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Roger, provocações de Eurico e demissão de Abel: o Vasco x Flu histórico de São Januário

No sábado, Fluminense e Vasco voltarão a disputar um clássico em São Januário depois de 12 anos. O último embate na Colina foi no Brasileiro de 2005, vitória do Vasco por 2 a 0, dois gols de Romário sobre o time de Abel Braga. O confronto que entrou para a história do clássico, no entanto, aconteceu há 17 anos. Houve de tudo um pouco. Discussões, brigas, expulsões, show de Roger, ainda revelação tricolor, desabafos, provocações do então vice de futebol vascaíno Eurico Miranda e pedido de demissão de Abel Braga, então técnico do Vasco.

Em 2000, o Vasco vivia o auge esportivo de sua História e contava com milhões da parceria com o NationsBank. Dinheiro não era problema e, com a obsessão pela conquista do Mundial de Clubes a ser disputado no Rio, Eurico Miranda montou uma verdadeira seleção. Jorginho, Júnior Baiano e Romário se juntaram a craques como Juninho Pernambucano, Felipe, Edmundo e Mauro Galvão. A perda do Mundial diante do Corinthians, no entanto, pesou o ambiente. Quando o confronto entre Vasco e Fluminense foi confirmado nas oitavas de final da Copa do Brasil, o boquirroto dirigente vascaíno não se conteve.

Eurico garantiu que multaria o elenco em caso de insucesso diante dos tricolores. As provocações direcionadas às Laranjeiras eram enormes, desde 99, quando o Tricolor enfrentava o momento mais difícil de sua História ao disputar a Série C do Brasileiro. Eurico desdenhava, dizia que a torcida tricolor “crescia como rabo de cavalo, para baixo”.

“Lamento apenas que vou ter de pagar o bicho. Disse aos meus jogadores que só pagaria bicho a partir de uma vitória de 3 a 0. Como foi 3 a 0, vou ter de pagar”, disse Eurico após uma vitória sobre o tricolor no Carioca de 99.

Dias antes do primeiro embate na Copa do Brasil, Fluminense e Vasco se enfrentaram pelo Carioca. Vitória tricolor, 1 a 0. Eurico, de novo, provocou ao citar que multaria seus jogadores. Exigia a classificação na Copa do Brasil. No primeiro jogo, mando tricolor no Maracanã. Empate em 1 a 1, gols de Régis e Pedrinho. Com o gol marcado fora de casa, a vantagem para o confronto era vascaína. Mas o time tinha problemas. Muitos desfalques. Junior Baiano sofrera uma artroscopia no joelho direito. Romário ainda se recuperava de pancada no tornozelo esquerdo. Mauro Galvão e Juninho Pernambucano, gripados. Abel Braga escalou o time com três volantes – Nasa, Amaral e Jorginho.

O Fluminense de Valdir Espinosa, por sua vez, vivia boa fase. Roger, 21 anos e apelidado de Maradoninha por Parreira no ano anterior, mostrava a canhota afiada. Antes do jogo prometeu que daria a classificação ao time em São Januário. E cumpriu com talvez a sua melhor exibição na carreira. Com um minuto de jogo, Magno Alves abriu o placar e fez 1 a 0. No segundo tempo, Agnaldo ampliou para 2 a 0. A torcida tricolor em São Januário comemorava. O caldeirão ferveu. César e Viola trocaram tapas e acabaram expulsos. Em seguida, Felipe se estranhou com Fabinho e os dois também receberam cartão vermelho.

O Vasco se agarrou em Edmundo. Ele dividiu bola com Régis em cruzamento e o zagueirão tricolor tocou para o próprio gol. Depois, Edmundo bateu rasteiro e Zetti aceitou, em falha clamorosa. Roger, endiabrado com o pé esquerdo, atormentava Paulo Miranda e depois Filipe Alvim. Mas não houve jeito para os donos da casa. A partida terminou empatada em 2 a 2, com festa tricolor em pleno caldeirão vascaíno.

“Aturei muito! Estava com esse time engasgado há três anos! Três!”, bradava Roger, já sem camisa, em direção à arquibancada.

O clima em São Januário, claro, ferveu. Após o jogo, Abel Braga, já seduzido com uma proposta do Olympique de Marselha, da França, pediu demissão. Eurico, irritado com a eliminação para os tricolores, atacou o técnico.

“O Abel vinha bem, mas começou a contar para todo mundo como o Vasco jogava. Ainda insistiu num esquema que não é para um time da qualidade do Vasco. Quem tem de se adaptar ao craque é o esquema, não o contrário. Ou os jogadores não o entendiam ou vice-versa. Por isso, a demissão dele veio em boa hora. Se não se antecipasse, certamente eu o teria demitido”, disparou o dirigente.

E continuou a atacar o Fluminense:

“Considero resultado negativo empatar com o timeco do Fluminense. Foi igual a perder para o América. E se eles não fossem tão ruins, ganhariam da gente, porque não jogamos 10% do que podemos. Se jogássemos 10%, venceríamos facilmente”, completou o cartola.

Quem sorriu por último na Colina, no entanto, foi o time tricolor.

FICHA TÉCNICA:
VASCO 2×2 FLUMINENSE

Local: São Januário
Data: 31 de maio de 2000
Horário: 21h45
Árbitro: Ubiraci Damásio
Cartões amarelos: Donizete, Jorginho, Filipe Alvim (VAS) e Luciano e Zetti (FLU)
Cartões vermelhos: Viola e Felipe (VAS) e César e Fabinho (FLU)
Gols: Magno Alves (FLU), a minuto do primeiro tempo; Agnaldo (FLU), a dois minutos, Régis (FLU – contra), aos 15 minutos e Edmundo (VAS), aos 30 minutos do segundo tempo

VASCO: Helton; Paulo Miranda (Filipe Alvim), Odvan, Torres e Gilberto; Nasa (Dedé), Amaral, Jorginho (Alex Oliveira) e Felipe; Edmundo e Viola
Técnico: Abel Braga

FLUMINENSE: Zetti; Paulo César, César, Régis e Jorge Luiz; Fabinho, Donizete (Roberto Brum), Roger e Yan; Magno Alves (Jorginho) e Agnaldo (Luciano)
Técnico: Valdir Espinosa

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