
(Twitter Copa do Mundo Fifa)

Dia 27. Cansa. A Copa do Mundo, esse torneio mágico e místico, deveria ser um dos auges da experiência no futebol. Jogadores de elite, nações representadas, encontro de culturas, tratamento igualitário a todos desde a poltrona do assento no ônibus até as decisões de arbitragem. A Copa 2026, infelizmente, contém uma mancha. A interferência externa de Donald Trump ao cancelar a suspensão de Balogun. Desde o início do Mundial há constantes rumores e reclamações de uma complascência da arbitragem com Messi e companhia. É duro embarcar em tais teorias, especialmente sem provas de predileção, mas o ajoelhar de Infantino a Trump abriu a porta da desconfiança para reforçar teses razoáveis ou estapafúrdias. E o Egito, por tabela, sofreu. Não existe nada épico quando a desconfiança bate à porta.
É este princípio sagrado da bola com que brincam Infantino e Trump ao revirar a mesa, ignorar regras e deixar o futebol publicamente à mercê de mentes poderosas. Inegável que a emoção de Messi foi bacana, genuína aos 39 anos em uma virada improvável em pouco mais de 15 minutos. Assim como é inegável que o árbitro francês François Letexier e seus compatriotas no VAR, deliberadamente ou não, influenciaram a partida e, consequentemente, a história da Copa. O pênalti em Tagliafico – e desperdiçado por Messi – é até questionável, mas do jogo. A falta que anula o segundo gol egípcio, não. E este é o problema do VAR.
A tecnologia foi admitida para melhorar o futebol. Proporcionar, bradaram aos quatro ventos, experiências mais justas. Não é o que ocorre. O VAR e seus tentáculos aumentam a capacidade de influenciar um jogo. Sedentos pelo poder de participar desta brincadeira, analistas e influencers de arbitragem, claro, dão o aval para o crime de lesa-futebol. O apito observava na fase de grupos o futebol como ele é. No mata-mata, no rigor das decisões, pegou a lupa para interferir em cada detalhe. Só assim o gol do Zico egípcio seria anulado após uma revisão que teve de voltar quase à área argentina. Com estas posturas e admissão do VAR, o gol mais lendário das Copas, de Maradona contra a Inglaterra em 86, não teria existido. Seria anulado devido ao desarme que soltou a bola, ainda no campo de defesa, nos pés de Diego antes de driblar meio mundo. No futebol, insisto, há contato físico. Choques. Jogadas mais ríspidas que, por muitas vezes, são apenas contatos do jogo.
🚨 Fortes aspas de Mostafa Zico após a eliminação do Egito para a Argentina…
— CazéTV (@CazeTVOficial) July 7, 2026
"Campeonato direcionado" 🗣️ pic.twitter.com/kq4mBUSufe
Inúmeros pisões ocorreram nesta Copa do Mundo e sequer foram analisados. Porque são do jogo. Há contato, não uma rede no meio das dias equipes. Ainda assim, que o bravo soprador de apito francês mantivesse a coerência para intervir nos lances de Trezeguet e Salah, imediatamente antes do gol emocionante de Enzo Fernández. Seria errado, mas existiria um critério. Não foi o que ocorreu. Abre, portanto, espaço para pensar na influência política de Messi, um produto mais do que valioso para a Fifa e Gianni Infantino. Pouco importam os torcedores, a essência do futebol, a prática no campo e a possiblidade de uma vitória, aí sim, épica do Egito de Salah. As reações de Infantino na tribuna com os gols egípcios indicariam uma preocupação com o produto Messi, em seu último desfile em uma Copa do Mundo.
A Argentina venceu sem necessidade sequer de prorrogação, amarelos foram ignorados aos hermanos e dados aos egípcios, faltas apitadas ou não de acordo com a conveniência. A atual campeã sai com a imagem arranhada perante o mundo, os holofotes aumentarão. Infantino abaixou a cabeça para Trump, liberou Balogun. A Bélgica alivou a questão, mas a mancha persiste. Messi segue na Copa. Aos prantos, genial como sempre, com pênaltis a granel e benevolência do apito. Ele não precisa disso. O futebol não precisa disso. Não há nada épico quando uma desconfiança paira no ar.
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