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Uma desigualdade igual: Vasco sofre para arrancar empate de um Flamengo reserva

Vitinho Flamengo Vasco Lucas Mineiro 2019 Taça Rio

(Flamengo / Divulgação)

Arrascaeta Flamengo Taça Rio 2019

(Flamengo / Divulgação)

A propagada diferença de investimento entre Flamengo e seus rivais no Rio não tinha aparecido em campo em 2019. Uma vitória apertada contra o Botafogo, a derrota para o Fluminense na semifinal da Taça Guanabara. O primeiro confronto com o Vasco, no entanto, serviu para transparecer a desigualdade existente entre o elenco rubro-negro e os rivais. Mesmo que do atual time titular apenas Arrascaeta tenha entrado em campo, o Flamengo foi superior a um Vasco completo e, por pouco, não saiu vitorioso do Maracanã. Um empate em 1 a 1 com gol polêmico no fim e que indicou caminhos e gerou preocupações.

Preocupação ao Vasco. Ainda que tenha mantido sua invencibilidade no Carioca com um gol nos acréscimos, a equipe de Alberto Valentim deixou a desejar diante de um rival praticamente reserva. Em um 4-2-3-1, o Vasco iniciou a partida com ímpeto, mas já indicando um problema: o atalho para o ataque era o alto. Sempre em jogadas aéreas, com bolas lançadas – seriam 25 até o fim da partida. Levou perigo com Marrony, quase tocando para o gol no segundo pau. Mas, espaçado, sofreu mais do que ameaçou o Flamengo. Thiago Galhardo manteve a característica de carregar a bola e tentar correr. Era presa fácil. Faltava o passe mais refinado justamente para acelerar pelos lados, com Marrony ou Pikachu. A preferência era por buscar Danilo Barcelos e tentar o cruzamento. Muito pouco para fazer frente a um Flamengo mais técnico, ainda que reserva. Mas os suplentes indicaram um caminho.

Ao longo do ano, o time de Abel Braga tem sido criticado de forma justa por romper com as características dos última temporada: mesmo recheado de jogadores mais técnicos busca a bola longa, cruzamentos e o lateral na área. A última e detestável característica ainda permaneceu no primeiro Clássico dos Milhões de 2019. Mas o restante, não. Abel Braga mandou o time a campo de novo em um 4-1-4-1. Arrascaeta, o único titular, deixou o lado direito, onde não foi notado contra o San José, na estreia na Libertadores. Caiu em um setor mais próximo de seu habitat: por dentro, à esquerda, próximo de Vitinho. Com Ronaldo e, principalmente, Everton Ribeiro ao lado, o time rendeu até bem. Por um motivo: bola no chão. A tentativa de chegar ao ataque foi com troca de passes, sem bolas esticadas ou cruzamentos aleatórios. As características dos jogadores, mais técnicos, como Trauco, ajudam no desenvolver do jogo. O lateral, aliás, busca mais o meio e abre espaço à esquerda para que Arrascaeta e Vitinho se revezem. Pelo centro, o peruano acertou uma bomba no gol, em bela defesa de Fernando Miguel.

Vasco no início: Galhardo nada criativo e time refém de bolas longas

Ocorre que o Flamengo, claro, ainda apresentou problemas. Principalmente no sistema defensivo. Protegeu-se mal quando atacado. Cedeu espaços entre os setores e convidou o Vasco a tramar contra-ataques. Mas faltava competência aos cruzmaltinos. As bolas alçadas na intermediária para buscar a casquinha de Maxi tinham pouca eficiência. Lento e parecendo ainda fora de forma, o argentino foi anulado facilmente no meio da zaga rubro-negra sub-20, com Thuler e o improvisado volante Hugo Moura. Com Thiago Galhardo nulo, a dependência vascaína por Lucas Mineiro cresceu. Não foi raro ver o volante avançar e tentar levar o time ao ataque, ainda que optasse por uma bola longa. Um jogo pobre vascaíno. Mas o Flamengo, mesmo com melhor qualidade no desempenho, era também pouco agressivo.

Fla no início: Arrascaeta por dentro, mais à esquerda e jogo pelo chão

O início do segundo tempo, porém, talvez tenha mostrado uma evolução da ideia de Abel – e em perfeita execução. Após retomada de Thuler quase na linha de fundo, o time saiu ao ataque. Com chutões ou lançamentos em vão? Ao contrário. Bola de pé em pé. Thuler, Rodinei, Everton Ribeiro, Ronaldo, à direita. Dali um passe à esquerda, onde Vitinho, habilidoso e em noite de confiança, deu corte seco em Raul para servir Arrascaeta na área. O chute de canhota foi rasteiro, preciso, e fez o Maracanã explodir. 1 a 0. Um golaço rubro-negro, lembrando os melhores momentos do time em 2018, inclusive o segundo gol contra o Fluminense, em Brasília, pelo Brasileiro. O Flamengo melhorou a partir daí, buscando manter a posse, trocar passes. E teve boas participações pelo meio: Ronaldo, após início nervoso e com erros de passes, confirmou ser boa opção para a equipe. Atuou com segurança por dentro, ao lado de Arrascaeta, avançando nos momentos certos até a área. Deu mais consistência ao meio e quase marcou em duas oportunidades, uma com chute dentro da área, outra de fora. Logo atrás, Piris, incansável e vibrante, fez partida elogiável. O time parecia funcionar melhor. Mas se retraiu um pouco mais à espera do contra-ataque fatal.

Vasco ao fim: atacantes empilhados e bolas alçadas

Talvez por isso Abel tenha sacado Vitor Gabriel, um garoto nervoso num clássico entre os profissionais, com pouca efetividade, para a entrada de Bruno Henrique, que foi à ponta esquerda e empurrou Vitinho para o meio da área. Seria de esperar grande movimentação na frente: no primeiro tempo, a mobilidade do ataque causou problemas pelos dois lados. E obrigou, por exemplo, Castán a caçar Everton Ribeiro fora da área em algumas oportunidades, abrindo espaços para a invasão de Arrascaeta na área. Valentim tentou responder primeiro com Rossi na vaga do apagado Pikachu. Depois, sacou Galhardo e pôs em campo Bruno César. Uma tentativa de tentar a aproximação à área rival com um passe mais refinado. Não deu certo. Quanto mais o Vasco subia, mais o Flamengo retomava a posse – principalmente após bolas alçadas tanto por Cáceres quanto por Danilo Barcelos – e acelerava. Ao perder Vitinho, lesionado, Abel esticou Lucas Silva na esquerda e liberou Bruno Henrique à frente.

Ao fim, Fla com dois volantes, Arrascaeta centralizado e mais velocidade

Quando Alberto Valentim empilhou mais um atacante – Ribamar na vaga de Raul – o espaço para os contra-ataques naturalmente apareceu. Era um buraco no meio de campo vascaíno, habitado apenas por Lucas Mineiro na parte defensiva. Houve boas chances de contra-ataque para o Flamengo matar o jogo. Mas o grande defeito dos últimos anos reapareceu. A equipe cansou de perder gols. Abel sacou Everton Ribeiro e avançou Rodinei. Klebinho fez a lateral, enquanto Ronaldo deu passes atrás para se alinhar a Piris. Arrascaeta, enfim, centralizou. E teve espaço. Muito espaço. A facilidade do meia uruguaio para encontrar os companheiros impressiona. Mas até ele próprio, cansado, matou um contra-ataque ao errar o tempo exato de passar a bola. E o Vasco? Com o meio da área rubro-negra mais bem protegido, aumentou as investidas por bolas alçadas, principalmente em cruzamentos – foram 26, no total. A rigor, apenas uma ameaça, em cabeçada de Lucas Mineiro por cima do gol, após escanteio cobrado por Danilo Barcelos. Faltavam técnica e mais ideias para o Vasco apertar um Flamengo reserva.

Em uma rebatida, Bruno Henrique parou sozinho na área vascaína e, solidário, praticamente cedeu o gol a Rodinei. Displicente, o lateral e dublê de ponta rubro-negro tocou fraquinho para o gol aberto e houve tempo de Danilo Barcelos evitar o segundo gol e, consequentemente, a vitória rubro-negra. Ao Vasco restaria o abafa. Maxi López, primeiro, pediu pênalti – inexistente – em choque com Hugo Moura. Nas bolas alçadas, a chance surgiu no apagar das luzes. Ribamar ganhou a casquinha pelo centro e Marrony, rápido, partiu na frente de Thuler. No enroscar entre os dois, o árbitro marcou pênalti discutível do zagueiro rubro-negro. Maxi cobrou bem, com força, e fez explodir a massa vascaína no Maracanã. Salvou a invencibilidade e um clássico muito mal jogado pela equipe. Motivo para preocupar diante de rivais mais fortes ao longo da temporada.

Ainda que tenha sofrido o gol no fim, o Flamengo deixou o campo com 300 passes trocados, 18 finalizações – sete no alvo – e apenas 14 cruzamentos*. E com um belo gol construído após bela troca de passes da defesa ao ataque. Com Arrascaeta mais à vontade mais à esquerda do campo. Com Ronaldo e Piris como boas opções. Em termos de desempenho, o Flamengo tem mais a comemorar um empate contra o Vasco no Carioca do que a vitória na altitude de Oruro. E com time reserva. Indicou pela primeira vez em 2019 que a distância para os rivais é mesmo grande. Uma desigualdade que, no fim, terminou igual no Maracanã.

*Números do app Footstats Premium

FICHA TÉCNICA
FLAMENGO 1X1 VASCO

Local: Maracanã
Data: 9 de março de 2019
Árbitro: Wagner do Nascimento Magalhães (RJ)
Público e renda: 26.809 pagantes / 29.226 presentes / R$ 1.150.768,00
Cartões amarelos: Thiago Galhardo, Werley, Yago Pikachu e Maxi López (VAS) e Trauco e Everton Ribeiro, Bruno Henrique e Rodinei (FLA)
Cartão vermelho: Bruno Henrique (FLA), após o fim da partida
Gols: Arrascaeta (FLA), aos dois minutos e Maxi López (VAS), aos 50 minutos do segundo tempo

VASCO: Fernando Miguel; Raul Cáceres, Werley, Leandro Castán e Danilo Barcelos; Raul (Ribamar, 29’/2T) e Lucas Mineiro; Marrony, Thiago Galhardo (Bruno Cesar, 21’/2T) e Yago Pikachu (Rossi, 13’/2T); Maxi López
Técnico: Alberto Valentim

FLAMENGO: César, Rodinei, Thuler, Hugo Moura e Trauco; Piris da Motta; Everton Ribeiro (Klebinho, 31’/2T), Ronaldo, Arrascaeta e Vitinho (Lucas Silva, 27’/2T); Vitor Gabriel (Bruno Henrique, 21’/2T)
Técnico: Abel Braga