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Retomada da confiança e Scarpa: a busca do Fluminense pelo G-6 do Brasileiro

Provavelmente o torcedor tricolor chega à estreia do Campeonato Brasileiro um tanto quanto ressabiado. O time começou a temporada a mil, com um caráter ofensivo e um futebol vistoso, com vasta troca de posições, velocidade e recheado de jovens. Prometia. De fato. Mas com o aumento da régua dos adversários, o Fluminense de Abel Braga encontrou dificuldades até enfrentar seu pior momento na temporada justamente às vésperas do Brasileiro. São três derrotas consecutivas. Mas o trabalho é bom. É um Tricolor renovado, com bons valores, organização e, principalmente, alma. Difícil que, sob a batuta de Abel, não cumpra bom campeonato.

O que seria um bom campeonato é a pergunta a ser respondida. Atualmente, o Fluminense tem potencial para brigar na metade de cima da tabela, possivelmente na disputa para pegar uma das últimas vagas do G-6. Mas deve recuperar a confiança que acabou minada na final do Campeonato Carioca, após um embate no qual foi dominado pelo rival Flamengo na maior parte. Para ir além ou ter a chance de uma vaga na Libertadores com mais solidez, deve ter reforços que cheguem para jogar.

Abel Braga não abre mão do 4-3-3 ofensivo. Mas, ao contrário da final da Taça Guanabara, Zé Ricardo matou a charada na final do Carioca e, ao travar a ofensividade de laterais e pontas, fechando os lados do campo, congelou o time tricolor inteiro. O jogo depende das saídas de Lucas, pela direita, e Léo, pela esquerda. Ao acionar Wellington, agora na direita, e Richarlison, na esquerda, o coletivo tricolor flui melhor ao chamar o adversário para seu campo e disparar em contra-ataques fulminantes. O caráter ofensivo é latente. Os 56 gols em 28 jogos no ano não são à toa. É uma característica natural de um time com dribladores como Wellington.

Scarpa e Richarlison: mais movimentação

O amadurecer tricolor acabou prejudicado com o desfalque de seu principal jogador, Gustavo Scarpa, vítima de uma entrada violenta de um adversário na semifinal da Taça Guanabara, em fevereiro. Melhor jogador da equipe desde 2016, ele repetia as atuações o início da temporada, com presenças defensiva e ofensiva, além de facilidade para fazer gols. O camisa 10 deve voltar a atuar no começo do Brasileiro. Mas previsão certa não há. O time que infernizou o Vasco na estreia do Carioca contava com o meia pelo lado direito do ataque, Wellington na esquerda e Henrique Dourado, o Ceifador, à frente. Richarlison, na seleção sub-20, não fora testado. Talvez seja uma boa opção para manter o 4-3-3 no Brasileiro, com velocidade.

Dourado é bom finalizador, tem boa colocação e é o artilheiro da equipe na temporada, com 11 gols em 20 jogos. Mas com Richarlison em seu lugar, o ataque seria mais ágil e Wellington voltaria ao setor esquerdo, onde apresentou seu melhor futebol da temporada. No meio de campo, Abel conta com boas novidades na temporada. Orejuela e Sornoza, a dupla do Equador, praticamente não pediram período de adaptação ao futebol brasileiro. O adendo de um dos garotos de Xerém de bom passe, casos de Wendel e Douglas, arremata um trio confiável para fazer frente aos adversários.

Sem Scarpa: Wellington na direita

Ocorre que o Fluminense tomou gosto por aniquilar partidas com velocidade, marcando gols no primeiro tempo. Para mudar o estilo de jogo, Abel necessita de peças com maior qualidade. Entregar-se ao ataque com tanto ímpeto em uma competição de nível bem mais alto do que o Estadual poderá ser fatal. São jogos que pedem o estudo mais apurado do adversário e razão sobre o impulso. No banco de reservas, o técnico tem revelações promissoras, como Marquinhos Calazans para o lado esquerdo do campo e Pedro para o ataque. E há velhos conhecidos como Marquinho e Marcos Junior. Pouco para disputar de verdade posições com a tropa de cima do campeonato. Mas, principalmente, para encarar o Brasileiro junto de Copa do Brasil e Sul-Americana ao longo do ano.

Com um elenco de jovens, o Fluminense parece precisar, de novo, de uma boa sequência de vitórias para retomar a confiança em seu jogo. Contribuiria, talvez, se o time escapasse do 4-3-3 em uma ou outra oportunidade, levando a imprevisibilidade como arma diante dos rivais em campo. Diante do Liverpool-URU, o time pareceu abatido após a derrota do Campeonato Carioca. Mas faz pouco tempo. Na semifinal do Estadual, diante do Vasco, não houve conhecimento do adversário. Gana, ao contrário do ano passado, mostra ter. Organização, também. Sim, o Fluminense está no bolo para buscar uma vaga no G-6 do Brasileiro deste ano. Mas com Scarpa em campo e a retomada do futebol do início da temporada.

Fluminense na temporada como mandante:

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