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No sexto empate no Brasileiro, a clara falta de ideias de um Flamengo estagnado

Guerrero Flamengo Cruzeiro Mineirão 2017

Guerrero Flamengo Cruzeiro Mineirão 2017

O baque da eliminação vexaminosa na Libertadores foi tão grande que fez o Flamengo se esfarelar. Até ali havia somado bons jogos na temporada. Foram cinco boas apresentações na própria competição sul-americana, a semifinal e finais do Estadual. Troca de passes, tabelas, embora ainda lançasse mão de cruzamentos com insistência. Parecia promissor. Após a derrota para o San Lorenzo, no entanto, a falta de confiança e concentração parecia indicar uma queda sem fim. Não.

O Flamengo até elevou o nível novamente, mas, muito dependente das individualidades, não voltou ao padrão coletivo anterior. Precisaria retomar seu jogo para a partir dali, sim, evoluir com as contratações. Nada. O empate em 1 a 1 com o Cruzeiro indicou que a equipe está mesmo estagnada. Parece esgotada de ideias. Presa a um pensamento só. Um jogo muito aquém de um elenco tão recheado de peças de qualidade.

Cruzeiro no primeiro tempo: espera

O trabalho de Zé Ricardo no Flamengo sempre prezou pela consistência. Raramente perdia. Continua até perdendo pouco, ainda mantém forte organização defensiva. Mas agora vence menos. O repertório ofensivo parece menor. O empate contra o Cruzeiro foi o sexto no Campeonato Brasileiro em 14 jogos. Muito por que o time se tornou previsível aos adversários. Observe o Cruzeiro: em pleno Mineirão, a equipe de Mano Menezes não ficou ruborizada ao se encolher no campo na maior parte do tempo, deixando Thiago Neves e Rafael Sobis à frente para esperar um cruzamento do Flamengo e partir em contra-ataque. Sabia é uma estratégia eficaz. Sim, o time carioca telegrafou aos rivais que a ideia de jogo atual é simplória. Cruzamento ou individualidade.

Basta, então, se fechar contra o Flamengo, afastar o seus pontas e deixá-lo girar com a bola até o cruzamento. Foi o que o Cruzeiro pacientemente fez. Não sentiu grande temor. Everton Ribeiro, empacotado na direita, não conseguia dialogar com Diego. Aí um grande problema. O camisa 35, centralizado e responsável por reter a bola e organizar a equipe até a lesão no joelho direito, passou a recuar excessivamente ao campo defensivo para iniciar o jogo. Por vezes, Everton Ribeiro também demonstrou impaciência para esperar a bola e repetiu o movimento do companheiro. Esvaziaram o ataque para assumir uma função dos volantes. O que resta? A bola longa.

Flamengo no início: toca, toca e….

Uma esticada para Guerrero, em combate ferrenho contra os defensores que o caçam, matar no peito e fazer o pivô para a ultrapassagem, principalmente, de Everton pela esquerda. A rigor, o Flamengo levou perigo uma vez. Pelo chão. Diego recuou, Everton caiu pela direita e tabelou com o peruano, aparecendo na área para bater cruzado e quase abrir o placar. Rodinei também subia demais pela direita. Mas deixava campo para o Cruzeiro trabalhar. Por ali Diego Barbosa tentava achar Alisson e Thiago Neves. Segundos que poderiam dar ao Cruzeiro a vitória no contra-ataque. Por ali nasceram as melhores opções ofensivas do time da casa. Por ali Thiago Neves recebeu de Diogo Barbosa e cruzou rasteiro. Sobis quase completou. Um primeiro tempo óbvio.

No segundo, Mano Menezes tentou liberar mais o time. O Flamengo agredia pouco, por mais que tenha ficado com a bola em quase 70% do tempo. Mais avançado, o Cruzeiro, de novo pela esquerda, quase abriu o placar por duas vezes, em uma delas só não fez por um intervenção providencial de Renê ao tirar a bola dos pés de Elber. Mas aí a ironia. Uma saída rápida do Flamengo, em jogada que começou com o goleiro Thiago para Renê na esquerda. Daí para Guerrero, centralizado como um meia, ajeitar para o cruzamento de Rodinei na direita. Everton apareceu como uma flecha e, de cabeça, tocou no canto de Fábio. Um belo gol. 1 a 0. Mas claramente era irreal diante do panorama do jogo. Bastaram seis minutos.

Cruzeiro no segundo tempo: mais agressivo

Mano sacou Elber e colocou Sassá, pura velocidade, para acelerar diante da defesa. O Flamengo de Zé Ricardo paga por manter jogadores que tecnicamente não conseguem entregar, comprometem o coletivo e ajudam a deixar pontos pelo caminho. Rafael Vaz é um deles. De novo titular, ele já falhara no primeiro tempo ao não cortar uma bola que deixou Thiago Neves na cara de Thiago para finalizar. Desta vez, não acompanhou Sassá entrando na área depois da enfiada de bola de Diogo Barbosa. Deixou Rever vendido. O toque foi sutil. 1 a 1. E o Cruzeiro deu campo novamente.

Flamengo ao fim: bola no Geuvânio

A partir daí, o Flamengo claramente ficou ansioso. Talvez pela plena consciência da necessidade extrema da vitória. Talvez porque falte ideias para atacar. Uma tabela bem trabalhada, um jogo pelo meio sem depender tanto das pontas. Geuvânio já entrara na direita no lugar de Everton Ribeiro. Mais um tempo, Zé saiu do 4-2-3-1 para o 4-1-4-1, como fizera contra o Grêmio. Sacou Cuellar, pôs Mancuello em campo ao lado de Diego por dentro, com Geuvânio e Everton nas pontas. Durou seis minutos. Foi o tempo suficiente para tirar Diego e colocar Berrío na ponta direita. Geuvânio deu alguns passos para dentro do campo e virou a esperança rubro-negra na partida. Na base da individualidade. Driblava um, dois, três e era desarmado simplesmente por não saber como prosseguir a jogada. Um time estagnado de ideias.

Foram 27 cruzamentos rubro-negros, com quatro finalizações. Apenas uma no gol. Mesmo com apenas 40% de bola no pé, de acordo com o site Footstats, o Cruzeiro arrematou mais vezes ao gol: dez no total, três na meta. Há vastas opções no elenco rubro-negro. Diego Alves foi anunciado. Sim, falta tempo para treinamentos, mas Zé Ricardo é o técnico há mais tempo no comando deu uma grande equipe do futebol brasileiro. Seu trabalho se desintegrou e não voltou ao patamar. É um rascunho do Flamengo que mantinha o controle dos jogos, gostava da trocava passes, apresentava tabelas mesmo com peças de menor qualidade. Não falta elenco. Não faltam jogadores de bom nível, capazes de decidir jogos. Faltam ideias a um Flamengo estagnado que vê a temporada passar.

FICHA TÉCNICA
CRUZEIRO 1X1 FLAMENGO

Local: Mineirão
Data: 16 de julho de 2017
Horário: 16h
Árbitro: Rodolpho Toski Marques (PR)
Público e renda: 39.976 pagantes / 43.480 presentes / R$ 1.349.516,00
Cartões amarelos: Lucas Silva, Rafael Sobis e Lucas Romero (CRU) e Geuvânio (FLA)
Gols: Everton (FLA), aos oito minutos do segundo tempo e Sassá (CRU), aos 14 minutos do segundo tempo

CRUZEIRO: Fábio; Lucas Romero, Léo, Murilo e Diogo Barbosa; Arel Cabral e Lucas Silva (Nonoca, 20’/2T); Elber (Sassá, 13’/2T), Thiago Neves e Alisson; Rafael Sobis (Rafael Marques, 28’/2T)
Técnico: Mano Menezes

FLAMENGO: Thiago, Rodinei, Rever, Rafael Vaz e Renê; Márcio Araújo e Cuellar (Mancuello, 31’/2T); Everton Ribeiro (Geuvânio, 21’/2T), Diego (Berrío, 37’/2T) e Everton; Guerrero
Técnico: Zé Ricardo