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(Twitter Copa do Mundo Fifa)

Dia 33. Adoramos histórias com ares de fábula em Copas do Mundo. Contos que parecem pura fantasia como Cabo Verde, um tanto o Egito, o sonho de um pequeno que derruba gigantes e fica para sempre no imaginário da bola. Adoramos, sem dúvida. Mas ali no frigir dos ovos, no fundo, apontamos nossa predileção para um confronto entre os grandes. Esse clubinho estabelecido no futebol lá desde os anos 50 e 60, com um ou outro adendo ao longo de décadas. Pois teremos agora as semifinais dos grandes. Todos campeões, com histórias para contar, torcidas para impactar e futebol para disputar a taça da Copa do Mundo. Não houve espaço para nenhum intruso.

Uma espécie de Suécia e Bulgária em 94, Croácia em 98 e principalmente 2018. Marrocos em 2022. Eram, a rigor, zebras que espantaram pelo sucesso de chegar tão longe. Esse status quo é formado não apenas com taças, mas pela representatividade do futebol ao longo dos anos. A Holanda, eterna vice-campeã, ajudou no processo de revolução do futebol a partir de 74 e faz parte do clube. É grande. A Espanha só chegou lá em 2010, ao bater a própria Holanda na África do Sul. Antes e depois ainda colecionou Eurocopas. Mesmo a Inglaterra, vencedora de 66, mantém a pegada de uma das grandes seleções do mundo mesmo sem nunca mais ter pisado em uma final. Acontece. Não adianta lutar.

Por isso a expectativa é alta para essa semifinal. Belos jogos, duelos encardidos que transcendem o futebol – alô, Adenor – como Argentina x Inglaterra. Bate aquela decepção na maior parte da torcida brasileira com a ausência, de novo, da Seleção Brasileira. Integra o grupinho seleto, sem dúvidas, mas pouco fez para manter a competitividade em patamar tão alto. Há dúvidas sobre a verdadeira capacidade de voltar a disputar, de fato, uma Copa. A primeira medida é entender que, hoje, a Seleção Brasileira está a léguas de distância dos semifinalistas de 2026. Por isso o clima de Copa zerou no país e assistiremos tudo pela tv com o sentimento de barrado do baile.

Não parece haver dúvidas de que a França é a favorita para mais uma vez chegar a uma final. Seria a terceira consecutiva, a quinta em sete Copas. Impressionante. Mbappé, Olise, Dembelé e companhia já habitam o imaginário de grandes equipes de todos os tempos. Agressividade, ofensividade, força, técnica. A França tem quase tudo. Talvez nem tanto paciência como tem a Espanha. Adorada por uns, detestada por outros – opa, cá estamos – o time de Luis de la Fuente não terá o menor pudor de rodar a bola de um lado a outro, sem tanta objetividade, apenas para afastar a França e sua agressividade. Será um duelo interessante de estilos e cada um belo à sua maneira. Um confronto grande, enorme, que chacoalha o mundo do futebol.

Reprodução Diário LANCE! 2010

Em 2010, em Joanesburgo, na sala de imprensa do Soccer City, eu matutava como encaixar uma pauta legal sobre a final inédita entre Holanda e Espanha. Fui pelo caminho do futebol-arte, o esporte de dois países que já representaram a beleza da bola junto com o fato de terem sido o berço de pintores históricos. Vincent van Gogh de um lado com Noite Estrelada, Pablo Picasso do outro com Guernica. E a página dupla produzida pelo Celso Reis, ótimo diagramador do LANCE! no Rio, virou realidade. Era uma ideia bacana e Alex, ex-Fenerbahçe, Coritiba e Palmeiras, chegou a elogiar em um Twitter que ainda engatinhava na época. Tudo só foi possível porque era uma final entre grandes. Ainda que a Espanha não tivesse conquistado um título mundial era a então campeã europeia. Ainda que a Holanda de Bert van Marwijk não se destacasse pela beleza, mas pela eficiência, o legado de Cruyff contava bastante. Foi uma decisão grande. Como será agora, de novo, em 2026. A Copa é dos protagonistas, verdade. Mas é, também, a Copa dos graúdos. Sorte a nossa.

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