(Gilvan de Souza / CR Flamengo)
Um mobilizado Corinthians supera um Flamengo ainda preso em 2025
02 fevereiro 22:59

Sem força, Flamengo ainda arranca empate do Inter e segue irreconhecível em 2026

Gilvan de Souza / CR Flamengo
Gilvan de Souza / CR Flamengo

O Flamengo de Filipe Luís – assim mesmo, com nome e sobrenome – arrebatou o continente em 2025 com uma premissa básica: força física. Caracterizava-se pela intensidade, a capacidade de pressionar o adversário de forma inegociável e, a partir daí, utilizar o talento para fulminá-los. 2026 já tinha dado o aviso contra São Paulo e Corinthians e repetiu contra o Internacional, no empate em 1 a 1 no Maracanã pelo Brasileiro: é necessário estar muito bem fisicamente para executar todas as ideias de Filipe. Do contrário, a competitividade fica de lado.

O time até tenta competir, mas há uma limitação justamente pelo estágio físico da temporada. Adversários que começaram antes, em fase mais avançada, conseguem vantagem. Foi o caso do Internacional. Filipe Luís decidiu colocar em campo jogadores que parecem ainda aquém do melhor rendimento como Léo Ortiz, Arrascaeta e o recém-chegado Lucas Paquetá. Juntos. A intensidade baixa e fica difícil encontrar soluções. A mente até tenta, mas o corpo não atende – ainda. A proteção de bola, o giro, o drible, o passe na força certa. Tudo tem falhado em muitos do elenco rubro-negro neste início de 2026. O calendário não perdoa nem espera.

O Flamengo seguiu no 4-4-2 que se transforma num 4-2-4 quando possível no jogo. Paquetá à direita, mas sempre a circular por dentro para abrir passagem ao lateral. Pulgar e De La Cruz pelo meio. Com a questão física do time como problema ambos acabaram sobrecarregados, especialmente o chileno, que teve noite bem ruim, acusou cansaço ainda no primeiro tempo e era superado com uma facilidade difícil de ver – Alan Patrick conseguiu drible de corpo na segunda etapa na qual Pulgar não teve a menor chance. Caçou, mas não achou. O Inter muito bem armado por Paulo Pezzolano era claro: um 5-3-2 com marcação muito forte, bloqueio dos lados e busca pela esquerda do ataque, com Carbonero em cima de Emerson Royal.

A impaciência da torcida rubro-negra e a predileção por um alvo em Royal deixaram tudo ainda mais fácil aos colorados. Fato que o lateral-direito não vem bem – neste ano como tantos outros. Mas já ter chegado ao estágio em que pega na bola e ouve resmungos e xingamentos da arquibancada parece um exagero. Todo o acúmulo de 2026, a recente perda da Supercopa para o Corinthians entram em campo. Não parece haver mais crédito pelo ano de diamante de 2025. Basta ao Flamengo tentar voltar a bola à defesa, como sempre fez, com Rossi ou os zagueiros para a impaciência se materializar em resmungos. Isso gerou insegurança e, consequentemente, algumas bolas longas. A atmosfera, claro, está mais pesada. Insucesso era verbo não conjugado há muito no universo rubro-negro.

A estreatégia de Pezzolano por vezes deu muito certo. Carbonero teve possibilidade de avançar as costas de Royal e cair para o centro para finalizar. Chegou a assustar Rossi. O Flamengo, lento, tentava com Lucas Paquetá, sem ritmo nem tempo de bola na volta ao futebol brasileiro. A compreensão do que é ou não falta em terras brasilis vai demorar a ser de novo assimilada. Errou também a medida de passes. Com um Internacional tão forte fisicamente poderia ser fatal. E foi. Paquetá tentou o toque de primeira, errou e Carbonero recebeu pelo centro. Léo Pereira buscou antecipar, como fez constantemente durante o jogo ao lado de Léo Ortiz, e errou o bote. A defesa instransponível em 2025 está escancarada em 2026. Havia espaço para Borré correr, receber, cortar Ortiz e finalizar. O Inter, ajustado, pressionava. Vitinho e Paulinho ao lado de Carbonero. Alan Patrick tentava ditar o ritmo mais à frente com Borré, mas também se desdobrava na marcação. Aumentou a impaciência.

Na segunda etapa, Filipe sacou Bruno Henrique, de novo desconfortável como centroavante, e pôs Pedro. Royal, sem condições de atuar na atmosfera, deu lugar a Varela, que conseguiu o pênalti do empate após sofrer entrada infantil de Bernabei. A torcida deu trégua. Mas o Flamengo seguiu espaçado. Pulgar caçava um enorme espaço ao léu, como um cachorro perdido atrás da caça num vaivém improdutivo. Cebolinha tinha dificuldades ao levar da esquerda para o corredor central e Arrascaeta mais uma vez vivia noite para esquecer com tantos erros técnicos. Samuel Lino foi opção para a esquerda, mas é quase um náufrago na equipe. Não tem aproximação de nenhum jogador no setor e invariavelmente tem de – tentar – driblar três jogadores. Com o Flamengo mais aberto, mais espaçado e cansado, Pezzolano pôs Aguirre pela direita, numa dobradinha de laterais, na vaga de Vitinho. O argentino perdeu chance inacreditável ao receber bola açucarada de Carbonero nas costas de Alex Sandro. Os passes têm entrado muito na defesa deste Flamengo de 2026. O 1 a 1 foi até lucro.

A arbitragem, uma vez mais, se notabilizou pela ruindade. Picotou o jogo como pôde, especialmente na segunda etapa. É impossível marcar pressão no futebol brasileiro com árbitros tão fracos e coniventes com jogadores que desmancham ao simples toque. O objetivo, claro, é arrastar o jogo, impedir um ataque adversário. Um estilo de apito que atrasa o futebol brasileiro.

O Flamengo vai mal em 2026. Fisicamente está aquém e não consegue impor sua intensidade. Como resultado fica frágil defensivamente e pobre na criatividade – foram incríveis 33 cruzamentos* durante todo o jogo. É óbvio que Filipe Luís e seu elenco têm crédito. Mas a reação tem de ser imediata. Infelizmente o calendário não espera, especialmente em um ano no qual o Brasileiro inicia em janeiro. PAra defender seu título e buscar a décima taça os mais competitivos neste momento de um elenco tão qualificados têm de ser utilizados. Pois hoje o Flamengo segue um grande time, mas sem força para competir.

*Números do SoFa Score

FICHA TÉCNICA
FLAMENGO 1X1 INTERNACIONAL

Data: 04 de fevereiro de 2026
Local: Maracanã
Árbitro: Rodrigo José Pereira de Lima (PE)
VAR: Caio Max Vieira (GO)
Acréscimos: 6’/1T e 10’/2T
Público e renda: 52.792 pagantes / 56.421 presentes / R$ 3.857.496 Cartões amarelos: Lucas Paquetá, De La Cruz, Varela, Samuel Lino (FLA) e Gabriel Mercado, Ronaldo (INT)
Gols: Rafael Borré (INT), aos 47 minutos do primeiro tempo e Arrascaeta (FLA), aos 23 minutos do segundo tempo

FLAMENGO: Rossi, Emerson Royal (Varela / Intervalo), Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro; Pulgar, De La Cruz (Evertton Araújo, 27’/2T), Lucas Paquetá (Carrascal, 18’/2T), Everton Cebolinha (Samuel Lino, 18’/2T) e Bruno Henrique (Pedro / Intervalo)
Técnico: Filipe Luís

INTERNACIONAL: Rochet, Bruno Gomes, Gabriel Mercado (Félix Torres, 35’/2T), Victor Gabriel e Bernabei; Ronaldo (Bruno Henrique, 11’/2T), Paulinho, Alan Patrick e Vitinho (Aguirre, 12’/2T), Carbonero (Thiago Maia, 40’/2T), Rafael Borré (Alerrandro, 40’/2T)
Técnico: Paulo Pezzolano