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Placar igual, sentimentos bem distintos: o Fla-Flu de Cariacica

Luiz Fernando Cafu Fla-Flu Cariacica Taça Rio

Luiz Fernando e Cafu disputam bola no Fla-Flu de Cariacica

Luiz Fernando Cafu Fla-Flu Cariacica Taça Rio

Luiz Fernando e Cafu disputam bola no Fla-Flu de Cariacica: garotos tiveram vez no clássico

Ainda que a organização do Campeonato Carioca teime em esvaziar grandes clássicos com uma fórmula ruim, vale sempre observar um Fla-Flu. Um jogo que inverte a lógica mesmo quando tem pouco a valer em campo. Reservas superiores a titulares. E que teve um placar igual que não refletiu o que existiu em campo. Um 1 a 1 em Cariacica que certamente provocou sentimentos distintos nos times de Abel Braga e Zé Ricardo. Ambos têm o que pensar.

Antes da partida, Abel pediu desculpas por poupar os titulares, em sua maioria, para o jogo com o Liverpool, do Uruguai, na quarta-feira, pela Sul-Americana. Nem precisava. Seus garotos estavam motivados e foram a campo cientes do que deveriam fazer para bater o único invicto da competição. Um Flamengo desfalcado de Guerrero, Everton, Rever e Mancuello, poupados, mas com o grosso de seu time principal em ação.

Flu do início da partida em Cariacica

Geralmente no 4-3-3 ou 4-1-4-1, o Fluminense entrou em campo espelhado com o rival no 4-2-3-1. Mas números de telefone à parte, a estratégia era, basicamente, a mesma. Dar a bola ao rival e espetar contra-ataques com velocidade impressionante. Por isso, ao avançar, o Fluminense tinha três atacantes. Henrique Dourado à frente ladeado por Maranhão, à esquerda e Lucas Fernandes, muito veloz, pela direita. Bastou, então, o Flamengo apresentar seu problema de sempre.

Espaçado, o time de Zé Ricardo dava a bola para Márcio Araújo no início da jogada. O passe voltava aos zagueiros. E a desatenção, já quase tradicional, custava caro. Rafael Vaz entregou a bola nos pés de Lucas Fernandes e Henrique Dourado só não fez o gol na sequência porque Muralha saiu bem em seus pés. Logo depois, Márcio Araújo errou a saída de bola e Dourado, de novo, quase marcou em chute de longe. Mas Muralha, também mais uma vez, evitou a vantagem.

O Flamengo no início do clássico

O Flamengo jogava mal. Estava confuso. Tentava lançamentos. A bola batia e voltava. Cafu pela esquerda pouco mostrava o incessante fôlego de Everton, o que obrigava Trauco a evitar as caídas pelo meio. Diego, talvez pelo tempo sem jogo na Seleçao Brasileira, estava fora de sintonia. Tentava clarear os espaços de sempre, mas parecia não ter nem tempo de bola. Era presa fácil para um Flu que tinha o garoto Wendel no meio em boa noite, puxando os contra-ataques e aproveitando o espaço às costas dos volantes rubro-negros. O primeiro tempo terminou igual.

Na segunda etapa, times iguais, jogo igual. Flamengo ainda confuso, espaçado, sem saber usar as pontas. Berrío errava muito que tentava. Arão parecia não saber quando marcar e quando avançar. Cafu acabou substituído por Gabriel com dez minutos. O Fluminense era melhor. Não por ter mais volume de jogo. A posse, em sua maioria, ainda era rubro-negra. Mas as saídas rápidas de Marquinho para Wendel, acionando os pontas complicava o Flamengo e prendia seus laterais. Tanto que Pará acabou expulso por dar um pontapé, de forma não intencional, no veloz Lucas Fernandes. Então o Fla-Flu virou, sim, um Fla-Flu.

Fluminense da segunda etapa

Com mais campo, as chances claras apareceram. Abel já colocara Pedro e Richarlison em campo, em busca da vitória. Mas foi Berrío, ao disparar após receber uma bola da lateral, que perdeu chance clara ao se enrolar com a própria velocidade e dar a bola ao Cavalieri. Organizado, o Fluminense chegava com triangulações. Léo quase marcou e Muralha salvou na pequena área. No escanteio, Wendel, sozinho, dominou e bateu na bola dentro da grande área. Ela ainda desviou em Rafael Vaz e morreu na rede. 1 a 0. Parecia que a última invencibilidade do Carioca chegaria ao fim. Mas o Fla-Flu…

Flamengo terminou o jogo desfalcado

É um clássico que promove surpresas. A equipe com titulares era pior, saiu atrás no apagar das luzes e…conseguiu o empate. Em uma cobrança de escanteio, Diego jogou na cabeça de Willian Arão, que tocou no chão e Cavalieri aceitou. Falha. Que custou a vitória tricolor em um Fla-Flu. Mas Abel, certamente, deixou o campo sorrindo. Organizado, com uma proposta clara, o Fluminense variou de esquema mesmo com reservas e foi melhor. Já Zé, pelo visto, leva preocupação para os treinos. Seu Flamengo parece confuso, estático em busca de uma identidade perdida. Abril chegou com sentimentos distintos para a dupla Fla e Flu.

FICHA TÉCNICA:
FLUMINENSE 1X1 FLAMENGO

Local: Kleber Andrade, em Cariacica (ES)
Data: 02 de abril de 2017
Horário: 16h
Árbitro: Rodrigo Carvalhaes de Miranda
Público e renda: 9.927 pagantes /  11.127 presentes / R$ 728.760,00
Cartões amarelos: Wendel, Nogueira, Luiz Fernando e Reginaldo (FLU) e Pará e Donatti (FLA)
Cartão vermelho: Pará (31’/2T)
Gols: Wendel, aos 37 minutos e Willian Arão (FLA), aos 45 minutos do segundo tempo

FLUMINENSE: Diego Cavalieri; Renato (Osvaldo, 34’/2T), Nogueira, Reginaldo e Léo; Luiz Fernando, Wendel e Marquinho; Maranhão (Richarlison, 23’/2T), Lucas Fernandes e Henrique Dourado (Pedro, 25’/2T)
Técnico: Abel Braga

FLAMENGO: Alex Muralha; Pará, Donatti, Rafael Vaz e Trauco; Márcio Araújo e Willian Arão; Berrío (Cuellar, 33’/2T), Diego e Cafu (Gabriel, 10’/2T); Leandro Damião (Vizeu, 27’/2T)
Técnico: Zé Ricardo

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