um estádio do que a do Corinthians no futebol brasileiro. O som ensurdecedor da arquibancada é hipnotizante e suficiente para impactar o adversário e estimular a própria equipe. Talvez energizado por isso, o time de Jair Ventura iniciou o jogo elétrico, com muita velocidade, marcando o Vasco no campo de ataque. Um 4-4-2 com Danilo e Jadson mais soltos à frente e acompanhados por Pedrinho e Mateus Vital, sempre em alternância pelas pontas do campo. A disposição corintiana incomodou o Vasco ao menos nos 20 minutos iniciais. O time paulista, sedento pelo gol para amenizar a ânsia da arquibancada, arriscava finalizações pelo meio, com espaços generosos cedidos pela dupla Desábato e Andrey. Thiaguinho e Jadson finalizaram com perigo, levantando a arquibancada. A tensão quase palpável no ar não tornava o embate mais técnico ou mesmo agradável. Mas emocionante, de prender o fôlego. É a melancolia que ainda prende no futebol brasileiro: diante de jogos mal jogados, resta se apegar à emoção.

Não seria o Vasco a colaborar com um jogo mais bem jogado. Ainda com o desfalque de Maxi López, a equipe se manteve em um 4-2-3-1 com Andrés Ríos à frente. A diferença entre os argentinos é notável. Maxi, mesmo pesado, prende os zagueiros, tem menos mobilidade e faz o pivô com maior qualidade. Além do potencial de finalização mais refinado. Ríos tem maior capacidade de se movimentar pelos lados do campo, voltar ao centro para receber. Alterna com mais velocidade. E o Vasco, tal como o adversário, também trabalhava com muita velocidade. Thiago Galhardo, Pikachu e Kelvin formavam a trinca atrás de Ríos. Um jogo pegado, com forte aceleração ao retomar a bola. Após segurar a pressão inicial do mandante, o Vasco melhorou com uma troca orientada por Valentim. Kelvin saiu da esquerda à direita. Velocidade e habilidade em cima de Danilo Avelar, deficiente na marcação. Como Thiaguinho apoiava bem o ataque corintiano, foi fácil observar o vascaíno por vezes no mano a mano com Avelar. Pelo setor, o Vasco começou a pressionar um Corinthians que diminuiu o ritmo e, instintivamente, encolhia. Então Wilton Pereira Sampaio abriu sua caixinha de surpresas.

De início, Vasco com velocidade no trio atrás de Andrés Ríos

A incoerência na marcação de faltas, o gosto de ser mais permissivo ao mandante e mais rígido ao visitante é característica da arbitragem brasileira. Mas Pereira Sampaio foi ainda mais incisivo. Tascou um cartão amarelo a Fernando Miguel com 26 minutos de bola rolando, alegando suposta cera. Difícil crer que o Vasco, mais necessitado de uma vitória do que o Corinthians, tentasse retardar o jogo ainda em metade da etapa inicial. Mais difícil ainda enxergar mesmo na limitada arbitragem nacional tamanho rigor com cera aos 26 minutos do primeiro tempo. A arbitragem de Pereira Sampaio já era, no mínimo, pitoresca. E aumentou seu cardápio ao ignorar falta de Thiaguinho em Kelvin na risca da grande área. Lance discutível, que abria possibilidade até mesmo para pênalti, já que Kelvin fora derrubado quase na risca da grande área. Sampaio ignorou. Antes do intervalo, o complemento: de forma arrogante, expulsou o técnico vascaíno, Alberto Valentim, de maneira confusa, após protesto.

Note como é desagradável abordar em demasia a atuação desastrosa de um árbitro. Deve ser ele o mediador do jogo, de seus pormenores, dos conflitos que se apresentam. Não aumentar a carga emocional em uma partida já carregada de tensão. Ao roubar o protagonismo da partida, Wilton Pereira Sampaio tornou obrigatório abordar sua maneira pouco louvável de conduzir a partida. Houve pouco futebol no primeiro tempo da Arena Corinthians. Mais disputa. Mais desespero de deixar pontos pelo caminho na reta final do Campeonato Brasileiro. O segundo tempo exigiria ao menos um jogo minimamente mais técnico para tirar o zero do placar.

Ao fim, Corinthians mais retraído e pressionado pelo Vasco

Embora com a mesma formação, o Corinthians melhorou no início. Aproveitou o lado esquerdo vascaíno com pouco combate de Pikachu para forçar as ações com Fagner e Pedrinho. Com poucos minutos, o lateral da Seleção de Tite cruzou rasteiro, sem pressão alguma, para Jadson completar de carrinho rente à trave de Fernando Miguel. Um anúncio do que viria dali a segundos. De novo, Fagner pela direita. De novo, Pikachu cedendo espaços generosos para o lateral, dono de boa qualidade nos cruzamentos. Foi um passe com qualidade, na cabeça de Mateus Vital, na segunda trave. Raul perdeu a passada, olhou a bola e não viu o ex-vascaíno, de cabeça, mergulhar para a rede. 1 a 0 naquela trágica coincidência que o futebol, por vezes, gosta de apresentar. No desmanche realizado no elenco vascaíno no início da temporada, em meio à guerra política, Mateus Vital, 19 anos, revelado pelo clube e com passagens por seleções de base, foi negociado por irrisórios três milhões de euros. Uma pechincha que custou não apenas o desfalque, mas o gol sofrido em uma derrota crucial para a temporada.

Não havia, a partir dali, maneira de o Vasco negociar apenas um empate. Era necessário vazar Cássio de forma imediata para, enfim, buscar a virada. Valentim abriu a equipe e aumentou a velocidade. Caio Monteiro e Marrony pelos lados, Pikachu de volta à lateral, Desábato preso à frente da zaga e o time inteiro liberado ao ataque. Encolhido, o Corinthians se baseou apenas em contra-ataques e aceitou a pressão vascaína com enorme perigo. Mostrou-se engessado, sem capacidade de manter a bola no ataque e aliviar a pressão sofrida. Embora tenha sido prejudicado por vezes no Brasileiro, desta vez o apito lhe sorriu. Wilton Pereira Sampaio, vezes mais, entrou em ação para evitar a reação vascaína. Com a enorme quantidade de bolas cruzadas na área corintiana – 28 – duas delas encontrariam pés vascaínos. Na primeira, Danilo Avelar atropelou Leandro Castán, ao acertá-lo no meio em busca de um desarme atabalhoado. Pênalti ignorado por Sampaio.

Ao fim, um Vasco mais avançado, com pontas entrando na área rival

Ao fim, com a troca de passes na intermediária, o Vasco insistiu em jogar a bola dentro da área em busca de um lance de sorte. Talvez conseguisse empatar caso a bola cruzada por Henrique pudesse ser completada por Marrony, pela direita. Mas Danilo Avelar, sempre ele, puxou o vascaíno sem cerimônia alguma. Um pênalti constrangedor. Visível. Indiscutível a olhos sensatos. Não era o caso de Wilton Pereira Sampaio. Uma vez mais, o árbitro decidiu não interferir na partida e, assim, provavelmente interferiu no resultado. A bola no travessão de Henríquez aos 49 minutos do segundo tempo foi apenas um toque de crueldade na noite vascaína. De novo, nos acréscimos, a esperança se dissipou.

É justo dizer que o Vasco se encontra no atual panorama afogado por uma guerra política de egos que olham apenas para o espelho e ignoram o tamanho da instituição. É justo dizer que atos geram consequências, como a saída de Mateus Vital a troco de quase nada e as antecipações de cotas de tv que asfixiaram o clube. Também é justo afirmar que os próprios sócios vascaínos optaram por dar sequência à sangria ao levar Eurico Miranda de novo ao poder em dois mandatos consecutivos. Mas é justo dizer que na noite deste sábado o time se esforçou e teria chances de superar o Corinthians em jogo crucial na temporada. Não fosse o enorme obstáculo criado pelo apito.

FICHA TÉCNICA
CORINTHIANS 1×0 VASCO

Local: Arena Corinthians
Data: 17 de novembro de 2018
Horário: 19h
Árbitro: Wilton Pereira Sampaio (GO – Fifa)
Público e renda: 38.605 pagantes / 38.835 presentes / R$ 1.350.667,50
Cartões Amarelos: Jadson e Fagner (COR) e Fernando Miguel e Leandro Castán (VAS)
Gol: Mateus Vital (VAS), aos cinco minutos do segundo tempo

CORINTHIANS: Cássio; Fagner, Léo Santos, Henrique e Danilo Avelar; Ralf, Thiaguinho (Araos, 33’/2T), Mateus Vital (Clayson, 12’/2T) e Pedrinho; Jadson e Danilo (Roger, 29’/2T)
Técnico: Jair Ventura

VASCO: Fernando Miguel; Raul (Caio Monteiro, 23’/2T), Henríquez, Leandro Castán e Henrique; Desábato e Andrey (Dudu, 34’/2T); Yago Pikachu, Thiago Galhardo e Kelvin (Marrony, 29’/2T); Andrés Ríos
Técnico: Alberto Valentim