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O dicionário moderno da bola – de novo

Há quase um ano e meio tracei algumas linhas no Esporte Final para levantar o debate sobre a comunicação nas análises de jogos. Havia um exagero claro do chamado tatiquês, o conjunto de expressões extremamente técnicas utilizadas para descrever um jogo de futebol. Era esse o debate: a forma de se comunicar de quem, na teoria, trabalha com….comunicação. Mas, claro, não foi entendido assim. A absorção foi de um ataque a dogmas estabelecidos. Recebi logo de saída uma enxurrada de bordoadas e ironias empacotadas como indiretas em redes sociais de integrantes da comunidade tática. Tons agressivos. Rancor. Quase um ódio. Uma contraditória aversão ao debate de quem tem como uma das principais bandeiras a discussão de novas ideias. E cá estamos 18 meses depois com o debate ainda muito vivo.

A bola nesta vez foi levantada por Mauro Cezar Pereira, da ESPN Brasil, e depois estendida por André Rizek e Marcelo Barreto, ambos do SporTV. Uma discussão saudável. E que segue por existir uma resistência à reflexão sobre a melhor maneira de se comunicar com o público que consome futebol, no fim de todo o processo. Jogo apoiado, compensação, jogo reativo – sinto falta do ignorado “proativo” nesses casos – último terço, agudo, futebol líquido, propor jogo, recomposição defensiva e tantos outros termos são lidos e ouvidos em análises de futebol com boa frequência. É o tatiquês em estado puro.

Para uma grande turma que trabalha com comunicação – e me incluo nela – são expressões que viram por vezes entraves para o melhor assimilar do conhecimento mais aprofundado sobre futebol. Acreditem. Existe uma parcela considerável de ouvintes/leitores/telespectadores que encontra dificuldade para captar a mensagem. Não porque são menos capazes intelectualmente. Simplesmente não estão acostumados a termos técnicos para tratar de um esporte tão popular. Ocorre o mesmo com o juridiquês e o economês, já num passo à frente desse processo e frequentemente adaptados para chegar ao grande público de forma compreensível.

O argumento mais comum para contra-atacar – olha o jogo reativo aí – quem propõe um debate sobre a maneira de se expressar é raso. “Quem estuda é criticado no Brasil. O novo é sempre combatido”. Fico na dúvida se é uma pura e simples falta de capacidade de entender o debate ou uma confusão deliberada. Responder laranjas com maçãs e não permitir o avanço da discussão diante da falta de argumentos razoáveis na defesa do discurso. Pois é óbvio que quase ninguém é contrário ao estudo, ao maior conhecimento de uma área. Não se trata disso. É um debate sobre comunicação encarado pela turma tática como uma boba aversão dos “velhos” sobre os “novos”. Uma visão talvez causada pela necessidade de se inserir como protagonista no ambiente do futebol. Herois de uma dita revolução. Calma lá.

É legítimo que inúmeros profissionais desejem se aprofundar no conhecimento e trabalhar diretamente com futebol, dentro de comissões técnicas, no dia a dia do clube. Muitos analistas têm esse desejo – alguns realizaram, outros ainda não. É justo. Mas no ofício de profissional de comunicação é dever se fazer entender melhor, não agir como pastores em busca da doutrinação com termos específicos. Postar-se como os propulsores da revolução, os doutores do saber. Promover uma divisão entre professores e alunos. Em seu nicho, a transição e jogo reativo são absolutamente naturais. Mas para debater ideias e mostrar suas análises com a maior abrangência possível é necessário se fazer entender melhor.

No início deste ano comprei o livro “A Pirâmide Invertida”, uma obra da Editora Grande Área sobre a história da tática no futebol. Seria compreensível que o tatiquês estivesse nas páginas com fartura. Que nada. Poucos termos são utilizados no ótimo livro, a compreensão é fácil e, por tabela, a absorção da mensagem feita por um número muito maior de leitores. Trata-se, afinal, de um intrumento de comunicação. Claro, provável que venha alguma enxurrada de indiretas – quase como ações orquestradas – novamente sobre mais esse texto.

Amo futebol, vivo o esporte diariamente e sei que um de seus principais – embora não o mais importante – seja a tática. Leio vários analistas, gosto de mostrar meu olhar sobre os jogos aqui no Chute Cruzado. Mas, rapaziada, a proposta levantada é um debate sobre a forma de se comunicar. Deixar o futebol menos física quântica. Desarmem-se. Abram-se para quem não os entende tão bem assim. O conhecimento será ainda mais espalhada. E, assim, todos os grupos de Whatsapp que vivem o futebol ficarão felizes.

  • Jesse James

    Vc(s) é/são MUITO BO(ns)M!!
    KEEP WORKING👍👍👌👊❗
    Vlw✌