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Sem confiança, Fluminense leva aula de competitividade do São Paulo

Ayrton Lucas Marcelo Oliveira

(Fluminense / Divulgação)

Matheus Alessandro Fluminense

(Fluminense / Divulgação)

No equilíbrio existente no futebol brasileiro mesmo uma equipe limitada pode ter chances de conquistar resultados inesperados. Basta não abrir mão da competitividade e aproveitar possíveis brechas. Não é demérito algum para um torcedor tricolor admitir que atualmente o Fluminense é inferior ao São Paulo. Arrancar uma vitória no Morumbi, então, seria um resultado até surpreendente neste 2018. Mas não diante das circunstâncias neste domingo. Mesmo com um jogador a mais por praticamente 60 minutos, o Fluminense não mostrou confiança alguma na vitória. Cedeu o empate em 1 a 1 ao líder e, de quebra, levou uma aula de competitividade.

É, obviamente, motivo para deixar um gosto amargo na boca do torcedor. O início foi até promissor. Marcelo Oliveira mandou o time uma vez mais no 4-4-2, buscando a velocidade de Everaldo e aproximação constante de Sornoza pelo lado esquerdo. Foi pelo setor, aliás, onde o Fluminense mais incomodou o São Paulo. Ayrton Lucas subia com facilidade buscando as costas de Bruno Peres e costurava pelo meio, dando trabalho a Bruno Alves, que tentava o bote. Jadson e Kayke ocupavam a área nos ataques. Era a senha tricolor: chamar o líder e disparar no contra-ataque. Com minutos de jogo, Ayrton avançou fácil pela esquerda e rolou para o centro. Jadson, de frente para Sidão, perdeu chance claríssima. Gol escancarado, o volante conseguiu bater triscado em Liziero e ver a bola beijar o travessão.

Já sem Diego Souza, São Paulo manteve mostrou organização

Uma grande chance perdida que poderia deixar translúcidas as intenções de cada equipe na partida. O São Paulo estava no Morumbi diante de quase 50 mil torcedores, com a liderança no colo. Mas tinha problemas. Nenê e Jucilei suspensos, Arboleda liberado para resolver problemas e Everton lesionado. Não é pouco. Aguirre manteve a equipe no 4-2-3-1, com a receita de sempre: pressionar a saída de bola rival, tentar o abafa inicial para chegar rapidamente ao primeiro gol e poder praticar um jogo de contragolpes fatais. Mas há diferenças. Shaylon tenta mais passes em profundidade e por vezes segura mais a bola do que Nenê. Reinaldo não tem a vitalidade de Everton no vaivém entre ataque e defesa pelo lado esquerdo. O time, então, se virou mais à direita: Rojas nas costas de Ayrton Lucas com auxílio de Bruno Peres. Um duelo pelos lados de equipes que buscavam aplicar velocidade.

Flu no início: mais adiantado, com Ayrton como melhor opção

O São Paulo tinha em Diego Souza jogador-chave. Experiente e pesado, o camisa 9 faz bem o pivô e segura a bola no ataque, esperando a ultrapassagem dos pontas. Mas aos 33 anos ainda tem seus dias de garoto. Primeiro, ficou irritadiço ao levar uma pancada na cabeça quando escorregou e caiu sobre o corpo de Jadson. Minutos depois, ele partiu para acertar uma cotovelada em Leo. Não foi uma pancada forte no peito do lateral, pelo contrário. O camisa 9 pareceu ter desistido da força no último instante. Seria passível de cartão amarelo. Mas com toda sua experiência, Diego Souza deveria entender como o jogo é jogado. De acordo com a arbitragem brasileira, o atleta é julgado não puramente pelo ato, mas por sua imagem e histórico. Diego se pôs à disposição de uma expulsão. O tradicional fraco e confuso Dewson Freitas não titubeou. Cartão vermelho direto aos 33 minutos de jogo.

Não houve jeito. Aguirre fechou o time em um 4-4-1 com Shaylon solto na frente. O garoto, porém, está longe de ter a característica de segurar a bola. Começou aí o problema do Fluminense: mesmo com um a mais, o time foi pouco incisivo. Teve mais posse, rodou a bola, mas pouco agrediu o São Paulo. Parecia que Marcelo Oliveira tentaria corrigir esse problema de postura no segundo tempo. Sacou Jadson, amarelado, e pôs Junior Dutra. Levou o time a um 4-3-3. Sornoza recuou um pouco, chegando menos à área e tentando lançamentos. Era pouco, mas, de maneira torta, funcionou. Em um deles, Anderson Martins tentou recuar, Sidão atrapalhadamente saiu em direção à bola e apenas a viu morrer mansamente no fundo da rede. Quase sem esforço, o Fluminense chegava a 1 a 0.

Ao fim, São Paulo agressivo mesmo com um a menos, com força pela direita

Seria difícil para uma equipe altamente competitiva perder os três pontos diante desse contexto: um jogador a mais, rival desfalcado, um gol à frente. A postura tricolor, diante disso, foi até estranha. Tão logo Diego Aguirre trocou Shaylon por Tréllez, deixando claro que não abdicaria do jogo, o Fluminense aceitou a imposição. O São Paulo, então, passou a ser mais competitivo. Adiantou o time, pressionou todas as bolas, muitas por dentro. Mordeu cada jogada e o Fluminense, inexplicavelmente, encolhia. Não transparecia confiança alguma de que podia vencer. Aguirre percebeu. E decidiu forçar ainda mais o jogo. Pôs Régis em campo, pelo lado direito. Força e velocidade em cima do franzino Ayrton Lucas. Foi grande sacada. Não só travou a principal arma ofensiva do rival como passou a ter ótimas opções por ali. E o gol surgiu.

Ao fim, um Flu recuado mesmo com um jogador a mais em campo

Muito pela falta de competitividade do Fluminense. Como dito, é possível ter resultados surpreendentes neste equilibrado futebol brasileiro. Mas o time deve competir. O Fluminense, em vários momentos, esqueceu. Ficou disperso. Régis deu chapeu em Ayrton Lucas pela direita. O lateral do Fluminense recuperou e tomou controle da situação. Ou acreditou nisso. Tentou chamar uma falta inexistente, foi desarmado e Régis foi até o fim. Vitalidade, força, gana. O cruzamento saiu com o pé ruim, o direito. Mas foi perfeito. Tréllez, atento, rompeu na frente de Digão e tocou de cabeça no fundo da rede. Um lance emblemático. 1 a 1. Diante das circunstâncias, o sorriso no são-paulino e a tristeza no rosto tricolor deixavam claro o que o resultado representava.

Marcelo Oliveira tentou diminuir o ímpeto do São Paulo ao colocar Matheus Alessandro pelo lado esquerdo do ataque. Frear Régis e Bruno Peres. Quase conseguiu o empate, quando Richard deixou o garoto na frente de Sidão com um belo toque de calcanhar. A batida cruzada beijou o pé da trave esquerda de Sidão e assustou o Morumbi. Mas foi, mesmo, um susto. Com um a menos, o líder do Campeonato Brasileiro entendeu que, diante de tanta diversidade, o ponto conquistado já era valioso. Fechou-se nos minutos finais à espera do fim. Jogou, guerreou e, principalmente, competiu. Foi o que faltou ao Fluminense no Morumbi. Amargo.

FICHA TÉCNICA
SÃO PAULO 1X1 FLUMINENSE

Local: Morumbi
Data: 2 de setembro de 2018
Horário: 16h
Árbitro: Dewson Freitas (PA – Fifa)
Público e renda: 49.348 torcedores / R$ 1.881.675,00
Cartões Amarelos: Tréllez e Bruno Peres (SAO) e Jadson e Sornoza (FLU)
Cartão vermelho: Diego Souza (SAO), aos 33 minutos do primeiro tempo
Gols: Anderson Martins (SAO – contra), aos nove minutos e Tréllez (SAO), aos 26 minutos do segundo tempo

SÃO PAULO: Sidão, Bruno Peres, Bruno Alves, Anderson Martins e Edimar (Régis, 33’/2T); Hudson e Liziero (Luan, 33’/2T); Rojas, Shaylon (Tréllez, 8’/2T) e Reinaldo; Diego Souza
Técnico: Diego Aguirre

FLUMINENSE: Julio Cesar; Léo, Digão, Ibañez e Ayrton Lucas; Richard, Dodi, Jadson (Junior Dutra / Intervalo) e Sornoza (Luciano, 25’/2T); Everaldo e Kayke (Matheus Alessandro, 31’/2T)
Técnico: Marcelo Oliveira