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O clássico do contraditório: apático, Vasco arranca vitória sobre o Fluminense

Maxi López Vasco gol Fluminense 2018

(Twitter / C.R. Vasco da Gama)

Maxi López Vasco gol Fluminense 2018

(Twitter / C.R. Vasco da Gama)

O embate entre Fluminense e Vasco no Maracanã se apresentou também como um convite ao contraditório. Seria natural esperar um Tricolor, às voltas com a semifinal da Copa Sul-Americana e no meio de tabela do Brasileiro, mais relaxado, talvez com mais reservas do que titulares. E, do outro lado, um Vasco sedento pela vitória, pronto para abrir ainda mais espaço para a zona de rebaixamento. A vitória 1 a 0 dos cruzmaltinos trouxe exatamente o oposto: foi o Fluminense o time mais empenhado pela vitória, com vários titulares, e com um futebol minimamente apresentável no Maracanã. Por vezes, o futebol não abre espaço para a lógica.

Tão logo foi divulgada a escalação tricolor houve espanto no Maracanã. Era numerosa a presença de titulares na equipe. Um sinal claro de Marcelo Oliveira: com 40 pontos na tabela o interessante seria alcançar os 43 de vez e praticamente eliminar qualquer chance de sofrer contra o rebaixamento e priorizar sem dilema algum a reta final da Sul-Americana. E um 3-5-2, o Fluminense entrou em campo mais adiantando, pressionando o Vasco, tentando invariavelmente forçar o jogo pelo lado esquerdo. Era ali, afinal, que contava com a dupla Ayrton Lucas e Matheus Alessandro. Qualidade e velocidade para tentar superar um Vasco que, apático, parecia sem sintonia alguma com sua situação na tabela.

Flu no início: três zagueiros e tentativa de ataque pela esquerda

Alberto Valentim se caracterizou neste início de carreira pela predileção por equipes com maior posse, com boa saída da defesa rumo ao ataque. Em um 4-2-3-1, o Vasco simplesmente contrariava qualquer resquício da ideia primordial de jogo de seu treinador. Natural que com as limitações técnicas do elenco Valentim adaptasse o seu jogo. Mas a irritação demonstrada pelo técnico à beira do gramado indicava que nada daquilo era combinado. Pressionado, o Vasco errava demais a saída de bola, principalmente com Willian Maranhão e Andrey. Marrony e Pikachu, pelos lados, pouco desafogavam o jogo e Fabrício, perdido frente aos três zagueiros tricolores era basicamente peça nula. Não buscava, por exemplo, movimentar-se aos lados como já fizera em outros jogos. Não há, por vezes, razões meramente táticas. O Vasco estava ali entregue de espírito. Inexplicavelmente.

Vasco no início: dificuldade de saída de bola e apático, sem velocidade

Era um panorama até desanimador, quase um símbolo da pobreza do futebol brasileiro atual. Um clássico importante, de duas equipes bem tradicionais do futebol carioca, era feio, em um Maracanã bem vazio. Com o pouco funcionamento do rival, o Fluminense se aproximou mais do gol no primeiro tempo. Iniciava o jogo pelos lados, mas rapidamente caía por dentro. Andrey e Wiliam Maranhão davam espaços às costas. Ayrton caía por ali e Luciano dava passos atrás para ocupar a faixa. O atacante, aliás, protagonizou as melhores chances do primeiro tempo. Uma cobrança de falta parcialmente espalmada por Martín Silva e que explodiu no travessão e uma finalização em cima do goleiro vascaíno, pela direita, após cruzamento de Matheus Alessandro. Com 61% de posse de bola, de acordo com o Footstats, e sete finalizações, o Fluminense trocou 255 passes no primeiro tempo. O Vasco, apenas 114. Um duelo desigual nos números e no campo. Mas o futebol…

Flu ao fim: dois zagueiros e dois pontas, buscando velocidade

O futebol é vez em outra um convite ao contraditório. Dificilmente em outro esporte coletivo uma equipe com números tão superiores ao rival correria risco de sair derrotado de campo. No segundo tempo, a parte vascaína da arquibancada já se irritava, como de praxe, com a atuação de Fabrício. Em dez minutos, Valentim atendeu aos anseios. Sacou o camisa 6 e pôs Thiago Galhardo em campo. Em segundos, um resultado difícil de explicar com a relação efeito e causa. Despretensiosamente, Galhardo recebeu bola esticada pelo direito e cruzou para a área. De forma até ingênua, Paulo Ricardo não pôs os braços atrás da corpo como é praxe a quase todo defensor no futebol mundial. Com o braço direito aberto, a bola acabou cortada. Pênalti bem assinalado que Maxi López cobrou com tranquilidade. 1 a 0.

Ao fim, um Vasco tentando saídas rápidas para aumentar a vantagem

O argentino chegou ao seu sétimo gol no Campeonato Brasileiro. E explica consideravelmente o nível do esporte praticado por aqui. Maxi é experiente e tem bons predicados. Segura a bola, sabe girar, boa finalização. Entende como atuar exatamente como referência. Mas praticamente não jogava no futebol italiano. Ainda um tanto fora de forma, o camisa 11 prova como o atalho para o sucesso aqui necessita apenas de uma pitada de qualidade técnica. Por ser minimamente diferente da maioria dos outros centroavantes, brilha. E faz o jogo do Vasco se basear em torno dele.

Marcelo Oliveira respondeu com o desmanche do sistema com três zagueiros. Paulo Ricardo deu lugar a Everaldo, aberto na esquerda com Matheus Alessandro à direita. Sornoza centralizou e Jadson tentava avançar ao ataque. Um 4-2-3-1 em busca de pressionar o Vasco, esgarçando a defesa rival. Ciente da dificuldade na partida, Alberto Valentim sacou Marrony e promoveu o retorno de Rildo após lesão. Buscou renovar o fôlego para se basear no contra-ataque. Solução simples em um clássico de futebol bem limitado. O Fluminense ainda se arriscou com Junior Dutra e Igor Julião, tentando forçar o lado direito. Digão perdeu chance na pequena área após cobrança de falta. foi pouco. No convite ao contraditório no Maracanã, o Vasco, apático e encolhido, levou para casa vitória fundamental na luta inglória que tem na tabela. E deixou o Fluminense, com 61% de posse e 21 finalizações ao fim da partida, com nós a desatar até o fim do Brasileiro.

FICHA TÉCNICA
FLUMINENSE 0X1 VASCO

Local: Maracanã
Data: 3 de novembro de 2018
Horário: 19h
Árbitro: Luiz Flávio de Oliveira (SP)
Público e renda: 12.728 pagantes / 14.275 presentes /  R$ 343.255,00.
Cartões Amarelos: Luciano e Ibañez (FLU) e Ramon e Leandro Castán (VAS)
Cartão vermelho: Sornoza (FLU), após o fim do jogo
Gol: Maxi López (VAS), aos 13 minutos do segundo tempo

FLUMINENSE: Júlio César; Ibañez, Paulo Ricardo (Everaldo, 18’/2T) e Digão; Léo (Igor Julião, 27’/2T), Richard, Jadson, Sornoza e Ayrton Lucas; Matheus Alessandro (Júnior Dutra, 31’/2T) e Luciano
Técnico: Marcelo Oliveira

VASCO: Martín Silva; Luiz Gustavo, Werley, Leandro Castán e Ramon; Willian Maranhão e Andrey (Raul, 37’/2T); Yago Pikachu, Fabrício (Thiago Galhardo, 11’/2T) e Marrony (Rildo, 26’/2T); Maxi López
Técnico: Alberto Valentim