

(Twitter Copa do Mundo FIFA)

Dia 31. Há algo diferente na Inglaterra. A explosão de Bellingham ao aliviar a seleção da pressão contra a Noruega indica uma comunhão especial. Corrida direto aos torcedores, braços estendidos como se pedisse um abraço da massa inglesa sempre presente nos jogos da Copa. Uma doação de corpo e, principalmente, de alma para seguir em busca do bicampeonato de quem se diz tão dono do futebol. Os ingleses avisam que garra não é exclusividade argentina. A comunhão de espírito também se faz sob o comando de Thomas Tuchel.
É uma combinação curiosa até. Um alemão que contraria as características de frieza do seu povo encontra um time recheado de ingleses que pulsam em campo. É uma geração que chegou a ser apontada por muitos como fracassada, principalmente após a derrota na final da Euro 2024 para a Espanha. Por isso a comunhão com a arquibancada ao fim de cada grande triunfo nos campos da América do Norte emociona. Um time que está completamente entregue e parece pela primeira vez em muito tempo compartilhar do desejo do torcedor. Não é frio, nem distante. É próximo, pulsante.
Take it away lads 🎶 pic.twitter.com/utc8UVOaD9
— England (@England) July 12, 2026
Jude Bellingham talvez seja quem mais simboliza um novo espírito inglês. É capaz de ser classudo, altivo, cerebral, controlar a bola como poucos, enxergar espaços. E, ao mesmo tempo, se doar em campo como o mais batalhador volante dos anos 90. Uma combinação que costuma ter consequências positivas nas maiores equipes de futebol. Falar em garra, de maneira tão abstrata, por vezes é vazio. Observar a garra e senti-la em uma equipe torna tudo bem diferente. A Inglaterra que já contou com Lampard, Gerrard, Beckham, Owen jamais mostrou tanta alma como a de Bellingham e Kane.
Há aí também um ingrediente fundamental para levantar as maiores taças. É uma Inglaterra forjada em tristezas. A semifinal de 2018, a Euro de 2024. O sentimento do quase que por uma vez ou outra rotula carreiras para sempre. A Inglaterra se nega. De novo está na semifinal. Lutando, suando, no fim e com a comunhão celebrada ao som de Wonderwall. Também aos embalos de Hey Jude após os gols de Bellingham. Bonito, o futebol. E diante de tudo, a Inglaterra avisa: alma e garra não são exclusividade argentina. Está diferente.
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