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Um Fluminense que pede atenção: superior e azeitado, time passa fácil pelo Ypiranga

Paulo Henrique Ganso primeiro gol Fluminense Ypiranga 2019

(Fluminense / Divulgação)

Luciano Everaldo Fluminense

(Fluminense / Divulgação)

Difícil dar certezas sobre o futuro da temporada, com todos seus percalços. Mas neste pós-carnaval de 2019, com pouco mais de dois meses de temporada, o torcedor tricolor pode ser orgulhar. O Fluminense tem funcionado. E bem. Uma vez mais, o time se apresentou com qualidade sob o guarda-chuva de ideias de Fernando Diniz. Pouco importa se a vitória de 3 a 0 foi sobre um time frágil tecnicamente, o Ypiranga, pela Copa do Brasil. O Tricolor não deu chances ao rival, se impôs mesmo em um Maracanã vazio na Quarta-Feira de Cinzas. Imposição por ideias. Um desejo contínuo de jogar bem. Talvez seja uma das principais atrações do futebol brasileiro neste início de temporada. O Fluminense pede atenção. Não é pouco.

Basta olhar para o restante das apresentações do futebol brasileiro. Claro, resultado é fundamental e o número de bolas na rede – muitas vezes até por acaso – determina a impressão final da grande maioria. Mas seria difícil imaginar um Fluminense de saltar os olhos com este mesmo elenco não fossem as ideias de Fernando Diniz. Há um tanto de ousadia, outro quê de coragem para implementar as ideias de forma tão rápida. Causou espanto na estreia da temporada, contra o Volta Redonda. Hoje não mais. E aos poucos Diniz adapta as peças que chegam ou as que passou a compreender no dia a dia. Casos de Ganso e Caio Henrique, respectivamente.

Flu no início: movimentação intensa, troca de passes e Caio Henrique bem 

De forma tímida, no Carioca, Diniz lançou Caio Henrique primeiro como meia mais avançado. Depois o postou como o responsável pela saída de bola entre os zagueiros, pela qualidade no passe. Agora, já o observa pelo lado esquerdo, fazendo as vezes de lateral ou ala. Parece simples, mas em um esquema tão mutável como o do Fluminense, seria até normal o jogador ter dificuldades. Caio Henrique vai na direção contrária. Quando o 4-2-3-1 tricolor se transforma, com Digão e Matheus Ferraz abertos, Airton pelo centro iniciando o jogo, o camisa 19 é extremamente requisitado. Por este setor, ele se aproxima mais de Ganso. Alternam entre os passes refinados e o posicionamento mais avançado. Quando um está mais à frente, outro mais atrás. E vice-versa. Ambos com facilidade para achar espaços para o passe agudo, furando defesas. Assim saiu o segundo gol. Passe agudo de Ganso, Caio Henrique na área, toque preciso para Luciano ampliar. Mas voltemos, claro, ao início.

É interessante notar o que já parece um certo respeito mental por partes dos rivais tricolores. Lembremos até da postura do Flamengo na semifinal da Taça Guanabara. Já parece uma admissão generalizada, portanto: o Fluminense terá a bola e tomará a iniciativa do jogo. É uma vitória no jogo psicológico. Pois o Tricolor, instruído por Fernando Diniz, não se furta da responsabilidade. É muito bem treinado. Mesmo jogadores com limitações técnicas, caso da dupla de zaga, se sentem confiantes para executar bem as funções. É um time que já entende onde cada peça está. E reage bem ao ser pressionado: sai com troca de passes, jamais com chutões, tentando clarear o campo para acelerar. O Ypiranga, já mentalmente impactado, tentou se fechar em um 4-1-4-1 e reduzir espaços. Não conseguiu. A troca de bola tricolor, principalmente no meio, de um lado ao outro, força uma abertura da defesa não tão bem organizada. Foram incríveis 670 trocas de passes na partida. E a movimentação é grande.

Ao fim, Flu ainda pressionando o rival, com boa posição do Allan

Gilberto avança pela direita e ocupa o setor quando Luciano cai ao meio. Everaldo sai da esquerda e entra na área para auxiliar Yony González. Um trio de ataque muito veloz e com fôlego para pressionar a saída de bola rival. Nasceu assim o primeiro gol. Pressão de Luciano no goleiro Deivity, na sobra Everaldo bateu para a rede desprotegida. 1 a 0. O Fluminense atual funciona assim. Como um todo. Um sistema vivo que se transforma com o andar do jogo. Ter adversários mais frágeis é, claro, uma vantagem para azeitar a organização da equipe. Mas o Fluminense não tem lhes concedido oportunidades. O Ypiranga teve apenas uma finalização no alvo em todo o jogo.

Com folgados 2 a 0 no placar e quase 70% de posse de bola no primeiro tempo, Diniz manteve o estilo na etapa final. Imposição, troca de passes, aproximação entre os jogadores, mobilidade constante. Utiliza um jogo oficial como treino, sem acomodação. E fez observações. Uma delas, bem grata. Ao somar minutos, Allan parece encher os olhos no meio de campo. Volante técnico, de bom passe e boa mobilidade. Ao entrar no lugar de Airton, Bruno Silva – mesmo com o amarelo e a temperatura mais alta do que o jogo, como tem sido praxe – assumiu a posição entre os zagueiros. E o Fluminense adiantou ainda mais a equipe, aumentando a qualidade no passe. Allan, Caio Henrique, Ganso. Sem marcação forte por parte de um rival já nocauteado, o jogo fluiu. E teve daquelas gostosas coincidências para coroar a noite: o primeiro gol de Paulo Henrique Ganso pelo Tricolor, logo de barriga, ao escorar a sobra de um escanteio.

A partir daí, Diniz poupou a equipe. Daniel na vaga de Ganso, Marquinhos Calazans na de Gilberto. Um time ainda mais agudo pelos lados, empurrando o rival ao campo de defesa. Não foi raro ver Matheus Ferraz e Digão posicionados no campo de ataque, mantendo apenas Rodolfo no campo de defesa. Um ataque com dez jogadores. Um ataque contra defesa. A classificação no bolso, a posse de bola de 66%* ao fim da partida, um futebol bem jogado e sem sofrer de adversários frágeis. Testes virão, rivais mais fortes estarão pelo caminho e o elenco curto pode frear as ideias de um futebol com tanta movimentação, pressão na saída rival e imposição. Mas as ideias agradam. Orgulham o torcedor. E alertam os outros. O Fluminense, cada vez mais, pede atenção.

*Números do app Footstats Premium

FICHA TÉCNICA
FLUMINENSE 3X0 YPIRANGA
Local: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
Data: 6 de março de 2019
Árbitro: Leandro Bizzio Marinho (SP)
Cartões amarelos: Bruno Silva (FLU) e Léo Kanu (YPI)
Público e renda: 5.847 pagantes / 6.051 presentes / R$ 182.950,00
Gols: Everaldo (FLU), aos quatro minutos e Luciano (FLU), aos 34 minutos do primeiro tempo e Ganso (FLU), aos 11 minutos do segundo tempo

FLUMINENSE: Rodolfo, Gilberto, Matheus Ferraz, Digão e Caio Henrique; Airton (Allan, 13’/2T) e Bruno Silva; Luciano, Paulo Henrique Ganso (Daniel, 28’/2T) e Everaldo; Yony González
Técnico: Fernando Diniz

YPIRANGA: Deivity, Wesley, Léo Kanu, Rafael Klein e Wagão; Henrique; Marcinho (Joãozinho, 17’2T), Vinícius Tsumita (Lima, 35’/2T), Faísca e Jackson; Flávio Paulino (Fidélis, 26’/2T)
Técnico: Círio Quadros