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Prestem atenção no Botafogo: copeiro, organizado e pronto para a Libertadores

Camilo Botafogo

Camilo BotafogoPrestem atenção neste Botafogo. 34 minutos do segundo tempo. Atrás no placar, o Atlético Nacional gira a bola da esquerda para a direita. Da direita para a esquerda. A arquibancada, ansiosa, quer uma definição. Mas é difícil. São nove botafoguenses milimetricamente postados protegendo a área, como uma equipe de nado sincronizado. Avança, recua. Recua, avança. Três zagueiros. Um improvisado de lateral. Prestem atenção nesse Botafogo. Um time copeiro, que derruba obstáculo atrás de obstáculo na Libertadores. Mortal nos contra-ataques. Que segue a cartilha rezada pelo treinador como o mais ferrenho religioso. Capaz de bater por 2 a 0 o atual campeão da Libertadores fora de casa.

Dizer que o trabalho de Jair Ventura é soberbo chega a ser redundância. O elenco é enxuto, os desafios na Libertadores começaram mais cedo. Houve polêmica no grupo. O técnico agarra o touro no braço. Tem pleno domínio sobre as ações do grupo. Reserva ou titular, o Botafogo entra em campo ciente do que é necessário fazer. Foi assim em Medellín. Atlético Nacional atual campeão, sedento pela primeira vitória. Não se apavora. Mesmo quando o rival, com três atacantes, tenta o tradicional abafa no início do jogo. Lá estava o Botafogo bem postado, com três volantes, Camilo mais à frente deles, Pimpão e Roger puxando o ataque. 4-4-2, 4-5-1 quando Pimpão fechava o meio. Lá e cá.

Botafogo no primeiro tempo

Reinaldo Rueda, experiente, pôs Ibarguen no lado esquerdo para forçar o jogo em cima de Emerson Santos, zagueiro improvisado de lateral e que fazia o primeiro jogo na temporada. Por ali, o Atlético tentava chegar à área. Mas não havia espaço. Emerson Santos mostrava eficiência no combate direto e tinha o auxílio de Bruno Silva ou Lindoso. Um time muito eficiente na defesa. Que tinha ciência de que seria necessário sofrer para vencer. Nenhum demérito. Saber se defender também é uma arte. Mas o time de Jair não é só isso.

Ainda que tenha corrido perigo no primeiro tempo em cruzamento de Bocanegra pela direita, com a bola surfando solitária pela pequena área, o Botafogo fez saltar os olhos também pelo contra-ataque de almanaque. Pimpão arrancou pela esquerda, segurou a bola e achou Camilo no vazio. O Atlético, de calças curtas, tentava se tapar seus buracos. Era tarde. O camisa 10 lançou João Paulo na direita. Ele ajeitou a passada, acertou o cruzamento com a corrida de Camilo e lançou a bola na cabeça do meia. 1 a 0, no fundo da rede. Gol em contra-ataque só possível em time organizado. Vitória parcial na primeira etapa, com menos finalizações (três contra seis) e menos posse de bola, 47%.

No segundo tempo, o jogo exigiu ainda mais de Jair. Com dois minutos, Pimpão desabou em campo, queixando-se da virilha. Ele teve de sair de campo, Guilherme entrou e o Botafogo não se modificou. À essa altura, o Atlético Nacional já demonstrara que pretendia agredir e empurrar o Botafogo para o seu campo, tentando desestabilizar a muralha que não lhe oferecia os lados, tampouco o meio. Não bastava ter as ausências de Montillo, Airton, Pimpão e qualquer lateral direito. Camilo, desgastado, também teve de ser substituído. Fernandes entrou em campo, fechando o lado esquerdo. Rueda entendeu o recado e partiu para o ataque contra defesa.

Botafogo ao fim da partida

Sacou Nájera, zagueiro, e lançou Dájome, atacante. Bocanegra, lateral-direito, ficou improvisado na zaga e o time se lançou ao ataque. Macnelly Torres tinha os espaços reduzidos para tentar jogadas individuais. A bola invariavelmente era lançada à área. Carli, gigante, não cansou de afastá-las de cabeça. Com Sassá no lugar de Roger, restava ao Botafogo apenas uma roubada de bola para se desfazer do 4-5-1 e disparar em contra-ataque. Prestem atenção nesse Botafogo. Aos 47 minutos, o desesperado, em pleno Atanasio Giradort, era o Atlético. Numa escapada, Guilherme trocou a direita pela esquerda e disparou. De frente pra Bocanegra, cortou para o meio e bateu rasteiro, no cantinho esquerdo de Armani. Um 2 a 0 que premiou a organização.

Prestem atenção neste Botafogo. Ao fim do jogo, contava 33% de posse de bola e quatro finalizações, de acordo com o site Footstats. 40 bolas foram cruzadas em sua área pelo atual campeão sul-americano. Nenhuma entrou. Um time copeiro, estruturado e que, barreira após barreira, caminha forte na Libertadores. Confiança não falta, organização tampouco. De verdade. Prestem atenção neste Botafogo.

FICHA TÉCNICA:
ATLETICO NACIONAL 0X2 BOTAFOGO

Local: Atanasio Giradort, em Medellín, Colômbia
Data: 13 de abril de 2017
Horário: 21h45
Árbitro: Ulises Mereles (PAR)
Público: 40.638
Cartões amarelos: Gatito, Emerson Santos e Sassá (BOT) e Macnelly Torres (ATL)
Gols: Camilo (BOT), aos 38 minutos do primeiro tempo e Guilherme (BOT), aos 47 minutos do segundo tempo.

ATLÉTICO NACIONAL: Armani; Bocanegra, Nájera (Dájome, 26’/2T), Alexis Henríquez e Farid Díaz; Arias, Bernal (Ramírez/Intervalo) e Macnelly Torres; Dayro Moreno (Mosquera, 39’/2T), Ibarguen e Luis Ruiz
Técnico: Reinaldo Rueda

BOTAFOGO: Gatito; Emerson Santos, Carli, Emerson Silva e Victor Luis; Rodrigo Lindoso, João Paulo, Bruno Silva e Camilo (Fernandes, 21’/2T); Rodrigo Pimpão (Guilherme, 5’/2T) e Roger (Sassá, 29’/2T)
Técnico: Jair Ventura

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