

(Twitter Copa do Mundo FIFA)

Dia 34. A Copa, por vezes, pode ser detestável. Foi assim nesta terça-feira chuvosa. Espanha, a seleção detestável, avançou à decisão de uma ótima Copa do Mundo até aqui. Antes de mais nada as linhas aqui serão traçadas sob o meu ponto de vista. Meu quintal, minhas regras. Não tenho nem nunca terei o costume de embarcar em modismos. Por isso não espere que vá tecer louros à Fúria – melhor apelido abandonado – por conta do jogo contra a França. Pronto. Agora que alguns já abandonaram o texto de cara, continuemos. Tenho perfil provocador, zombador, debochado. Humor ácido. O Twitter – X é o cacete – é ótimo para isso e gerar as mais varidas reações. Mas nem tudo mundo entende – e sinceramente, azar deles. Os mal educados e sem noção são bloqueados, muitos adolescentes que nem se deram conta do que são no mundo, e vida que segue. Não quer pilha, não me siga. O time de Luis de la Fuente foi extremamente competente nesse confronto com a França. O adjetivo que se aplica à Espanha é esse: competente. Em uma Copa a expectativa é maior. Já era sabido que mostrou ao mundo o antídoto para frear Mbappé e companhia. Dificulta a saída, pressiona, controla com a bola, mantém o rival longe de seu gol. E ainda teve a fortuna de ter muito do panorama a seu favor. Pênalti, Saliba fora. Acontece e nem por isso deixa de ser desastroso.
Deschamps errou terrivelmente ao manter o fraquíssimo Digne na lateral-esquerda durante quase 70 minutos. Não só pelo pênalti desastroso em Yamal, mas por ter levado um baile em quase todo tempo e cometer seguidos erros técnicos. Se a Espanha arriscasse uma bola por cima era nas costas do fraco lateral. Deschamps insistiu, apostou e perdeu. Quando Theo Hernández entrou e Yamal não levou mais uma vantagem sequer o 2 a 0 estava consumado. Mbappé lutou, mas o farol baixo de Dembelé e, princilpamente, Olise contribuíram demais para a frustração. Sim, lá vem você dizer que a Espanha teve mérito, dominou o meio, etc. Verdade, mas um não excluiu o outro, jovem. O primeiro gol, consequência de um pênalti desastroso, acabou por direcionar bastante a partida. De novo, mérito da Espanha e demérito da França, que não soube reagir e ter armas para rebater o futebol espanhol.
Esta Espanha caso vença a final seria para mim a pior campeã mundial que já vi. De novo: meu quintal, minhas regras. Abaixo até mesmo da de 2010, que tinha um cracaço, perto da genialidade, no meio. Não por acaso Iniesta foi o autor do gol decisivo. E isso faz toda diferença. Esta tem um futebol insosso, de eterna troca de passes, pouco gosto pela agressividade. Muitas vezes blasé. Parece óbvio que a França era favorita, apesar dos resultados dos últimos tempos entre os dois rivais. Falamos de favoritismo pelo momento. Até este confronto a Copa da França era muito superior à da Espanha. Melhores atuações, coletiva e individuais, Mbappé e Olise exuberantes. Era o óbvio ulululante apontá-la como superior. Mas futebol tem disso. A lógica muitas vezes é contrariada, ainda bem. Nada disso me impede de entender a Espanha como uma seleção detestável. Opinião. Dê a sua também no seu quintal.
Do altar da tática, analistas vão desdenhar de quem acha o contrário, se portar como donos e únicos entendedores do jogo, inflar a Espanha até não conseguir mais. Aula, amasso, entre outros adjetivos moderninhos que viraram regra entre a garotada. Legal, que fiquem por aí. O futebol espanhol, essa doutrina defendida pelos doutores entendedores, não me agrada. O coletivo é importante, mas o esporte respira e apaixona, também, opor herois, destaques, estrelas, como quiser chamar. Nesse time faltam agressividade, paixão, ser menos insosso. Aprecio times que têm posse de bola, mas se impõem com ela, arriscam em vez de esperar sempre o melhor momento. Torna o jogo chato. Não é o futebol que gosto, tampouco o que quero ver. E o oposto, com chutões, bolas longas, rejeição à bola, antijogo também me dá náuseas. Estou ali no meio do caminho. A Espanha, merecidamente, está na sua segunda final de Copa do Mundo. Para mim é um pragmatismo detestável. Estarei do outro lado. Ainda assim, a Copa segue em sua reta final. Que bom.
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