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Ousadia não se paga: Fluminense cai diante do Atlético-PR e complica vaga na final

Junior Dutra Fluminense

(Fluminense / Flickr)

Ayrton Lucas Fluminense Sul-Americana 2018

(Fluminense / Flickr)

Marcelo Oliveira conseguiu levar o Fluminense a uma mínima consistência na temporada e a uma posição ao menos digna no Campeonato Brasileiro. Uma equipe que tenta equilíbrio entre defesa e ataque, não abdicando da bola como se tornou padrão na maioria das equipes nacionais. Competições mata-mata, no entanto, apresentam características peculiares, principalmente em ambientes hostis. Na Arena da Baixada, o explodir da arquibancada e o seu reflexo no time em campo são conhecidos. Manter a consistência defensiva como prioridade, conseguindo salvar o confronto da semifinal da Copa Sul-Americana seria essencial. O Fluminense tentou ousar. Agredir. Acabou abatido. Uma derrota de 2 a 0 que não mata o confronto, mas torna ainda mais espinhosa a travessia para a final da competição.

A estratégia adotada por Marcelo Oliveira saltou aos olhos logo nos minutos iniciais. Pressão forte no campo adversário, com jogadores adiantados, tentando complicar a saída de bola do time paranaense. Um 3-4-3, com Sornoza, Everaldo e Luciano mais avançados, iniciando a marcação no campo rival. Uma inversão de lógica. Se na Arena da Baixada o Atlético-PR é conhecido pela volúpia inicial, pressioná-lo poderia ser estratégia eficaz. Ocorre que o confronto tem 180 minutos. Queimar fôlego logo no início da empreitada não pareceu mais o indicado. Principalmente de um adversário tão perigoso como o Atlético-PR de Tiago Nunes.

No início, Atlético explorando as pontas, com muita velocidade

Não é possível esquecer completamente o time de alta posse de bola de Fernando Diniz. O Atlético-PR de Tiago Nunes ainda prefere a bola no pé, evitar chutões e sair ao campo rival de pé em pé. Mesmo pressionado. Mas a posse não é lenta. É vertical, busca o ataque, aplicando extrema velocidade. No 4-2-3-1, Marcelo Cirino e Nikão, pelos lados, causavam enormes problemas ao Fluminense, principalmente na saída de Ayrton Lucas. Novato, o garoto mostrou extrema dificuldade em tentar fechar o setor na mesma passada de Jadson, improvisado como ala direito. Com o time adiantado para pressionar o campo rival havia espaços para o Atlético-PR fazer o jogo idealizado. Campo para correr. Distância grande entre ataque, meio e defesa tricolores.

Flu no início: ousadia, avançado, mas também com espaços ao jogo rival

Cirino teve boa chance no início do jogo, driblando Julio Cesar, com Gum impedindo a bola de morrer no gol. O Fluminense respondeu com cabeçadas de Gum e Luciano, em excelente participação de Santos. Era exatamente assim. Um jogo empolgante, com as duas equipes em busca do ataque. Restaria saber quem abriria o placar. Era um risco calculado para o Fluminense. Agredir o Atlético-PR e possibilitando espaços na defesa ou ficar retraído, como um adaversário à espera do nocaute no ringue. Nessa troca de investidas, o Atlético-PR chegou ao gol justamente com um jogador do lado, o lateral-esquerdo Renan Lodi, buscando o centro. Finalizou uma, depois duas, até acertar o canto direito de Julio Cesar. 1 a 0. Seria, talvez, o recado certo para o Fluminense recuar alguns passos, fechar a defesa e buscar o contra-ataque. Na pior das hipóteses, não oferecer mais chances e manter a diferença mínima no Maracanã. De novo, o Tricolor inverteu a lógica.

Ao fim, um Atlético um pouco mais atrás, mas ainda com contra-ataques

Marcelo Oliveira manteve o Fluminense adiantado, por vezes com seis jogadores no campo do Atlético-PR enquanto o rival iniciava seu jogo. Pacientemente, o time de Tiago Nunes girava a bola de um lado a outro quando próximo à própria área. A partir daí, ganhava o meio com Lucho González e Bruno Guimarães, espetando bolas em velocidade para Cirino ou Nikão, sempre alternados. Um erro. Em um desses avanços fulminantes, Nikão passou pela direita, aproveitando o espaço dado por Ayrton Lucas e a indecisão de Digão de avançar ou não para cobrir o companheiro, rolou ao centro e Lucho chutou para defesa de Julio Cesar. A bola ainda beijou o travessão. E o Fluminense, aliviado, desceu ao vestiário apenas com um gol de desvantagem.

Ao fim, um Fluminense ainda avançado, com novos atacantes aos lados

No retorno ao segundo tempo, Marcelo Oliveira manteve a postura de pressionar a saída do rival. Inicialmente, houve melhora. Sornoza apareceu mais na partida, ocupando o setor às costas dos volantes, girando passes com Richard e Airton. Havia posse, aproximação. O meio tricolor funcionava, protegendo mais a defesa, forçando o Atlético-PR a tentar utilizar novamente os lados. Mas o domínio, sem finalizações perigosas, foi em vão. Tão logo Tiago Nunes reajustou o Atlético-PR, com as trocas de Lucho e Cirino por Wellington e Rony, o time da casa voltou ao seu estilo: extrema velocidade, lados explosivos, jogo vertical. A entrada do atacante, caindo pelas duas pontas do campo, foi determinante. Enquanto Marcelo tentava remodelar o Flu, sacando Airton, esgotado, para a entrada de Léo na ala e Jadson voltando à função original no meio. Mas o time, de tanto marcar adiantado, parecia já ter perdido o fôlego para ser combativo. Rony achou Pablo na grande área, a finalização encontrou o travessão de Julio Cesar. Em seguida, Renan Lodi alçou na área, Digão falhou na cobertura e Rony, fulminante, tocou de cabeça ao gol. 2 a 0.

Ali já ficara claro. A tentativa de inverter a lógica e pressionar o Furacão em seus domínios dera errado. Mesmo com leve vantagem na posse de bola, de acordo com o Footastats (56% x 44%), o Fluminense finalizou menos ao gol rival (17 x 14). A postura agressiva teria justificativa caso o sistema defensivo fosse confiável. Houve espaços demais diante de um rival que busca justamente atacar em velocidade, ser fulminante. O confronto apresenta balança muito desfavorável para o jogo de volta no Maracanã. A ousadia tricolor não se pagou em Curitiba.

FICHA TÉCNICA
ATLÉTICO-PR 2X0 FLUMINENSE

Local: Arena da Baixada
Data: 7 de novembro de 2018
Horário: 21h45
Árbitro: Mauro Vigliano (ARG)
Público e renda: 26.241 pagantes / 28.403 presentes / R$ 928.880,00
Cartões amarelos: Renan Lodi, Lucho González e Marcelo Cirino (ATL) e Ayrton Lucas e Everaldo (FLU)
Gols: Renan Lodi (ATL), aos 18 minutos do primeiro tempo e Rony (ATL), aos 32 minutos do segundo tempo

ATLÉTICO-PR: Santos; Jonathan, Thiago Heleno, Léo Pereira e Renan Lodi; Bruno Guimarães e Lucho González (Wellington, 8’/2T); Marcelo Cirino (Rony, 24’/2T), Raphael Veiga e Nikão; Pablo (Bergson, 47/2T)
Técnico: Tiago Nunes

FLUMINENSE: Julio Cesar; Ibañez, Gum e Digão; Jadson, Airton (Léo, 25’/2T), Richard e Ayrton Lucas; Everaldo (Marcos Junior, 41’/2T), Sornoza (Júnior Dutra, 34’/2T) e Luciano
Técnico: Marcelo Oliveira