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O bastão foi passado: a geração dominante da Seleção de Tite já é outra

Neymar Philippe Coutinho Seleção Brasileira Brasil Argentina Mineirão

Neymar Philippe Coutinho Seleção Brasileira Brasil Argentina MineirãoBastaram a revolução de Tite no comando da Seleção Brasileira e a enxurrada de vitórias para a discussão vir à tona. Com um sorriso de canto de boca, indicando uma satisfação com grande triunfo, muitos perguntaram, ironicamente. “Ué, a geração não era fraca?”. Uma tolice que não encontra sustentação nem mesmo nos fatos. Sim, gerações recentes de jogadores brasileiros foram criticadas. Mas a que colecionou pancadas diante de insucessos, tanto em resultado quanto em desempenho, não é a que forma o time de Tite. O bastão foi passado. A geração atual já é outra.

Pela definição do dicionário, todos nascidos em um período de 25 anos pertencem à mesma geração. No futebol, claro, fazer essa divisão seria impossível. Raras são as carreiras que chegam a 25 anos. Costuma-se, então, separar as turmas por décadas. Zico e Romário são de gerações diferentes. O Baixinho e Ronaldo, também. O Fenômeno e Ronaldinho, idem. Até jogaram juntos, mas pertenciam a diferentes gerações. A diferença é que todas primavam por excelência. Eram dominantes. Não havia espaço para crítica técnica. Recentemente foi diferente.

As críticas foram direcionadas, principalmente, aos elencos de 2010 e 2014. Um período que vai figurar nos livros como entressafra. Basta analisar o time criticado na última Copa. Eram oito jogadores nascidos na década de 80, dois na década de 90 e um, o goleiro Julio Cesar, nos anos 70. O talento do time, Neymar, é o protagonista até hoje. E jamais foi criticado por sua técnica. Pelo contrário. Era tratado justamente como exceção das diversas escalações brasileiras. Hoje já têm pressa para colocá-lo no topo do mundo. Mas agora pegue o time ideal de Tite.

Seis jogadores nasceram na década de 90: Alisson, Marquinhos, Casemiro, Philippe Coutinho, Neymar e Gabriel Jesus. Salvo o goleiro, reserva na Roma, todos destaques em suas equipes europeias. Completam o time, em minoria, os oitentistas Paulinho, Daniel Alves, Miranda, Marcelo e Renato Augusto. É muito claro. O bastão passou. A geração dominante na Seleção Brasileira hoje não é mais a de 2014. Inverteu-se. É outra. Melhor tecnicamente a olhos vistos.

A explosão de talentos brasileiros desde a Copa de 94 acostumou mal torcedores e críticos. Os destaques da Seleção Brasileira dominavam o mundo da bola, tanto em clubes europeus quando em campeonatos de times nacionais. Romário, Ronaldo e Rivaldo fizeram em gigantes europeus e com o time brasileiro. Roberto Carlos e Cafu, idem. Ronaldinho. Kaká. Até Adriano. Um Brasil imponente até o naufrágio na Copa de 2006 diante da França. E que viveu seu canto do cisne com a eleição de Kaká para melhor do mundo em 2007. Houve, então, a entressafra passível de críticas absolutamente válidas.

É inegável que o elencos e times das Copas de 2010 e 2014 eram inferiores ao patamar histórico do Brasil. Estavam tecnicamente abaixo. Críticas pertinentes. Os times poderiam ser competitivos, como ocorreu em 2010 inclusive. Mas sem o brilho. A chegada de um técnico como Tite, óbvio, é fundamental. Mas a geração é bem melhor do que as últimas. A retomada acontece agora. É desonesto colocar todos no mesmo pacote e deturpar argumentos para vencer o discurso, com ironias e risadas de canto de boca. Hulk e Coutinho não são da mesma geração. Tampouco Gabriel Jesus e Fred. A geração dominante é outra. O bastão foi passado. São fatos. O restante é história.

Confira os times divididos por décadas

Seleção atual:

Década de 90: Alisson (92), Marquinhos (94), Casemiro (92), Coutinho (92), Neymar (92) e Gabriel Jesus (97)

Nascidos década de 80: Daniel Alves (83), Miranda (84), Marcelo (88), Paulinho (88) e Renato Augusto (88)

Copa 2014:

Década de 90: Neymar (92) e Oscar (91)

Década 80: Thiago Silva (84), David Luiz (87), Marcelo (88), Fernandinho (85), Maicon (81), Fred (83), Hulk (86), Paulinho (88)

Década de 70: Julio Cesar (79)

Copa 2010:

Década de 80: Michel Bastos (83), Felipe Melo (83), Daniel Alves (83), Robinho (83), Luis Fabiano (80), Maicon (81), Kaká (82)

Década de 70: Julio Cesar (79), Lúcio (78), Juan (79), Gilberto Silva (76)

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