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Cruzados da Copa, dia 34: a Copa teve seu dia detestável
14 de julho de 2026

Cruzados da Copa, dia 35: Messi, o controle do tempo e un poco más

Twitter Seleção Argentina

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Dia 35. A pausa para hidratação era a chance de um respiro. Neste caso, poderia ser o último. Do jogo, talvez da Copa. De uma carreira. Messi olha para o placar. 1 a 0 para os ingleses, em linhas tortas traçadas por quem ainda não compreendia a grandiosidade do momento. Há 40 anos, um 10 reescreveu as mesmas linhas. La mano de Dios, os dribles que derrubaram todo um exército de ingleses antes de estufar a rede e, por consequência, a alma. Sí, se puede. Ainda mais por ser Messi. Ele recolocaria a Argentina nos trilhos de mais uma decisão da maneira que fosse. O jogo era dele. O momento, também. A História pede. Os companheiros e sua gente, também. Controle o tempo. Un poco más.

O passar de mão na cabeça já lhe é característico, como quem reorganiza as coordenadas para dar o bote fatal. O jogo será seu, de novo. Aos 39 anos, dosa energia, caminha com a leitura que o dom e os anos de bola lhe concederam. Arranca quando tem de arrancar. Trota quando tem de trotar. Agora era diferente. Talvez a última chance, o último baile. Valeria se doar ao máximo, gastar energias como o mais comum dos operários. Era possível ainda. Messi controla as ações, os olhares, as atenções. O tempo. Un poco más.

O sentimento transborda nos corações argentinos. É uma fantasia na qual mergulharam em 2022 que, ingênuos, acreditaram sem prazo para acabar. Só mesmo o tempo, travesso, condena o físico de um gênio que dominou gerações e o obriga a ter fim. Mas Messi controla o tempo. É a quem todos recorrem quando algo dá errado. E, nesta Copa, a Argentina viu o errado caminhar em sua direção várias vezes. Foi sempre driblado pela genialidade do Camisa 10. Não apenas na técnica, mas na mentalidade. Leo, assim chamam os amigos, é outro. Não só pela maturidade. Encarnou o espírito argentino em definitivo logo depois que Maradona se foi. Já sem Diego viu Di María tocar para o gol brasileiro no Maracanã e o portal se abrir. Já faz tempo.

Ele recebe a bola e encara os ingleses. Um, dois, três. É derrubado. O corpo, mesmo cansado, não se rende. Não há razão para se poupar quando a fantasia arrisca se quebrar. Cai pela direita, tal qual o garoto no início de carreira. Atrai a marcação. Serve uma, na trave. Serve outra, bem próximo. Mais uma, para em Pickford. O caminho, todos acharam, seria pelo alto. Ele rola por baixo para Enzo Fernández bater e vencer o goleiro inglês. Ergue o braços, comemora. Faltam minutos. Há espaço. Há um caminho. Mais do que usso: ainda há tempo. Un poco más.

Quarenta anos depois, a camiza é azul como em 1986. De novo os ingleses na América do Norte. Mágoas não são esquecidas, de parte a parte. Um baixinho, canhoto, camisa 10, encanta o mundo e pega as rédeas para si. Tudo ele antevê. Agora seria, sim, seria o momento de tentar pelo alto. O corte seco de esquerda traz a pelota para a direita. O cruzamento, certeiro, mergulha na cabeça de Lautaro para a rede e, dali, para a História. De novo, uma virada. Agora sem um rastro de contestação. No pulsar, na garra, na raça. Huevos. Messi, o gênio, se torna terreno. Soca o ar duas vezes, abre o sorriso. Pela terceira vez em quatro Copas, Argentina na decisão de uma Copa do Mundo. Agora, o tempo pode correr. Como uma criança ele se pendura em Enzo Fernández. Braços para cima. É jogado ao alto por companheiros que parecem tentar devolvê-lo ao Olimpo da bola. É onde merece estar. Mas Messi está ali, mundano como tantos outros. Feliz. E pronto. Ainda não acabou. Un poco más.

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