Fluminense Vasco semifinal Carioca 2017 Luis Fabiano Wellington
Dois turnos em um jogo: campeões das Taças GB e Rio, Flu e Vasco jogam pela final
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A verdade do campo: a bola girou e mostrou que a distância entre Flu e Vasco é enorme

Wellington Fluminense Vasco 2017 semifinal Campeonato Carioca

Wellington comemora o gol diante do Vasco no Maracanã

Wellington Fluminense Vasco 2017 semifinal Campeonato Carioca

Wellington comemora o gol diante do Vasco no Maracanã: atacante foi o destaque do time ao lado do volante Wendel

A bola girou em quase três meses e parou no mesmo lugar. A distância entre Fluminense e Vasco continua enorme. Na semifinal do Carioca, os tricolores repetiram o placar da estreia do campeonato diante do mesmo rival. 3 a 0 acachapante. Um confronto de ideias. O Fluminense de Abel Braga tem o gosto pelo futebol ofensivo. São 54 gols em 24 jogos na temporada. O Vasco de Milton Mendes indicava a reconstrução de um caminho, com um sistema defensivo forte como base. Mas a ideia ruiu neste sábado. Seis dos 14 gols sofridos pelo Vasco no campeonato foram anotados pelo Tricolor. Mérito do primeiro finalista do Carioca.

Fluminense no primeiro tempo

A vantagem do empate debaixo do braço dava ao Fluminense o direito de segurar seu ímpeto ofensivo. Aguardar o Vasco em seu campo e usar o contra-ataque, mortal nesta temporada. Mas Abel Braga não parece gostar de lógica. Pouco importou a vantagem. A bola rolou e o Fluminense tentou abafar o rival, pressionando o adversário na saída de bola e com muita movimentação. Wellington, geralmente na direita, estava na esquerda. Richarlison saiu da esquerda para a direita. Wendel e Sornoza se aproximavam. Troca de passes, utilização de dribles, muita velocidade. O Vasco, tonto, se assustou. Tanto que Douglas derrubou Wellington após ser driblado na grande área. Pênalti claro ignorado pelo árbitro Rodrigo Nunes de Sá.

Provável que a ideia de Milton Mendes fosse se resguardar na primeira etapa diante de um rival tão poderoso ofensivamente. Havia muita dificuldade. O Vasco não se encontrava, não tinha como construir. Nenê sumira. Pikachu não sabia se avançava com a velocidade de Wellington às suas costas. Acabou engolido. Guilherme Costa tinha de voltar para ajudar as investidas de Lucas. O lateral-direito do Flu tinha uma avenida. Por ali, ele quase marcou em um belo chute. Wellington, de longe, só não abriu o placar porque Martín Silva fez boa defesa. Em linda jogada de Wendel pela esquerda, costurando Rafael Marques, Henrique bloqueou dois chutes seguidos, de Pedro e Richarlison. A posse de bola tricolor entre 66%. O Vasco não via saída. Mas o futebol…

Vasco no primeiro tempo: troca de pontas

Após a parada técnica, o time cruzmaltino entrou no jogo. Milton Mendes trocou Pikachu e Guilherme Costa de lado. O time chegou na frente ao seu estilo. Contra-ataque e grandes lançamentos. Gilberto, após passe de Nenê, chutou para fora de frente para o gol. Nenê, após raspada de cabeça de Luis Fabiano, ficou de frente par Diego Cavalieri, mas o goleiro conseguiu a defesa. Luis Fabiano, após cobrança de falta de Nenê, cabeceou para fora. Nomes repetidos, quase uma dança de quadrilha. O Vasco tinha dificuldades. E até terminou o primeiro tempo de cabeça em pé. O placar estava zerado, mas as melhores chances foram dele, apesar do jogo superior do rival. Mas o futebol…

No segundo tempo, a superioridade tricolor continuou. Elétrico, insinuante, o Fluminense não costuma perdoar quando tem espaço. Empurra o adversário com a velocidade de Wellington, Richarlison. Pedro, garoto, mostrou ainda estar tímido demais para um jogo pesado. Em falta cobrada por Sornoza da intermediária, Richarlison tocou de cabeça e, no rebote, bateu para o gol. 1 a 0. Apenas cinco minutos. Em dez, o placar dobrou. Wendel, em bela noite, desarmou Douglas no meio, avançou e tocou para Lucas. O lateral fingiu cruzar e deu um chapeu desmoralizante em Rodrigo. Para completar a festa, o passe rasteiro terminou na rede com um toque de letra de Wellington, tal e qual um centroavante. 2 a 0. A fatura, ambos os times sabiam, estava liquidada.

Fluminense ao fim do clássico

O Vasco sentiu o golpe. Douglas, válvula de escape do time no campeonato, perdeu a cabeça ao dar uma trombada forte em Wellington Silva. Acabou expulso. Mas já sumira diante da imposição de Wendel no meio de campo. Milton Mendes tentou não esmorecer. Deixou o time avançado, com Thalles, fora de forma, e Manga Escobar no ataque. Mas a distância entre as equipes já era enorme no 11 contra 11. Com 11 contra dez, ficou impossível. O volume de jogo tricolor aumentou. Em cobrança de falta de Sornoza pela esquerda, Léo se antecipou aos zagueiros e fechou os 3 a 0 para sacramentar a vaga na final. Sentimentos opostos explodiram na arquibancada.

Vasco ao fim da partida

Ali, tricolores já se orgulhavam do trabalho realizado por Abel Braga. Aos 64 anos, o técnico tem um time moderno em campo, com atletas jovens, jogo ofensivo, sempre rumo ao gol e de maneira eficiente. A movimentação é intensa, a ocupação dos espaços deixa rivais sem fôlego. Mesmo sem Gustavo Scarpa desde a semifinal da Taça Guanabara, a equipe evoluiu. É mais consistente e mortal. Não apenas faz gols como joga bem. Bom nos números, bom no desempenho. O time marcou 54 vezes em 23 jogos na temporada. No Rio, os rivais estão bem atrás. O Flamengo conta 43. O Botafogo, 31. O Vasco, 21.

Uma preocupação para Milton Mendes. Após quatro jogos sem sofrer gol e indicação de uma evolução, o time falhou em um grande desafio. Entregou campo ao rival e ainda com veteranos em posições-chave (Rodrigo, Nenê e Luis Fabiano) não teve como acompanhar o ritmo tricolor, que teve 58% de posse de bola e quase o dobro de finalizações (16 x 9). Há pela frente apenas a batalha no Campeonato Brasileiro. Sobrará tempo e haverá cobrança. Reforços serão necessários para oxigenar o elenco. A bola girou desde a estreia do Carioca e voltou ao mesmo lugar. A distância entre Fluminense e Vasco é enorme. Dois campeões de turnos. Sim, Estadual pode enganar. Mas, desta vez, contou a verdade do campo.

FICHA TÉCNICA
FLUMINENSE 3X0 VASCO

Local: Maracanã
Data: 22 de abril de 2017
Horário: 19h
Árbitro: Rodrigo Nunes de Sá (RJ)
Público e renda: 23.564 presentes / 20.092 pagantes / R$ 832.320,00
Cartões Amarelos: Jean, Henrique e Nenê (VAS) e Lucas (FLU)
Cartão vermelho: Douglas (VAS), aos 15 minutos do segundo tempo
Gols: Richarlison (FLU), aos cinco minutos, Wellington (FLU), aos dez minutos e Léo (FLU), aos 26 minutos do segundo tempo

FLUMINENSE: Diego Cavalieri; Lucas, Renato Chaves, Henrique e Léo; Orejuela, Wendel (Lucas Fernandes, 38’/2T) e Sornoza; Richarlison, Pedro (Marquinho, 30’/2T) e Wellington (Marcos Junior, 30’/2T)
Técnico: Abel Braga

VASCO: Martín Silva; Gilberto, Rafael Marques, Rodrigo e Henrique (Manga Escobar, 12’/2T); Jean e Douglas; Yago Pikachu (Thalles, 12’/2T), Nenê e Guilherme Costa; Luis Fabiano (Wagner, 31’/2T)
Técnico: Milton Mendes

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