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O 10 que veste a 35 e os meninos: Fla mescla gerações e amadurece para vencer

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Impossível abordar a partida do Flamengo diante do Madureira sem observar o misto de maturidade e jovialidade que construiu a vitória rubro-negra por 4 a 0. Coube aos veteranos Diego e Guerrero a pavimentação do caminho para goleada, coroada com lances de tirar o fôlego dos meninos Vizeu e Paquetá. Uma mescla que geralmente traz bons frutos para o desenvolvimento de uma equipe. Sorte de um time que tem um 10 que veste a 35. Ponto para a ideia de Zé Ricardo por apostar na mescla de diferentes gerações.

Mas a partida esteve longe de ser fácil. Mesmo com jogadores poupados, PC Gusmão trancou o Madureira no primeiro tempo com duas muralhas de quatro jogadores para impedir o desenrolar do meio de campo do Flamengo. Mancuello e Everton acabaram empurrados para as pontas no 4-2-3-1 tradicional do time. Rômulo e, principalmente, Willian Arão tinham dificuldade para dar fluidez ao jogo do Flamengo. Coube, então, explorar o jogo aéreo. Mas faltou calibrar o pé. No total foram 26 cruzamentos do time na primeira etapa, de acordo com o Footstats. 15 apenas em escanteios. Todos errados, sem dar resultado. Mas o Flamengo tem Diego.

Início de jogo no tradicional 4-2-3-1

Ele veste a camisa 35, mas poderia, perfeitamente, envergar a 10 sem embaraço algum. É o tipo de meia que qualquer time gostaria de ter. Chama o jogo, prende a bola, limpa a jogada, vê espaços. Observe Diego jogar. Antes de receber o passe, invariavelmente ele olha para os dois lados à sua frente. É o projetar da jogada. Assim que a recebe, sabe o que fazer. Drible, passe de primeira, lançamento. É um craque com trejeitos clássicos, mas que se adapta perfeitamente ao jogo moderno. Entrega-se na frente e atrás. E o jogo do Flamengo passa muito por ele. Tê-lo como válvula de escape é um conforto para dias difíceis.

Como neste domingo. Foi ele quem sofreu a falta que resultou na expulsão de Alex Moraes, zagueiro adversário, e na consequente desarrumação momentânea do valente Madureira, até então invicto no Carioca. No lance seguinte, o Tricolor Suburbano ainda tentava se encontrar quando Diego deu combate de carrinho no zagueiro rival. A bola espirrou, a defesa rebateu de cabeça e a bola se ofereceu aos pés de Diego, dentro da área. Ele ajeitou o corpo para um lado e encheu o pé, no alto, do outro. Contrapé do goleiro. 1 a 0. Flamengo desafogado.

4-1-4-1 com Paquetá mais à frente

No segundo tempo, natural que o Madureira se reforçasse ainda mais na defesa, tenta minimizar o impacto de perder um zagueiro. Organizado, o time quase empatou com três minutos, quando Trauco bobeou na defesa e Esquerdinha, após cruzamento da esquerda (perdão pela redundância), mandou a bola na trave com a cabeça. Com Willian Arão em tarde de pouca inspiração, Zé Ricardo o sacou e colocou em campo Lucas Paquetá. Canhoto, cria da base, ele teria a função de fazer dupla de volantes com Rômulo quando o time defendesse. No ataque, aproximação com Diego, com Everton e Mancuello encostando dos lados para dentro, formando um 4-1-4-1. O time melhorou. Segundos depois Trauco lançou Guerrero pela esquerda, que entrou na área e carimbou de esquerda. Sexto gol do atacante no ano, quinta assistência do lateral.

Guerrero, então, sentiu o desgaste, a coxa esquerda reclamou e ele deu lugar a Vizeu. Mais um garoto da base em campo, recém-chegado da seleção brasileira sub-20, como Paquetá. Momentos depois de entrar, Vizeu fez jogada de ponta e tocou para Mancuello, no meio da área, ampliar. Estava fácil. Um Flamengo mais bem definido. Com a saída de Diego, Mancuello assumiu de vez o lugar no meio e Gabriel fez o lado direito. Toques mais fáceis, um adversário rendido e um Flamengo mais bem postado. Aí chegou a obra-prima da noite. Paquetá lançou Mancuello pelo meio. O argentino dividiu com o goleiro fora da área e, no rebote, o garoto traduziu o talento em gol, com um toque por cobertura para rever por dias. Golaço. Valeu, então, pela etapa final e pela goleada. Flamengo rejuvenescido, com peças à vontade. Cinco vitórias em cinco jogos, 17 gols marcados e dois gols sofridos. Mais à vontade na alternância de sistemas, o time de Zé Ricardo chega mais maduro à semifinal da Taça Guanabara diante do rival Vasco.

FICHA TÉCNICA:
FLAMENGO 4X0 MADUREIRA

Local: Estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda (RJ)
Data: 19 de fevereiro de 2017
Horário: 17h
Árbitro: João Batista de Arruda
Público e renda: 4.734 pagantes / 6.276 presentes / R$ 109.430,00
Cartões amarelos: Guerrero e Diego (FLA)
Carão vermelho: Alex Moraes (MAD)
Gols: Diego (FLA), aos 45 minutos do primeiro tempo e Guerrero (FLA), aos 19 minutos e Mancuello (FLA), aos 22 minutos e Lucas Paquetá, aos 35 minutos do segundo tempo

FLAMENGO: Alex Muralha; Pará, Rever, Rafael Vaz e Trauco; Rômulo e Willian Arão (Lucas Paquetá 19’/2T); Mancuello, Diego (Gabriel 24’/2T) e Everton; Guerrero (Vizeu 21’/2T)
Técnico: Zé Ricardo

MADUREIRA: Rafael Santos; Diego Guerra, Jorge Fellipe e Alex Moraes; Ruan, Rezende, Wanderson (Walney, 15’/2T), Esquerdinha (Soares, 24’/2T), Luciano Naninho (Vitinho / Intervalo) e Wellington Saci; Julio Cesar
Técnico: PC Gusmão

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