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No Mineirão, Vasco aposta alto demais contra o Cruzeiro, mas chega ao G-7

Paulão Vasco Cruzeiro Campeonato Brasileiro 2017

Paulão Vasco Cruzeiro Campeonato Brasileiro 2017

Zé Ricardo chegou ao Vasco com a missão bem clara, estabelecida. Livrar o time de qualquer possibilidade de encarar o quarto rebaixamento na História. Cumpriu sem tantas dificuldades ao tornar o Vasco defensivamente muito competente, necessário para somar pontos rodada a rodada. Mas quando a possibilidade de uma vaga na Libertadores se apresentou como real, o time pareceu não saber lidar com a possibilidade. Por isso mostra receio. E põe em risco boas cartadas, como a vitória de 1 a 0 sobre o Cruzeiro, no Mineirão.

Cruzeiro no início: já ofensivo, com campo tomado

Se há um time que joga simplesmente pela dignidade neste Campeonato Brasileiro é o Cruzeiro de Mano Menezes. No torto calendário do futebol nacional, o time celeste poderia ser recheado de reservas a cada rodada e não oferecer a maior das resistências a adversários que ainda buscam seu objetivo em 2018. Mas o Cruzeiro de Mano joga sério, com titulares. Não facilitaria a vida vascaína.

De início, o time carioca pareceu entender isso. Posicionou-se mais à frente num 4-2-3-1, marcando no campo cruzeirense, tentando limitar as opções de saída de bola do rival. Pikachu e Paulinho pelos lados, buscando velocidade ao redor de Nenê. Um Vasco mais ousado, ciente de que a vitória seria fundamental para a pretensão de ir à Libertadores. Tornou, então, o jogo franco, com espaços para um vaivém dos ataques.

Pois o Cruzeiro, como dito, está livre, leve e solto no fim de temporada. A covardia demonstrada na final da Copa do Brasil contra o Flamengo parece ter se dissipado com a conquista da taça. No 4-2-3-1, permitiu-se ir à frente e talvez até errar. Baseando o jogo no faz-tudo Thiago Neves, o meia que é atacante, o atacante que é meia. E com aproximação de qualidade entre com Rafinha e Robinho pelos lados. No avançar vascaíno, havia espaço pelas laterais. Numa dessas, a bela tabela entre De Arrascaeta e Robinho quase resultou no gol cruzeirense, em bela conclusão do segundo que raspou a trave de Martín Silva.

Vasco no início: recuado após o gol

O Vasco tentava atacar o Cruzeiro e se entregava ao jogo por perseguir um resultado. Em 20 minutos, conseguiu em bola parada. Nenê no escanteio para a cabeçada certeira de Paulão no canto de Rafael. 1 a 0. E o jogo vascaíno se transformou. Claro que o time não fazia inveja ao City de Guardiola, trocando passes com perfeição, triangulando diante da área cruzeirense e criando chances. Mas buscava o ataque. Ao abrir vantagem e ter a vitórias em mãos, decidiu arriscá-la ao dar passos para trás, entregar o campo ao rival e se fechar. Inexplicável.

Principalmente porque ainda havia muito jogo pela frente. Entregar-se claramente como presa fácil em terras rivais é comprometer o objetivo. E o Vasco assim o fez. Em duas chances o Cruzeiro quase empatou. Em uma delas, Henrique salvou em cima da linha e ligou o alerta de Zé Ricardo. Atacar ao menos? Não. Defender ainda mais. O flerte escancarado com o risco.

Já no intervalo, Evander, ainda uma opção de passe e chute de média distância, deixou o campo para dar lugar à contenção de Jean. Maior fôlego, disposição, menor criatividade. Talvez a opção de Zé Ricardo tenha sido reforçar a marcação num meio onde Thiago Neves jogava livre, com trocas com Arrascaeta constantemente. Mano entendeu a senha do rival. Sacou Lucas Silva, volante, e pôs Alisson, meia-atacante. Robinho recuou alguns passos, mas o Cruzeiro atacava em bloco um Vasco muito acuado em campo.

Cruzeiro ao fim: meias com fartura e pressão

A esperança na vitória residia, principalmente, em dois nomes. Martín Silva, impossível, operava milagres na meta vascaína bombardeada 19 vezes de acordo com o site Footstats. E Anderson Martins, seguro, tinha sucesso em antecipações. Zé tentou manter mais a bola com o Vasco ao tirar Paulinho para a entrada de Vasco. Mas o time praticamente jogava em um 4-4-2, mantendo Nenê e Andrés Ríos, ambos em tarde ruim, à frente. Era convidativo demais até mesmo ao pragmático Mano Menezes. Que tirou Robinho e pôs Judivan, atacante, em campo. Organizou o Cruzeiro no que parecia um 4-1-3-2. À frente da defesa, Henrique. Daí até o ataque, apenas jogadores bem ofensivos. Rafinha, De Arrascaeta, Alisson, Thiago Neves, Judivan. Meias com fartura. Campo ocupado.

Vasco ao fim: ainda mais fechado

Com a troca de Nenê por Mateus Vital, Zé Ricardo deixou Jean à frente da zaga e manteve um 4-1-4-1, com André Ríos isolado no ataque. Entregava campo e apostava no contra-ataque para liquidar a partida. O segundo gol quase veio, mas Pikachu bateu fraco na saída de Rafael e Romero salvou em cima da linha. Foi exceção. A regra indicava que inúmeras camisas azuis trocavam passes na frente da área vascaína e obrigavam Martín Silva a se tornar a principal figura da partida. Uma cartada arriscada demais de Zé Ricardo. Mas que conseguiu atingir o objetivo no Mineirão.

O Vasco chega na última rodada do Campeonato Brasileiro com chances muito reais de classificação para a Libertadores de 2018. É inegável o mérito de Zé Ricardo na reconstrução do time, ao se livrar da degola de forma antecipada. Mas a prioridade à defesa, por vezes, prejudica o time. Obviamente é necessário ter um sistema defensivo eficiente. Ainda assim, o Vasco pode deixar a zona de classificação nesta segunda-feira, caso o Botafogo vença o Palmeiras fora de casa. Tivesse priorizado mais o ataque, os vascaínos não certamente não sofreriam tanto e o panorama fosse ainda melhor. O risco no Mineirão não precisava ser alto demais.

FICHA TÉCNICA:
CRUZEIRO 0X1 VASCO

Local: Mineirão
Data: 26 de novembro de 2017
Horário: 17h
Árbitro: Raphael Claus (SP)
Público e renda: 12.212 pagantes / 14.930 presentes / R$ 256.355,00
Cartões amarelos: Thiago Neves, Bryan e Léo (CRU) e Wellington e Henrique (VAS)
Gol: Paulão (VAS), aos 20 minutos do primeiro tempo

CRUZEIRO: Rafael; Lucas Romero, Léo, Digão e Bryan; Lucas Silva (Alisson, 10’/2T) e Henrique; Rafinha, Thiago Neves e Robinho (Judivan, 29’/2T); De Arrascaeta
Técnico: Mano Menezes

VASCO: Martín Silva; Madson, Paulão, Anderson Martins e Henrique; Wellington e Evander (Jean / Intervalo); Yago Pikachu, Nenê (Mateus Vital, 23’/2T) e Paulinho (Wagner, 16’/2T); Andrés Ríos
Técnico: Zé Ricardo