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Nomes novos e o dissipar da pressão: a virada do Vasco sobre o América-MG

Bruno Cosendey Vasco gol

(Flickr / Vasco)

Kelvin Vasco gol Brasileiro 2018 volta

(Flickr / Vasco)

O necessário ao Vasco era vencer não para conquistar os três pontos, avançar na tabela do Campeonato Brasileiro. Ou mesmo para se recuperar da bofetada que levou do Cruzeiro na Libertadores. Era emergencial vencer para dissipar minimamente a tensão que pairava sobre o clube. Eliminação na competição sul-americana, invasão em treino, briga política e horas antes do confronto com o América-MG a saída de 12 vice-presidentes da gestão Campello. Um pacote de combustão para explodir o ambiente de vez em caso de derrota. Mas a virada veio. Goleada, com bom jogo no segundo tempo e novas caras. Por uma rodada mais, o Vasco conseguiu sobreviver. Respirar.

Vasco já sem Thiago Galhardo: Cosendey no meio e velocidade aos lados

Zé Ricardo tem, como dito de forma cansativa, um elenco na conta do chá. Trabalha com óbvias limitações. Por isso até causava dúvidas o porquê não recorrer a mais garotos. Oxigenar o time, tentar colocá-los em campo. Testar possibilidades. Em parte, ele deu um primeiro passo ao escalar o veloz Caio Monteiro pelo lado esquerdo, na vaga do lesionado Rildo, que já substituíra o também lesionado – e negociado – Paulinho. O garoto tinha até então 326 minutos em sete jogos no Carioca e dois na Libertadores.

No 4-2-3-1, o Vasco tinha Thiago Galhardo por dentro, Caio Monteiro na esquerda e Pikachu na direita. Era claro que Zé pretendia explorar os lados com maior velocidade. Talvez a ideia justificasse por ter pela frente um América-MG que, assim como fez com o Flamengo, retraiu-se em busca do contra-ataque. Um 4-4-2 com Serginho e Rafael Moura à frente, mas apostando Aylon e Marquinhos pelos lados. Na saída dos jogadores, o Vasco tentaria explorar. Fazer logo um gol. Dissipar logo a pressão. A tensão, clara na arquibancada, era sentida a cada grunhido que surgia em passe errado. Principalmente com Wellington.

América no início: postura retraída, em busca de contra-ataques

O volante parece já ser um reflexo do que Márcio Araújo era nos tempos de Zé Ricardo no Flamengo. Homem de confiança, com limitações técnicas e mantido no time mesmo sob pressão e más apresentações. As vaias da arquibancada, então, eram até certo ponto naturais. Principalmente porque o Vasco tinha a bola, mas não estava bem. Tentava acelerar o jogo pelos lados, mas acaba bloqueado. A bola voltavam ao meio, com Desábato iniciando o jogo, chamando quem começar. O América, por sua vez, tentava escapar justamente pelos lados e lançar bolas na área. Em uma dessas, Galhardo chegou atrasado em Norberto e cometeu pênalti claro. Parecia que tudo ia piorar para o Vasco. Mas, na verdade, melhorou.

Ainda que Rafael Moura tenha convertido bem a penalidade, fazendo 1 a 0 no placar, Thiago Galhardo acabou lesionado no lance e foi substituído. Zé Ricardo deixou Wagner, ainda em recuperação de uma virose, ficou no banco e Bruno Cosendey, garoto da base, entrou em campo. Nos 26 jogos da temporada até então, o garoto de 21 anos tinha disputado apenas 30 minutos no ano. Primordialmente, é volante. Mas entrou no meio para fazer o jogo girar. Em vez da aceleração de Galhardo, o pensar de Cosendey. Melhorou. O time ficou mais com a bola no ataque, esperando ultrapassagens. Yago Pikachu se sentia à vontade para subir, assim como Galhardo.

Ao fim, força continuou pelo lado direito, com Kelvin

Houve tempo necessário para Enderson Moreira entender o que estava acontecendo. Mas no segundo tempo o time se encolheu ainda mais. A marcação pelo meio, com Juninho e Wesley, afrouxou. Cosendey achou mais espaço. Não só para pensar o jogo como para entrar na área. Mas o Vasco inverteu a lógica. Pendeu mais ao lado esquerdo. Por ali, explorou a velocidade de Caio Monteiro em cima de Norberto, que passou a buscar mais o ataque. Deu campo. E o Vasco aproveitou. Paulão, ainda do campo defensivo, lançou Caio Monteiro na esquerda. Ele passou por Norberto e Marquinhos para cruzar bem para Bruno Cosendey, entre os zagueiros. 1 a 1. Foi um empate no placar, mas o domínio do jogo – e até psicológico – estava do lado vascaíno.

Ao fim, América manteve a postura e buscando os lados

O baque foi tão grande ao América que o time permitiu ao Vasco marcar o gol da virada de forma igual. Lançamento de Paulão para a esquerda. Desta vez, Cosendey, que alternava com Caio Monteiro, tocou de cabeça para o garoto, no meio da área, finalizar ao gol. 2 a 1. Tarde demais, Enderson Moreira tentou remendar o seu time. Quis diminuir espaços de Rafael Galhardo e Pikachu pela direita ao trocar Marquinhos por Capixaba, que foi à esquerda, com Aylon à direita. Zé respondeu com Wagner na vaga de Rafael Galhardo, recuando Pikachu. Caio Monteiro saiu para a entrada de Kelvin, pela direita. O América-MG teve dificuldades de onde vigiar. Esquerda ou direita?

Na indecisão, nem um lado nem outro. Mas o Vasco preferia Kelvin e seus dribles pela direita. Uma nova opção. Carlinhos sofria, Capixaba retornava para ajudar. O América perdeu o seu fôlego. Abdicou do ataque. Mas não conseguiu evitar os gols. Ríos, em jogada de Kelvin, ampliou. E o próprio Kelvin, após lançamento de Desábato, aproveitou mais um vacilo do miolo de zaga, e tocou de cabeça para aliviar a pressão momentaneamente. 4 a 1.

Há novas ideias para Zé trabalhar. Nomes para tentar amenizar os seguidos desfalques de um elenco mais limitado. Sim, o Vasco tende a sofrer fora de campo ainda por muito tempo. Mas é no campo o caminho para esvaziar a pressão. Um respiro que o time conseguiu.

FICHA TÉCNICA
VASCO 4×1 AMÉRICA-MG

Local: São Januário
Data: 05 de maio de 2017
Horário: 19h
Árbitro: Flávio Rodrigues de Souza (SP)
Público e renda: 3.311 pagantes / 3.683 presentes / R$ 91.950,00
Cartões Amarelos: Thiago Galhardo, Werley e Wellington (VAS) e Wesley, Norberto e Rafael Moura (AME)
Gols: Rafael Moura (AME), aos 31 minutos do primeiro tempo e Bruno Cosendey (VAS), aos 11 minutos e Caio Monteiro (VAS), aos 17 minutos e Andrés Ríos (VAS), aos 33 minutos e Kelvin (VAS), aos 45 minutos do segundo tempo

VASCO: Martín Silva; Rafael Galhardo (Wagner, 20’/2T), Paulão, Werley e Henrique; Desábato e Wellington; Yago Pikachu, Thiago Galhardo (Bruno Cosendey, 33’/1T) e Caio Monteiro (Kelvin, 24’/2T); Andrés Ríos
Técnico: Zé Ricardo

AMÉRICA-MG: João Ricardo; Norberto, Messias, Rafael Lima e Carlinhos; Juninho e Wesley; Marquinhos (Capixaba, 14’/2T), Serginho (Judivan, 41’/2T) e Aylon; Rafael Moura (Ruy, 27’/2T)
Técnico: Enderson Moreira