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O clássico como laboratório: Vasco e Flu usam confronto apenas para testar ideias

Marcos Junior Paulão Fluminense Vasco Carioca 2018

(Flickr Fluminense)

Gilberto Henrique Vasco Fluminense Engenhão Carioca 2018

(Flickr / Fluminense)

Diante de um campeonato tão escasso em atrativos é difícil convencer até mesmo os profissionais envolvidos a encontrar motivação para encarar um clássico. O Carioca tem dessas. Banalizou encontros históricos entre rivais de tal maneira que se torna pouco sedutor para a arquibancada e também para o campo. A maneira a encarar tais encontros, portanto, é como simples testes. Assim fizeram Zé Ricardo e Abel Braga no Engenhão, em um empate sem gols entre Vasco e Fluminense que praticamente não vai deixar rastros no currículo do clássico.

Em sua frente, o Vasco enxerga a Libertadores, já na mente com a Universidad de Chile, que recebe na próxima semana em sua estreia na fase de grupos da competição continental. Ainda que esteja em sexto na classificação geral do Carioca e possa nem figurar nas semifinais, Zé Ricardo deixou claro que tem outras prioridades. Portanto, tratou de aproveitar o rival de nível mais elevado do que a maioria dos oponentes no Estadual para testar ideias.

Vasco no início: três zagueiros e ataque velocista

Lançou a campo um 3-5-2 com Paulão, Erazo e Werley na defesa. Talvez uma tentativa de evitar que os gols saiam com tanta facilidade a ponto de comprometer o time na Libertadores, o que quase ocorreu na goleada sofrida para o Jorge Wilstermann na fase preliminar da competição. Buscava, então, maior solidez defensiva. Tentou com isso dar mais liberdade a Pikachu e Henrique como alas, trabalhando com dois velocistas no ataque: Riascos e Rildo. Muita correria, pouco pensamento. Faltava melhor criação ao Vasco. Wagner deveria ser o responsável por fazer o time pensar menos. Mas lento, sem velocidade para cumprir o vaivém entre defesa e ataque, pouco ajudou. Richard e Jadson o acompanharam bem.

Com isso, o Fluminense se mostrou melhor. Mesmo com a tentativa do rival em espelhá-lo com os três zagueiros, a vantagem inicial foi tricolor. Natural, já que há ao menos dois meses o time atua com três zagueiros. Mas como bem observou Carlos Eduardo Mansur em sua coluna n´O Globo, o Tricolor se apresenta, sim, em um 3-4-3. Sornoza e Marcos Junior jogam praticamente alinhados um pouco atrás de Pedro. Trocam de lado com frequência para dificultar a marcação. Com a ultrapassagem dos velozes Ayrton Lucas e Gilberto pelos lados, o Fluminense consegue ser ofensivo. Assustou o Vasco justamente por aí. Explorando as pontas.

Flu no início: um 3-4-3 com Marcos Junior incansável

Pois com um sistema de três zagueiros é necessária uma cobertura eficiente pelos lados. Renato Chaves e Ibañez já entendem com mais naturalidade as passadas de seus alas. Paulão e Werley, ainda não. Com isso, as subidas de Ayrton Lucas e, principalmente, Gilberto pelo lado direito, às costas de Henrique, foram perigosas. O Vasco tentava contragolpear e conseguiu um bom arremate com Pikachu após tabela com Riascos. O jogo ficou concentrado pelas pontas. Pelo meio, os dois times preenchiam bem os espaços. O Fluminense só não abriu o placar porque Sornoza, de frente para Martín Silva, cabeceou para fora um cruzamento de Gilberto pelo lado direito. Um primeiro tempo nada empolgante.

Em 15 minutos no segundo tempo, o clássico ganhou em movimentação. Por muito pouco o placar não saiu do zero. O Fluminense, embora mais tempo com o esquema de três defensores, está longe de ter uma sincronia exata. Em um avanço até a intermediária, Ibañez errou o corte de uma bola lançada por Wellington. Ao tentar retomar posição, tentou dar um bote em Riascos, mas deu espaço para o cruzamento. O gol só não saiu porque Rildo, na pequena área, furou a bola que passou à sua frente.

Vasco ao fim: volta a dois zagueiros, Paulinho e Galhardo na criação

O clássico pedia velocidade. E os dois times aceleraram suas saídas de bola. Assim que a retomada era feita, a pedida era acelerar a bola. Pouco pensamento, bola acelerada. Abel parecia tentar esgarçar o ataque tricolor para aproveitar o desentrosamento da defesa vascaína. Marcos Júnior muito pela esquerda, Sornoza bem à direita. Ambos chamando Paulão e Werley para abrir espaços na entrada da área. Por ali, Jadson tentava infiltrar e Gilberto saía da ponta para o meio. Em uma tabela entre os dois, o ala quase marcou, mas a bola passou por cima do gol de Martín Silva. Em outra, Sornoza chutou de longe e carimbou a trave do uruguaio. Já faltavam pernas ao Vasco para desempenhar o papel razoável da primeira etapa.

Ao fim, Abel lançou-se aos testes: dois zagueiros e três volantes de ofício

E os técnicos se lançaram a novos testes no meio do segundo tempo. Se Zé Ricardo desfez o esquema com três zagueiros ao trocar Werley por Paulinho, formando um 4-4-2 com o garoto e Thiago Galhardo na criação, Abel fez o mesmo quatro minutos depois. Tirou Ibañez e pôs Douglas em campo. Três volantes de ofício e Sornoza em um 4-4-2, com Robinho, com pernas frescas, na vaga de Marcos Júnior à frente. O clássico ficou mais franco. Mas ainda mais corrido e pouco pensado. Sem chances mais claras, o teste para tricolores e vascaínos chegou ao fim.

Nos números, a vantagem na posse de bola do Fluminense chega a impressionar. 57%, de acordo com o Footstats. Tornou clara a estratégia vascaína: manter consistência defensiva e apostar na velocidade de Rildo e Riascos para incomodar o rival. A bola, no entanto, rondou sempre o seu terreno, colocando o gol vascaíno em perigo. Estratégia arriscada para a Libertadores. Aumentar o número de defensores não indica, simplesmente, elevar o nível da defesa cruzmaltina. E a criatividade da dupla Paulinho e Evander, este último fora do jogo, é crucial para o time ter uma melhor variedade ofensiva do que a simples correria.

Abel, por sua vez, não terá pela frente a Libertadores, mas ainda há o que ajustar. Se o time sofre menos gols do que em 2017, também tem maior dificuldade para marcá-los. Pensatas que ambos os treinadores levarão para a sequência da temporada. No fundo, o Carioca além das semifinais se tornou simplesmente isso: um imenso laboratório para os técnicos.

FICHA TÉCNICA
VASCO 0X0 FLUMINENSE

Local: Engenhão
Data: 07 de março de 2017
Horário: 19h30
Árbitro: Marcelo de Lima Henrique
Público e renda: 5.625 pagntes / 6.463 presentes / R$ 154.905,00.
Cartões Amarelos: Jadson, Richard, Renato Chaves e Gilberto (FLU) e Thiago Galhardo e Henrique (VAS)

VASCO: Martín Silva; Paulão, Werley (Paulinho, 26’/2T) e Erazo; Yago Pikachu, Desábato, Wellington, Wagner (Thiago Galhardo, 16’/2T) e Henrique; Rildo (Andrés Ríos, 34’/2T) e Riascos
Técnico: Zé Ricardo

FLUMINENSE: Júlio César; Renato Chaves, Gum e Ibañez (Douglas, 31’/2T); Gilberto, Jadson, Douglas, Sornoza e Marlon; Marcos Junior (Robinho, 25’/2T) e Pedro (Dudu, 35’/2T)
Técnico: Abel Braga

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